vira-lata alvejado | Crédito: frame de vídeo feito pelas testemunhas
Vira-lata alvejado | Crédito: frame de vídeo feito pelas testemunhas
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Na quinta-feira (24), por volta das 11h, um policial militar à paisana, de 42 anos, enquanto passeava com uma cadela da raça American Bully, efetuou dois disparos e matou um cachorro sem raça definida (SRD – “vira-lata”) na Avenida Elias Antônio Issa, altura do número 885, no Bairro Letícia, em Venda Nova.

Conforme testemunhas e boletim de ocorrência, o dono do cão abatido, um senhor de 55 anos, havia amarrado o animal em frente ao supermercado enquanto fazia compras. Porém, o “vira-lata de médio porte” se soltou da coleira peitoral e estava correndo na rua.

Crianças avisaram que o cão estava solto na via. O dono do animal então se dispôs a correr com a coleira para tentar capturar o “vira-lata”.

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Ele encontrou o animal perto de outro cachorro preso por coleira e focinheira. Os dois estavam se estranhando, rosnando e latindo. Então o dono do animal atado sacou uma arma de fogo e disparou contra o cão solto.

Conforme relato do dono do animal abatido, o cão era dócil, sempre fez o mesmo trajeto com ele e não oferecia perigo às pessoas ou outros cães. Ele disse no boletim de ocorrência registrado que o “vira-lata” recebeu o primeiro disparo e caiu, mas, mesmo assim, o policial efetuou o segundo tiro e matou o cachorro.

No relato do dono do cão abatido, acontece o seguinte diálogo:

  • “Cara, você é um louco?! Matou o meu cachorro”
  • “Você é irresponsável, deixou seu cachorro solto. Tem sorte de não te dar um tiro na cara. Liga para o 190, que meu telefone não está funcionando”.

O dono do cão abatido ainda disse que o autor dos disparos em nenhum momento se identificou como policial.

Segundo o relato do policial à paisana, ele estava voltando do pet shop com sua cadela filhote da raça American Bully e se deparou, de forma abrupta, com outro cachorro vindo em sua direção.

Ele parou de imediato e percebeu que o outro cachorro, que tinha “porte grande”, estava solto na rua e tentou atacar. A cadela, pelo instinto animal, se projetou à frente para proteger o dono.

Ele tentou se desvencilhar e afastar o animal, mas não teve êxito. Sem outro recurso, sacou a arma de fogo para defender-se. Deu o primeiro disparo, mas o cão solto continuou a atacar, o que o levou a efetuar o segundo tiro. Em seguida, tentou ligar para o 190 e não conseguiu. Disse também: “sou policial, vamos chamar uma viatura. Calma!”.

Transeuntes, indignados com a situação, se exaltaram e começaram a filmar.

Conforme Bruno Alves, 36 anos, morador da via e uma das testemunhas, ele estava em casa quando, por volta das 10h50, ouviu o primeiro estampido e o choro de um cachorro. Imaginou que seria algum motociclista que havia atropelado algum animal. Então ouviu o segundo disparo e saiu à rua.

Quando chegou do lado de fora da casa, viu o animal morto, pessoas se avolumando em volta dos envolvidos e o dono do cão abatido chorando.

De acordo com Bruno, o policial estava exaltado e o dono do cão questionava a motivação dele ter matado o animal. Houve ameaças por parte do policial e entre quatro e cinco viaturas apareceram. Os policiais que atenderam ao chamado disseram que se as filmagens “viralizassem” todos teriam de responder na justiça, além de dizerem para o dono do cão abatido calar-se, pois já estava falando demais.

Segundo Bruno, o policial mentiu, pois o cachorro morto não era de grande porte e nem agressivo ao ponto de precisar ser alvejado. Além disso, o segundo disparo aconteceu com o animal deitado, pois a bala atravessou o corpo do cão e fez um pequeno buraco no chão.

A testemunha chamou atenção para o fato de que os policiais que atenderam ao chamado não conduziram os envolvidos para a base, mas apenas colocaram o autor dos disparos no banco da frente e saíram com ele do local. Além disso, questionou: “quem, de folga e caminhando pela rua, leva uma arma de fogo?”

Outra informação passada por Bruno é que conhecia o “vira-lata”, que, inclusive, tinha o hábito de brincar com os Pit Bulls dele. Disse, também, que o policial em determinado momento falou: “meu cachorro tem pedigree”.

A raça American Bully é semelhante a um Pit Bull, porém de menor porte. A arma usada para o disparo era uma pistola Taurus .40.

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), editor no jornal Norte Livre, parceiro hiperlocal do Portal Uai/Diários Associados, editor digital no jornal Diário do Comércio, professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D."Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo

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