Vila do Índio - 2019 - Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
Vila do Índio - 2019 - Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
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Um problema que se arrasta há anos na Bacia do Córrego Várzea da Palma, local mais conhecido como Vila do Índio, volta a aparecer no relato feito por moradores nesta primeira semana de 2021. Casas, pontes, vielas e acessos já deteriorados comprometem novamente a saúde e bem-estar dos ribeirinhos.

As rachaduras das casas aumentam gradativamente e algumas já possibilitam que seja visto o interior das residências. As pontes sobre o Córrego Várzea da Palma, o qual recebe sem barreiras o esgoto das residências, perderam os corrimãos na virada de ano de 2019 e até o momento não houve nenhuma reposição por parte do poder público.

Por isso, a reportagem procurou os sete vereadores eleitos, entre os mais votados em Venda Nova, para verificar se há alguma medida/articulação para resolver os problemas dos moradores.

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São eles: Duda Slabert (PDT), Nikolas Ferreira (PRTB), Jorge Santos (Republicanos), Nely Aquino (Pode), Cláudio do Mundo Novo (PSD), Rogério Alkimim (PMN) e Bim da Ambulância (PSD).

Porém, apenas a atual presidência da Câmara de BH e Cláudio do Mundo Novo se interessaram pelo problema e responderam ao Jornal Norte Livre. Em nota, Nely Aquino informou que acompanha a questão “desde o início do seu mandato”.

“Já realizamos várias reuniões com representantes da comunidade e da PBH para tratarmos sobre o projeto de execução da obra”, esclareceu a vereadora.

Avenida Várzea da Palma se desintegra na Vila do Índio. Foto: reprodução/WhatsApp.

“O local apresenta várias demandas e enquanto a obra principal não se inicia busco junto ao executivo soluções paliativas em alguns casos de urgência para garantir segurança dos moradores”, completou.

Ainda segundo Nely, sua equipe encaminhou à prefeitura vídeos de moradores do aglomerado para cobrar a reconstrução de uma ponte para permitir a travessia dos moradores.

Já Cláudio do Mundo Novo informou que se reuniu com o coordenador da Regional Venda Nova, Humberto Pereira de Abreu Júnior, para discutir a questão nessa terça (12/1).

Segundo a assessoria do vereador, Humberto disse que já há projeto para intervenção na Vila do Índio, mas há falta de dinheiro.

O vereador recém-eleito também esclareceu que procurou a prefeitura para cobrar orçamentos e prazos para as obras, masnão foi recebido ainda pelo Executivo municipal.

As assessorias de Bim da Ambulância e Rogério Alckmin prometeram responder à reportagem, mas isso não aconteceu até essa publicação. A equipe desse último vereador prometeu uma ligação do próprio político, mas isso nunca ocorreu.

Os gabinetes de Nikolas Ferreira e Duda Salabert, os dois vereadores mais bem votados em Belo Horizonte, sequer deram qualquer sinal de resposta ao Norte Livre. O mesmo aconteceu com Jorge Santos.

Últimas eleições

Ao todo, existem duas zonas eleitorais em Venda Nova (38ª e 0334ª), as quais possuem 509 seções dentro da Regional. Há, aproximadamente, 220 mil pessoas aptas a votarem e 2.561 possuem algum tipo de necessidade especial.

Nas eleições de 2020, 179.839 pessoas compareceram às urnas das duas zonas eleitorais. Dessas, 23.170 (12,88%) anularam ou votaram em branco para prefeito.

Veja abaixo os 10 candidatos a vereador mais votados nas zonas eleitorais da Regional Venda Nova:

  1. Nely Aquino (Pode) – 4.004 votos e reeleita
  2. Roberto da Farmácia (Avante) – 3.967 votos e não eleito  (suplente)
  3. Duda Salabert (PDT) – 3.686 votos e eleita
  4. Rogério Alkimim (PMN) – 3.347 votos e eleito
  5. Nikolas Ferreira (PRTB) – 2.925 votos e eleito
  6. Bim da Ambulância (PSD) – 2.555 votos e reeleito
  7. Breno Nolasco da ONG Oportunidade (Avante) – 2.360 votos e não eleito (suplente)
  8. Cláudio do Mundo Novo (PMN) – 2.346 votos e eleito
  9. Jorge Santos (Republicanos) – 2.275 votos e reeleito
  10. Weslley do Moreira Gesso (Pros) – 2.190 votos e não eleito (suplente).

Qual o papel de um vereador?

Conforme a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), vereadores eleitos são obrigados a representar a sociedade, fiscalizar a prefeitura e fazer e modificar leis. 

Além disso, devem fiscalizar as ações do prefeito (atualmente, Alexandre Kalil, PSD), “cobrando a implantação e a execução de políticas públicas capazes de garantir o atendimento dos direitos básicos do cidadão e de outras demandas sociais”.

Histórico

Em 2019, o Jornal Norte Livre esteve presente em várias visitas ao local, as quais se estenderam por dois meses, e noticiou em 30 de julho do mesmo ano a história de luta dos moradores para manter o mínimo para uma vida confortável. 

O conteúdo especial chamado “Vila do Índio: entre contrastes, enchentes e a demora da PBH” denunciou a quantidade de obras feitas pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ao longo dos anos e que prestigiaram os arredores do aglomerado, deixando um vão de atuação ao centro, como é possível ver pela infografia abaixo.

No conteúdo, foi citado o Plano Global Específico (PGE), que é o estudo feito para indicar as intervenções necessárias nas regionais e, segundo a PBH, esse projeto foi concluído para a Vila do Índio em 2006.

O aglomerado, por suas características, também se encaixa no programa Vila Viva, que tem ações nos eixos urbanísticos (saneamento), social e jurídico, e no Programa Estrutural em Áreas de Risco (Pear).

Como muitos residentes da Vila não conhecem a fundo os programas, confiam no Orçamento Participativo para resolver definitivamente os problemas. O único OP gerado pela PBH para essa finalidade está em andamento desde 2013 e trata, apenas, da elaboração do projeto para tratamento de fundo de vale do córrego que corta o aglomerado.

Ainda naquele ano, o jornal noticiou que a prefeitura planejava repassar R$ 80 milhões para obras em Venda Nova. Desse dinheiro, R$ 1,1 milhão iria para loteamentos na Vila do Índio, com previsão para conclusão no primeiro semestre do ano passado. 

Contudo, conforme a resposta da prefeitura acima, as obras continuam em fase de captação de recursos. 

De acordo com registros da PBH, a via que passa no centro do aglomerado, nas laterais do córrego não canalizado, é chamada Rua Chile. 

Existe outro logradouro com o mesmo nome em Belo Horizonte, mas está situado na Regional Centro-sul, no Bairro Sion — um dos locais com o maior poder aquisitivo da capital.

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