Nely Aquino - Foto: Karoline Barreto/CMBH
Nely Aquino - Foto: Karoline Barreto/CMBH
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Na noite desta quarta-feira (31), por volta das 22h, a vereadora e presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Nely Aquino (PRTB), recebeu pelo número particular de WhatsApp de seu marido várias imagens de ameaça ao filho. As mensagens demonstravam o cotidiano da criança em vários momentos diferentes, o que indicava o ato de perseguição do suspeito.

Nely Aquino contou à reportagem do Jornal Norte Livre que temia, há algum tempo, pela segurança da criança, por isso solicitou à Câmara escolta à paisana para resguardar a integridade física de seu filho. Agora, com as mensagens, as suspeitas foram comprovadas.


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O vereador Gabriel Azevedo (PHS), ao saber da ameaça, se posicionou nas redes sociais e atribuiu a pressão à votação para cassação do vereador Cláudio Duarte (PSL), que ocorrerá nesta quinta-feira (1º). O político correligionário do partido do presidente Jair Bolsonaro foi acusado, em abril, do crime de peculato, formação de organização criminosa, concussão (exigir para si ou para outrem vantagem indevida) e obstrução da Justiça.

Além disso, Gabriel Azevedo (PHS) denunciou que, desde o início do processo de cassação, outros vereadores e ele têm recebido ameaças.

Apesar de estar muito abalada, Nely Aquino disse que as atividades da casa continuarão as mesmas e logo no início da manhã fará representação junto à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

EM TEMPO: Na madrugada desta quinta-feira, a reportagem tentou contato via mensagem com o vereador Cláudio Duarte para comentar as afirmações do vereador Gabriel, mas ainda não obteve retorno. Caso Duarte se manifeste, esse texto será imediatamente atualizado.

ATUALIZAÇÃO: Durante a manhã desta quinta-feira, o vereador Cláudio Duarte enviou mensagem à nossa equipe de reportagem e se posicionou sobre o assunto:

Eu vi a postagem dele ontem à noite. Em primeiro lugar repudio veementemente esse tipo de atitude e em segundo não tenho nada a ver com a mesma, pois um comportamento desse tipo, mais me atrapalha do que ajuda. Infelizmente está acontecendo o mesmo de sempre, desde o início dessa situação , sempre aparece uma trama para jogar no meu colo uma conta que não é minha!

Vou procurar a Polícia Civil agora pela manhã para registrar um Boletim de Ocorrência, no sentido de me proteger a respeito dessa situação!

Vereador Cláudio Duarte (PSL)

Outras ameaças

O também vereador Jair di Gregório, segundo vice-presidente da Câmara de BH, é mais um a denunciar ameaças de Cláudio Duarte. Ele disse à imprensa que recebeu áudios de pessoas ligadas ao político influente em Venda Nova.

“Aí vereador Jair di Gregório, quero ver você votar contra o Cláudio amanhã. Eu vou te explodir”, ameaçou um homem.

No início de julho, o Jair di Gregório também acusou pessoas ligadas a Duarte de ameaçá-lo de morte. Na ocasião, di Gregório usou os microfones da Câmara de BH para denunciar o fato.

“O Cláudio Duarte da farmácia está usando o assessor Welington Silva, vulgo ‘Pretinho’, para fazer pressão sobre nós, vereadores, para que não o cassemos na denúncia de rachadinha no seu gabinete”, reclamou.

Em sua página de Facebook, Jair di Gregório postou um vídeo no qual um pastor da Assembleia de Deus faz uma oração para protegê-lo do que ele chama de ameaças de Duarte contra sua família.

Na manhã desta quinta-feira (01), outra denúncia surgiu, agora, por parte do vereador Mateus Simões (Novo), responsável pelo relatório que servirá de base à votação de cassação. Ele ligou as ameaças recentes ao vereador Wellington Magalhães, que também enfrentará no plenário a votação de cassação do mandato.

Em resposta às denúncias de Simões, Magalhães disse:

“Eu sei me defender. Eu sou homem e cumpro as ordens. Eles (os acusadores) não têm uma prova contra mim”.

Cassação

Um dos vereadores mais votados de Venda Nova, Cláudio Duarte pode perder seu mandato nesta quinta. Há dois dias, a comissão processante que analisa o pedido de cassação aprovou o relatório produzido pelo vereador Mateus Simões (Novo) e levou o processo ao plenário.

Segundo Simões, Duarte deve ser cassado por ter cometido o crime de “rachadinha”, que consiste no desvio de parte dos vencimentos de funcionários do próprio gabinete para benefício próprio.

Para o vereador do Novo, Cláudio Duarte também mentiu para os colegas de Casa e para a Polícia Civil durante as investigações, o que configura quebra de decoro. Outro fato apontado no relatório é a prisão do vereador influente em Venda Nova, ocorrida 2 de abril.

Essa pode ser a primeira cassação da história da Câmara de BH. Para evitá-la, Cláudio Duarte precisa de 14 votos dos colegas, apenas 34% dos vereadores da Casa.

O caso

Na manhã de 2 de abril, a Polícia Civil saiu às ruas para prender temporariamente o vereador Cláudio Duarte (PSL). A corporação também deteve o assessor Luiz Carlos Cordeiro de maneira temporária, além de apreender computadores e documentos.

A acusação da corporação gira em torno da prática da “rachadinha” dentro do gabinete do vereador. A operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no gabinete, na casa de Duarte e na sede da União dos Moradores pelo Desenvolvimento Social do Bairro Céu Azul (UMCA), associação comunitária fundada pelo suspeito.

Segundo a polícia, Cláudio Duarte é suspeito de desviar cerca de R$ 1 milhão desde o início do seu mandato, em 2017. O vereador responde pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), formação de organização criminosa, concussão (exigir para si ou para outrem vantagem indevida) e obstrução da Justiça.

A pena total, de todos os crimes combinados, pode ultrapassar os 30 anos de reclusão. Segundo o delegado Domiciniano Monteiro, da Divisão de Fraudes e Crimes Contra a Administração Pública, houve casos de funcionários que entregavam R$ 10 mil por mês ao vereador e ficavam com apenas R$ 1 mil. 

Após ficar detido na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, Duarte foi solto dias depois, em 12 de abril. Em entrevista exclusiva ao Jornal Norte Livre, o vereador disse que o objetivo do processo era aniquilá-lo.

Segundo o correligionário de Bolsonaro, pessoas de dentro e fora da Câmara estão envolvidas para retirá-lo do caminho eleitoral. O motivo, de acordo com o vereador, é a forte ascensão política obtida nos primeiros anos do mandato, o que enfraqueceu os demais concorrentes ao pleito.


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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D. "Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo