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Por Gabriel Ronan e William Araújo

Nesta segunda-feira (16), durante a noite, moradores de Venda Nova, do Bairro Rio Branco, no entorno de uma Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes (URPV) da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), se depararam com um problema antigo: o descarte clandestino de lixo nas proximidades do ponto de coleta da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).


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Carroceiros,  carros de passeio e caminhões param calmamente e depositam na área externa do equipamento público sacos de lixo e outros materiais. Desta vez, um caminhão baú, com registro da cidade de Baldim, região central de Minas Gerais, foi filmado despejando o que parece o lixo de uma fábrica.

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O morador responsável pela filmagem diz no vídeo que toda semana o caminhão para no mesmo local e faz o descarte irregular. Afirma, também, que solicitou à Guarda Municipal que interviesse no assunto.

Em entrevista anônima, um auxiliar de operação e controle de uma URPV em Venda Nova explicou como funciona a rotina no local. Ele ressalta que convive em um cotidiano de descaso por parte da população.

“Atendemos somente quem entra na unidade. Há pessoas que chegam lá fora e jogam o lixo por lá mesmo, nem sequer entram na URPV para fazermos o controle. Lá fora, toda hora alguém passa e descarta algo irregular. O pessoal costuma trazer lâmpadas e televisores aqui, por exemplo. Uma vez, a Guarda Municipal flagrou um camarada jogando material irregular aqui, mas não é sempre que a fiscalização consegue acompanhar”

Contudo, de acordo com o profissional, a maior parte do material descartado na unidade de Venda Nova é formada por entulho de construção civil e poda de árvores. Quanto aos animais mortos, ele disse que a ocorrência não é comum, por causa de um serviço específico da SLU que trata do tema. Segundo ele, a SLU busca o animal morto no próprio endereço do dono, o que evita o transtorno às URPVs.

Segundo Paulo Barzel, líder comunitário no Bairro Santa Mônica – vizinho ao Bairro Rio Branco -, “o problema do descarte clandestino de lixo não se estende somente  à falta de educação, mas à utilização das áreas públicas de forma correta, propiciando que moradores ocupem os locais para o lazer e atividades sadias”.

Em nota, a SLU responde:

“A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) esclarece que várias ações com o objetivo de inibir as deposições irregulares de resíduos, inclusive nas Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes (URPVs) têm sido realizadas em toda a cidade. Sobre a URPV do bairro Rio Branco, em Venda Nova, informamos que o local é limpo diariamente. Assim como em outras URPVs a deposição irregular é feita geralmente à noite, com o local já fechado para o recebimento de resíduos, mas logo pela manhã é feita toda a limpeza. A SLU tem trabalhado fortemente com campanhas educativas para coibir a prática”.

Falta educação

Há cerca de dois meses, o jornal Estado de Minas noticiou a situação e um agravante na URPV Rio Branco, que na mesma data pegou fogo sem motivos claros. Noutro momento, o jornal também denunciou como os moradores sofrem com a quantidade de lixo despejado nas portas dos equipamentos públicos durante a noite.

De acordo com a PBH, as unidades são responsáveis por receber:

  • Entulho (tijolo, telha, concreto, azulejo etc.)
  • Terra limpa
  • Podas
  • Pneus (máximo 2 por pessoa/dia)
  • Madeiras
  • Objetos volumosos (móveis, por exemplo).

Por outro lado, não recebem:

  • Restos de alimentos
  • Lixos domésticos
  • Líquidos
  • Pastosos
  • Resíduos hospitalares
  • Resíduos tóxicos
  • Lixo de fábricas
  • Eletrodomésticos
  • Partes de veículo
  • Animais mortos.

O problema da falta de educação no descarte de resíduos não atinge somente a unidade Rio Branco ou pontos de coleta. Na semana passada, moradores do Bairro Minas Caixa pediram ajuda a PBH para resolverem a situação do lixo acumulado na Rua Coronel Manuel Assunção, mais conhecida como “Curva da Banana”.

Na ocasião, Clarício T. Aguiar, gerente de Limpeza Urbana da SLU, disse que o fiscal destacado para multar os infratores esteve no local, sofreu várias ameaças à vida e não pode continuar os trabalhos. 

As multas por descarte clandestino de lixo podem chegar ao valor de R$ 5,5 mil.

Veja abaixo as normas de funcionamento das URPVs:

  • É recebido até 1m³ por descarga/dia;
  • Veículos leves podem realizar uma descarga por gerador/dia;
  • Os resíduos devem ser descarregados pelo transportador, por tipo de material, nos locais indicados pelo operador;
  • São expressamente proibidas a entrada de menores de idade e a permanência de pessoas estranhas na unidade.
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