Sede do projeto Humana.mente, no Bairro Céu Azul, em Venda Nova. Foto: divulgação.
Sede do projeto Humana.mente, no Bairro Céu Azul, em Venda Nova. Foto: divulgação.
Publicidade

Um projeto pioneiro em Venda Nova para ajudar a população em vulnerabilidade social. Desde 20 de abril do ano passado, a psicóloga Ana Maria Oliveira, de 38 anos, oferece psicoterapia gratuita a moradores da comunidade Mãe dos Pobres, entre os bairros Jardim Leblon e Céu Azul, por meio do Humana.mente.

O projeto hoje tem sede na Rua Sarah Carvalho Machado, 180, no Bairro Céu Azul, e conta com os trabalhos de 10 psicólogos e duas psicopedagogas. “Iniciamos o trabalho na Mãe dos Pobres, mas em menos de um ano já expandimos bastante. Também vamos à (ocupação) Dandara, Vila do Índio, Vila Apolônia, Cafezal e Morro Papagaio”, explica Ana Maria de Oliveira.

A ideia surgiu logo depois que ela se formou em psicologia pela Faculdade Pitágoras. Ainda no início da pandemia, Ana presenciou uma família passando fome na Mae dos Pobres. Porém, a realidade seria ampliada com o decorrer dos meses de isolamento social.

CONTINUA APÓS ESTA PUBLICIDADE

“Uma mãe me enviou um cartão pedindo um pão dormido para dar às crianças. Foi quando eu tive a ideia de conseguir alimento para essa família. Depois, comecei a pensar as questões da psicologia que circundam aquela situação. Pensei: quantas dessas existem dentro da comunidade?”, relembra a fundadora do Humana.mente.

Projeto Humana.mente promove roda de conversa com moradores de vilas e favelas de BH. Foto: divulgação.

A partir daí, o projeto se tornou parceiro da comunidade. Nas palavras de Ana Maria, a iniciativa tem como principal compromisso afastar o estereótipo de que a psicoterapia é algo das elites econômicas.

“Eu nasci e cresci na favela, me tornei uma mãe solteira e fui para a faculdade. Quando me formei, eu vi essa necessidade de assistir minha comunidade. Percebi uma sobrecarga das emoções durante a pandemia. Portanto, eu vi como a população da periferia não se percebe, inclusive, no direito de receber o atendimento psicológico”, afirma.

Nesse sentido, Ana Maria percebeu que a iniciativa deveria ter um diálogo diferente. Em vez de apenas passar pela comunidade, como faz a maioria dos projetos de filantropia, o Humana.mente teria que estar dentro da favela.

“Queremos estar dentro da realidade. Sem que o periférico tenha que sair da favela para participar. Hoje, promovemos rodas de conversa com mulheres, adolescentes e até crianças. Temos grupos terapêuticos e palestras também”, diz.

Quem necessita de atendimento psicoterapeuta pode entrar em contato com o projeto Humana.mente pelos telefones (31) 3226-7490 e/ou (31) 98595-6044.

Contemplado pelo projeto

Juan Vinícius tem 27 anos e viu no projeto Humana.mente uma maneira de se manter saudável psicologicamente durante a pandemia da COVID-19.

“Eu estava sem esperança com todas essas situações. Quando o projeto apareceu, foi muito bom. Hoje, eu faço parte e tenho orgulho de falar isso. É uma oportunidade de alcançar muitos lugares. Isso muda a vida”, afirma.

E ele ressalta a importância da iniciativa chegar até a periferia. “No Brasil, você ser periférico e querer estudar é muito difícil. As portas não se abrem. Quando você encontra um lugar que lhe dá assistência e não lhe fecha a porta é muito legal”, completa Juan.

Serviço

  • Projeto Humana.mente
  • Local: Rua Sarah Carvalho Machado, 180 – Bairro Céu Azul
  • Trabalhos oferecidos: atendimento psicológico, grupo terapêutico e palestras
  • Comunidades atendidas: vilas Mãe dos Pobres, do Índio, Cafezal, Apolônia, Morro do Papagaio e Ocupação Dandara
  • Contatos: (31) 3226-7490 e/ou (31) 98595-6044
Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui