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“Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

A frase do mundialmente reconhecido educador brasileiro Paulo Freire é levada ao pé da letra em Venda Nova. Uma das regiões mais distantes do Hipercentro de BH, a Regional é marcada por culturas próprias, religiosidade, natureza, artesanato e, principalmente, pelas conquistas na área da educação.

Impulsionado pelas particularidades da Regional, o Jornal Norte Livre traz, nesta reportagem especial, um “raio-x” das escolas públicas de Venda Nova – tanto as municipais quanto as gerenciadas pelo governo do estado.

Para isso, a reportagem cruzou dados de diversos indicadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Indicador de Nível Socioeconômico das Escolas de Educação Básica (Inse) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para traçar o prognóstico da educação em Venda Nova.

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Os dados foram apurados, inicialmente, pelo jornal Folha de S. Paulo e, posteriormente, confirmados e segmentados pelo Jornal Norte Livre.

A partir do levantamento, podemos responder a algumas perguntas sobre a educação na Região: como Venda Nova está em relação ao restante da capital mineira? Qual o desempenho das nossas meninas e meninos em português e matemática? Como o nível socioeconômico dos estudantes influencia no desempenho deles, na evasão escolar e na quantidade de pessoas fora da faixa-etária ideal? Nossos professores estão capacitados?

Os dados aqui apresentados dizem respeito somente aos ensinos Fundamental e Médio, portanto não consideram a Educação Superior nem a Infantil.

A partir dos índices apurados, é possível perceber que Venda Nova, em geral, não está em defasagem em relação à capital mineira no Ensino Fundamental.

No Médio, os números são equilibrados. Contudo, há um grande desequilíbrio dentro da própria Regional, que apresenta médias bastante divergentes entre seus diferentes bairros.

Venda Nova tem, em média, mais estudantes matriculados que em BH como um todo – tanto no Fundamental quanto no Médio.

Na educação voltada a estudantes entre 6 e 14 anos, a Regional tem menos jovens fora da faixa-etária ideal, isto é, a proporção de alunos com mais de dois anos de distorção escolar. Em Venda Nova, 10,3% dos meninos e meninas estão nessa condição, enquanto em BH o dado é de 12,1%.

No Médio, no entanto, a situação se inverte. Na capital mineira, 33,1% estão com distorção entre idade e série, enquanto em Venda Nova estão 33,5%. Contudo, vale ressaltar que o cenário da capital mineira, neste quesito, está aquém outras duas capitais do Sudeste (São Paulo e Vitória), ou seja, à frente somente do Rio de Janeiro entre as capitais dessa região do Brasil.

Quanto ao abandono escolar, Venda Nova tem taxa menor que Belo Horizonte tanto no Fundamental (0,6% a 0,8%) quanto no Médio (7,9% a 8,6%, a maior da Região Sudeste).

Números favoráveis também aparecem no que diz respeito à formação Superior dos professores de Ensino Fundamental: 97,7% na Regional contra 81,1% em BH. O quadro se inverte, contudo, no Médio: 94,1% contra 95,9%.

Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre

Além disso, os estudantes de Venda Nova têm maiores desempenhos em português e matemática que a média de Belo Horizonte. Isso vale tanto para o Fundamental 1 (até o 5º Ano), quanto para o Fundamental 2 (até o 9º Ano). 

Esses desempenhos foram medidos por meio de provas aplicadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Os estudantes do Fundamental 1 de Venda Nova fizeram uma média de 228,9 pontos em português e 235,4 em matemática, enquanto Belo Horizonte como um todo obteve médias de 226,5 e 233,8, respectivamente. 

Os alunos de Venda Nova também estão à frente das médias da capital no Fundamental 2. Em português, 263,8 contra 259,2. Já em matemática, 263,7 a 260,6.

Distorções

Venda Nova é dividida em quatro territórios de gestão compartilhada (TGC’s). Essa divisão serve justamente para que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) mapeie estatísticas mais confiáveis dentro das nove regionais de BH, uma vez que há diferentes demandas em cada um dos territórios e realidades também divergentes. 

Na educação de Venda Nova, a situação não é diferente. De acordo com os números levantados, é possível perceber que o desempenho dos estudantes em português e matemática, a evasão escolar e a proporção de alunos com distorção entre idade e série está diretamente ligada ao quadro socioeconômico das escolas (veja gráficos).

Educação - Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
Educação – Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre

Para chegar a essa conclusão, cruzamos os dados do Indicador de Nível Socioeconômico das Escolas de Educação Básica (Inse) com os desempenhos dos estudantes dentro de sala de aula, bem como a evasão escolar e os com distorção entre idade e série. 

O Inse considera aspectos como a renda familiar, a posse de bens e a contratação de serviços de empregados domésticos pela família dos estudantes, além do nível de escolaridade de seus pais ou responsáveis. 

A partir disso, o índice classifica as escolas das categorias 1 a 6, na qual o primeiro grupo diz respeito às instituições mais vulneráveis socialmente e o sexto contingente reúne as com melhores condições socioeconômicas. 

Em Venda Nova, temos escolas classificadas nos grupos 3, 4 e 5. Entre as mais vulneráveis, está a Escola Estadual Afrânio de Melo Franco, no Bairro Santa Mônica. As dificuldades enfrentadas pelas crianças que lá estudam são refletidas no desempenho delas em português e matemática no Fundamental 1: 200,97 e 212,31, respectivamente, abaixo das médias de BH e de Venda Nova e os menores números da Regional. 

Ainda no Ensino Fundamental, a escola com mais alunos com distorção entre idade e série é a Estadual Síria Marques da Silva, no Jardim Leblon, outra representante do grupo 3 do Inse. Quase 25% dos meninos e meninas estão fora da faixa-etária escolar ideal. 

Essa escola também lidera, com folga, o índice de evasão escolar em Venda Nova: 6,8% dos estudantes de Ensino Fundamental saem da instituição fora da hora correta. Para se comparar, a segunda escola com a maior taxa é a Municipal Professor Pedro Guerra, no Mantiqueira, que tem 2,4% de evasão, quase três vezes menos que a Síria Marques da Silva.  

No Ensino Médio, a maior porcentagem de alunos com distorção entre idade e série também é de uma escola do grupo 3, o mais vulnerável socialmente de Venda Nova: novamente, a Estadual Afrânio de Melo Franco, com 60,4% dos estudantes já reprovados ao menos um vez.

Os menores desempenhos em português e matemática no Ensino Médio também são de uma escola vulnerável socialmente: a Estadual Antenor Pessoa, no Bairro Jardim dos Comerciários. 

Para efeito de comparação, o quadro se inverte quando levantamos os dados mais altos de Venda Nova. As maiores notas de português e matemática da Regional no Ensino Médio são do Colégio Tiradentes, administrado pela Polícia Militar de Minas Gerais. Como a maioria dos alunos são filhos de militares, a escola pertence ao grupo 5 do Inse, ou seja, os estudantes têm acesso a uma qualidade de vida melhor na comparação ao restante da população. 

No Fundamental 2, os maiores desempenhos em português e matemática também são de uma escola do grupo 5: a Municipal Padre Marzano Matias, localizada no Bairro Rio Branco. A instituição ficou, até mesmo, em primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado em 2018.

Veja abaixo uma infografia detalhada sobre a educação pública em Venda Nova.
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