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Você sabe o que é o Grau?

Grau, também conhecido como 244 e Cabral, está em debate na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Praticantes pedem regularização como esporte

Grau - “Rolé no Papa, no início de julho, encontro organizado por Rodrigo Silva” - Crédito: Divulgação
“Rolé no Papa, no início de julho, encontro organizado por Rodrigo Silva” - Crédito: Divulgação
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Culturalmente, é notável que assuntos vindos da periferia são difíceis de serem recebidos para a maior parte da sociedade brasileira. Ainda assim, atividades como o Grau, 244 ou Cabral estão crescendo e sendo debatidas com mais seriedade.

O Grau, o 244 e o Cabral são termos usados para descrever a atividade de pessoas que conseguem andar em bicicletas ou motocicletas apenas com as rodas traseiras. Trata-se da famigerada “empinada”.

Eu pude conversar com Rodrigo Silva, morador do bairro Jardim Leblon, em Venda Nova, e há 12 anos praticante da atividade. Com 24 anos de idade, ele é uma liderança do esporte na cidade e além da organização de encontros, promove ações sociais voltadas para pessoas mais vulneráveis.

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“Nós levamos lazer e, através disso, ajudamos várias outras pessoas.” – Rodrigo Silva

Outro ponto importante que Rodrigo traz é a capacidade do grau de tirar pessoas do crime, fazendo com que ocupem a cabeça com o as atividades, as quais, segundo ele, “são uma terapia”.

Para o vereador Bim da Ambulância (PSD), autor de um projeto de lei que tem o intuito de transformar Belo Horizonte como a capital do grau, a possibilidade de ter um espaço próprio para a prática ajudaria diversos jovens da periferia e atrairia olhares turísticos para a cidade mineira.

Um destaque da dificuldade de absorção social ressaltada por Rodrigo é o skate, que historicamente foi marginalizado pela sociedade, sendo proibido há algum tempo até na maior cidade do Brasil, São Paulo. Poucas décadas depois, o esporte esteve nas Olimpíadas de Tóquio e deu protagonismo ao país em sua primeira participação.

Com a descriminalização do Grau, Rodrigo acredita que a prática seja reconhecida como esporte e também esteja em campeonatos mundialmente conhecidos, como as Olimpíadas. Apesar das barreiras, RD, como é conhecido, trabalha para que as pessoas entendam melhor a atividade.

“Acredito que debatendo certos temas com seriedade é possível que todos entendam o real sentido desse assunto. A banalização dessa conversa só existe por um preconceito com as pessoas da periferia, porque se fosse praticado em áreas nobres, seria naturalmente aceito”, diz RD.

A estrutura que está por trás dessa luta é maior do que a prática em si. O Grau é muito maior que simplesmente levantar uma bicicleta ou uma moto. Existe, em uma esfera específica e de exemplo, a união de diversas pessoas que trabalham para ajudar a comunidade e receber egressos da vida criminal.

Caso seja devidamente legalizado, com um espaço próprio, com segurança e debatido com maturidade, é possível que o Grau se torne relevante para a cidade e para a região.

Acompanhe o trabalho de Rodrigo Silva pelos canais no Instagram @rd_silvaa7 e @unidospelamanobra.

Conteúdo escrito pelo colunista Ricardo Soares.



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1 COMENTÁRIO

  1. Quando eu era novo, até arriscava! agora sou velho e gordo, não dá mais pra mim! k k k
    Tem que praticar com responsabilidade e em locais fora do transito de BH, que já é ruim sem acidentes!
    Só com educação, acaba-se com os preconceitos; não será um projeto de lei que desmarginalizará a atividade. Mesmo assim é válido!

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