Projeto Vôlei Venda Nova acontece na Escola Municipal Antônia Ferreira, no Bairro São João Batista. Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre.
Projeto Vôlei Venda Nova acontece na Escola Municipal Antônia Ferreira, no Bairro São João Batista. Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre.
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Nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos, o torcedor brasileiro se acostumou a vibrar com as medalhas conquistadas pelo voleibol. Em 2004 e 2016, Bernardinho comandou o time masculino, que faturou o ouro em Atenas e no Rio de Janeiro, respectivamente. Já em 2008 e 2012, José Roberto Guimarães guiou a equipe feminina até a glória em Pequim e Londres. Em Venda Nova, o amor pelo vôlei chegou muito antes dessas conquistas para a técnica Adriana Pires, idealizadora do projeto Vôlei Venda Nova. Há 35 anos, ela está no esporte e há 16 coordena a iniciativa totalmente gratuita na região.

Atualmente, o projeto é realizado na Escola Municipal Antônia Ferreira (Rua João Gualberto de Abreu, Bairro São João Batista), sempre aos sábados, das 8h às 14h. Lá, Adriana treina três equipes: uma sub-17 masculina e duas adultas, dos módulos masculino e feminino. 

Para participar é fácil: basta entrar em contato com o projeto por meio da página de Facebook (clique aqui para acessar), a partir do mecanismo de mensagem (inbox). 

“Eu morei em Venda Nova há 20 anos. Hoje, moro no Betânia. Só que minha família mora em Venda Nova, então eu aproveitei para montar uma escola de vôlei gratuita. Eu quero levar o vôlei para as pessoas que querem jogar, mas não tem condição de pagar”, explica a treinadora. 

Hoje, o projeto recebe todo o tipo de aluno. Isto é, desde aqueles que já conhecem os fundamentos (saque, manchete, bloqueio, recepção)  até quem deseja aprender a modalidade. 

Segundo Adriana, são 18 atletas sub-17 e outros 12 adultos. A equipe de base já está na fase final de preparação e começará a disputar amistosos em breve. Já as equipes adultas ainda estão em fase de preparação. 

Desafios

Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre.
Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre.

Apesar de ter muita motivação para tocar o projeto, Adriana confessa que mantê-lo é um desafio estrutural: faltam quadras aptas a receber os treinamentos e até bolas. Os treinos na escola do São João Batista, por exemplo, são sempre condicionados aos eventos que podem acontecer na quadra. Isso porque a unidade de educação tem prioridade sobre o espaço. 


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Há alguns anos, o Vôlei Venda Nova teve auxílio do Minas Tênis Clube. A agremiação doava as bolas que não tinham mais utilidade para os times profissionais e de base. 

Contudo, exigências administrativas para fazer a doação prejudicou os planos de Adriana. “De dois em dois anos, eu pegava as bolas lá e isso nos ajudou demais. Eu não tenho alguns documentos e estou em busca disso, mas por enquanto não consegui”, afirma. 

Dessa maneira, o projeto sobrevive por meio de parcerias com outras pessoas de Venda Nova. Sempre que Adriana precisa de alguma coisa, como materiais para dar os treinos, ela procura pessoas da região que estão dispostas a ajudar. 

Além disso, os alunos promovem rifas e uma festa de aniversário da iniciativa, comemorado em 24 de agosto, tudo para levantar fundos. 


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Outro apoio que ela lembra com carinho é a comunidade de Venda Nova. “Famílias, amigos e outras pessoas confiam em mim. Sem eles, nada disso seria possível. A história dessa caminhada envolve muitas pessoas. Na palestra que dou aos meninos, sempre falo que não arrisco nomear para não causar injustiça com alguém”, lembra. 

“Tem que existir colaboração para que as engrenagens trabalhem e o funcionamento seja perfeito”, completa.

A união rendeu até a criação de um grupo de canto, que começa os trabalhos em outubro. O objetivo é dar qualidade de vida e mostrar que o projeto Vôlei Venda Nova se estende à cultura e está além das quadras. Uma biblioteca, com aproximadamente 400 livros, também complementa a iniciativa.

Voluntariado

Entre todas as premissas que tocam o Vôlei Venda Nova a mais ressaltada por Adriana Pires é o trabalho voluntário. Em entrevista ao Jornal Norte Livre, ela destaca, em diversas oportunidades, que não tem a intenção de ter uma escola profissional de vôlei, na qual os alunos pagariam para jogar. 

Na verdade, o seu objetivo é dar espaço para quem nem sempre tem condição de arcar com os custos do esporte. 

Adriana Pires e seus alunos: projeto é pioneiro em Venda Nova. Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre

“Eu parto do princípio do voluntariado porque, quando eu descobri (a modalidade), quis entrar em uma escolinha. Eu fui para a escolinha do Cruzeiro, lá no Barro Preto. Só que minha família não tinha dinheiro para custear. Então, eu vendia condimentos na região do Santa Mônica para poder ter dinheiro. Então, se eu tenho o dom de ensinar, eu vou dar oportunidade a quem não tem condição, porque eu não tive”, destaca. 

Contudo, a treinadora de 54 anos também salienta que o projeto em Venda Nova não é uma “peladinha”. Segundo ela, o trabalho é sério e, inclusive, já revelou jovens atletas que já passaram pelo Olympico Club, no Bairro Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. São eles uma menina sub-12 e um jovem sub-17. 

Auge do vôlei mineiro

Com a recente dinastia feita pelo Cruzeiro na Superliga masculina, com seis títulos nas últimas oito temporadas, e com as duas Superligas femininas faturadas pelos times mineiros (Praia em 2018 e Minas em 2019), o voleibol de Minas Gerais vive um momento de ouro. 

De acordo com Adriana Pires, o trabalho desenvolvido pela Federação Mineira de Voleibol e pelos times profissionais motiva os alunos e até ela mesma a praticar a modalidade.

“Eu falo por mim: eu sempre torço pelo voleibol de Minas estar na ponta para ver se tem mais adeptos. O que eu vejo, principalmente no sub-17, é que eles estão começando agora, mas não assistem jogos. Eu gosto de pegar a tabela e falar para eles assistirem, porque aí eles têm ainda mais vontade”, explica. 

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