Banda de rock Tio Capone é uma das atrações culturais em Venda Nova. Foto: Fabricio Lourenço/divulgação.
Banda de rock Tio Capone é uma das atrações culturais em Venda Nova. Foto: Fabricio Lourenço/divulgação.
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Na minha infância para adolescência sempre escutei o nome de um professor de música influente na vida de colegas de escola e do meu bairro, mas nunca tive oportunidade de o conhecer na época. O nome desse professor é Junio Martins, mais conhecido como Tio Capone nos bairros Jardim Leblon e Copacabana.

Anos depois com alguns pontos da minha breve história construída, estou aqui falando de um universo criado pelo Tio Capone. Nele, o artista envolve cultura, ensinamentos sobre músicas e projetos sociais ligados num elo só, mesmo sendo de vertentes diferentes.

A escola de música Uai Music, a banda Tio Capone e a ONG Sô Uai são três projetos criados por ele. São compostos por várias pessoas que acreditam no mesmo ideal, assim como Bruno de Souza, que tem participação em cada aspecto e que também pude conversar para escrever esse texto.

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O primeiro passo dessa história começou com a Uai Music. Sempre com a generosidade do Tio Capone em dar aulas gratuitas para quem não tinha condição.

Ali, foi o start da criação da Sô Uai, que atualmente busca “levar aos jovens maior sociabilidade entre si, prevenindo e instruindo os mesmos sobre os perigos do contato com as drogas e o crime, além de potencializar a descoberta de novas aptidões através da música, esporte e arte”, segundo o site da ONG.

Em 2018, veio a banda TioCapone, ligada ao estilo musical do rock. Ou melhor, rock de preto, como ele resume o trabalho de um grupo musical que tem um humor ácido em cada música com um olhar crítico para os problemas da sociedade, mas sempre levando de uma forma leve por meio do humor.

Para Tio Capone e Brunão, ter sucesso não significa fama, mas ter um impacto com as pessoas que escutam o trabalho criado por eles.

Muitos artistas passam muito tempo correndo atrás de fazer hits e esquecem a própria vivência, que é construída com o tempo. O convívio faz parte dessa caminhada.

É nítida a forma natural de convivência entre eles e como sempre estão na mesma sintonia quando estão em atividade.

Brunão até relata que estava se segurando para não fazer uma piada porque isso é o comum da relação entre os dois. Independente de sucesso e dinheiro, os momentos que eles vão guardar na memória já estão sendo escritos de uma forma leve e gratuita.

Isso reflete na criatividade das suas músicas, seus clipes e seus shows.

Ser preto e ser vocalista de uma banda de rock é sempre difícil de achar, e me orgulha muito que exista uma perto de mim, em Venda Nova.

Um dos planos da banda para 2021 é a produção de um EP no mês da Consciência Negra, que vai debater firmemente sobre questões raciais. Além da parte musical, terá clipes conectados em forma de uma curta-metragem.

Essa ideia surgiu quando Tio Capone foi questionado sobre as dificuldades de ser um vocalista preto de uma banda de rock. Isso o fez pensar e começou a reunir algumas situações vividas por ele e pelos seus alunos.

Ele deixa claro que também aprende muito com seus alunos e assim ele começou a preencher várias folhas com situações racistas cometidas contra ele e com histórias que seus alunos também sofreram.

Mesmo com a delicadeza na produção desse projeto, eles querem entregar algo mais leve para seu público.

Vivemos em uma região repleta de pessoas importantes com histórias que não cabem em um texto. É nosso dever conhecer e apoiar trabalhos que engrandecem os moradores da comunidade onde a gente vive.

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