Preço da energia elétrica dispara: corremos risco de apagão?

Por Gabriel Ronan

O mês de setembro começa com aumento no custo da energia elétrica. Se antes a pandemia da COVID-19 tirava o sono do brasileiro, agora quem incomoda é o aumento da conta de luz diante do baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Afinal, corremos risco de um apagão?

Oficialmente, o governo federal não sonda essa hipótese. Mas, os dados são preocupantes. Em Minas Gerais, três grandes usinas operam com níveis baixos: Emborcação (Araguari), Furnas (São José da Barra) e Nova Ponte (cidade de mesmo nome).

A maior preocupação da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) em setembro gira em torno de Emborcação e Nova Ponte, ambas na faixa dos 11% de volume útil nesta quarta.

Na prática, quanto menor o volume de água dentro de uma hidrelétrica menor a capacidade dela de geração de energia elétrica. Isso faz com que o governo e a distribuidora precisem comprar o serviço de outras fontes, como as termelétricas, em setembro.

O problema que isso custa dinheiro. As termelétricas funcionam à base de combustíveis fósseis, portanto são mais caras. Além disso, elas poluem muito mais o meio ambiente que as hidrelétricas.

Quem paga a conta? Claro, o consumidor. Todo esse panorama resultou na criação da Bandeira Escassez Hídrica. Ela elevou o preço de 100 quilowatt-hora de R$ 9,49 para R$ 14,20, um aumento de 50%.

A Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg) quem definiu o aumento. Mas, essa decisão deveria ser da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável por regular a energia elétrica no Brasil. Esse é mais um ponto de discordância entre o governo federal e especialistas.

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