Dengue volta a ameaçar Venda Nova mesmo em ano não epidêmico. Crédito: reprodução/PxFuel.
Publicidade

Enquanto boa parte da população se previne contra a COVID-19, um velho inimigo da saúde pública, o mosquito Aedes aegypti, volta a trazer prejuízos para Venda Nova. Apesar de 2020 não se tratar de um ano epidêmico da dengue, a Regional é aquela com mais casos prováveis da doença (soma dos confirmados aos suspeitos) em toda Belo Horizonte.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Venda Nova já tem 1.422 casos prováveis, sendo 422 confirmados e exatamente 1 mil suspeitos. Além dessa regional, o Leste da cidade tem mais de 1 mil diagnósticos prováveis: 702 atestados e 694 ainda sob investigação.

As explicações para os dados negativos de Venda Nova, de acordo com o gerente de zoonoses da Saúde municipal, Eduardo Viana, passa pelo retorno do subtipo 2 da dengue. “São vários fatores envolvidos. Isso está muito ligado à questão da suscetibilidade. Nós vivenciamos no ano passado a reintrodução do vírus tipo 2 no município. Então, nós temos uma grande quantidade de pessoas ainda suscetíveis a esse vírus”, explica o servidor.

CONTINUA APÓS ESTA PUBLICIDADE

Contudo, o Jornal Norte Livre já mostrou que pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) garantem que a falta de saneamento básico na Regional tem influência na quantidade de casos de dengue.

Para frear o aumento da doença em Venda Nova, e na cidade como um todo, Eduardo Viana ressalta as diferentes medidas adotadas pela prefeitura.

“Temos intensificações pontuais de acordo com essa análise de número de casos e também com relação à vigilância que fazemos de forma rotineira (nas casas das pessoas). Além dessas ações rotineiras, também temos adotado medidas de bloqueio de transmissão do vírus”, explica o gerente de zoonoses.

No Centro de Saúde do Bairro Santa Mônica, cartazes avisam sobre a prevenção ao Aedes aegypti. Foto: Gabriel Ronan/Jornal Norte Livre.

Porém, uma dificuldade encontrada pela prefeitura durante a pandemia diz respeito à resistência d parte da população de receber os agentes de endemias em suas casas por medo do novo coronavírus. “É um ponto que nos preocupa. É uma coisa que a gente gostaria de ressaltar muito e apelar para que a população entenda seu papel mesmo durante esse momento”, alerta.

Projeto adiado

Marcada para acontecer em fevereiro deste ano inicialmente, a soltura dos mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia deve acontecer somente no segundo semestre de 2020.

O projeto, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Ministério da Saúde, é uma das apostas do poder público para frear o proliferação da dengue, zika e chikungunya no país.

Os vetores com a bactéria Wolbachia serão soltos nas áreas de abrangência dos centros de saúde Piratininga, Copacabana e Jardim Leblon. A biofábrica localizada no Bairro São Francisco, na Pampulha, deve começar a operar em junho deste ano.

“Fizemos um projeto de análise de estratificação de risco em Belo Horizonte. Dentro desse levantamento, essas áreas (em Venda Nova) foram escolhidas como alguma das que têm uma necessidade de intervenção diferenciada da prefeitura”, pontua Eduardo Viana, gerente de zoonoses do Executivo municipal.

Cerca de 2 milhões de insetos poderão ser soltos a cada sete dias, durante um período entre 16 e 20 semanas. O atraso para que o programa passe a vigorar em Venda Nova aconteceu por conta da pandemia do novo coronavírus, segundo Viana.

Contudo, vale lembrar que a previsão inicial era que a soltura acontecesse antes da chegada do novo coronavírus no Brasil, em fevereiro. De acordo com o gerente de zoonoses, a necessidade de informar a população melhor sobre o tema, para evitar interpretações erradas sobre o método, também interferiu.

“Já existe uma colônia de mosquitos específica para isso. Ainda precisamos fazer uma pesquisa sobre o conhecimento da população sobre o mosquito Aedes aegypti, as doenças transmitidas por ele e se existe algum conhecimento sobre o método Wolbachia”, relata Eduardo Viana.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui