Segundo andar da UPA Venda Nova abrigará centro contra doenças respiratórias. Foto: Gabriel Ronan/Norte Livre.
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No dia 27 de julho, Venda Nova aparecia nas estatísticas belo-horizontinas da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) como a segunda Regional com a maior taxa de letalidade entre pacientes internados com sintomas graves. A cada 100 casos de internação com quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) confirmada para o SARS-CoV-2, 22 pessoas morriam.

A região não é a que possui o maior número de casos detectados da doença (é a quinta em ordem decrescente), porém é um dos locais com maior índice de mortos, totalizando 71 até esta segunda-feira (03), segundo boletim epidemiológico da Prefeitura de Belo Horizonte.

Dado do boletim epidemiológico do dia 03 de agosto – Fonte: PBH

Em paralelo com a data, o jornal Norte Livre recebeu e rastreou algumas denúncias sobre o atendimento prestado pelos equipamentos de saúde da Regional, sendo eles a Unidade de Pronto-Atendimento Venda Nova e o Centro de Saúde Lagoa, localizado no Bairro Lagoa.

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Um dos denunciantes, que preferiu manter-se em sigilo, dizia que um familiar diagnosticado com Covid-19 foi até o posto de saúde do Bairro Lagoa com os exames em mãos, mas não foi registrado e nem sequer teve o contato telefônico solicitado, o que, segundo Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), faz parte do protocolo a ser seguido pelos atendentes do equipamento. Conforme o relato, a pessoa testada com novo coronavírus foi orientada apenas a voltar para casa e se manter em quarentena.

A outra denúncia coube à UPA Venda Nova e foi feita por Sheilla Cunha, 33 anos:

Na minha opinião é descaso no atendimento. Já precisei da upa de venda nova . E simplesmente disseram que eu não era grave e iria esperar por muito tempo. Disseram para eu ir embora pq corria risco de pegar covid . Foi uns 20 dias após o carnaval .Tive falta de ar e dores no corpo e voltei nessa upa e eles novamente disseram q eu não era grave. Aí me mediquei por conta própria pq não estava mais aguentando.Sei que é errado mas foi a única coisa que eu podia fazer .Investiguem, acredito que seja descaso com a população. Não tem outra explicação(sic)”.

Questionada sobre a capacidade de microgerenciar os atendimentos nos equipamentos da Regional Venda Nova e se existem parâmetros que atestam a qualidade do serviço, a PBH, por meio da SMSA, respondeu:

“Com relação à paciente citada, ela esteve na UPA Venda Nova no dia 17/03 e foi classificada como verde (baixa prioridade). Ela apresentava sintomas leves e boa saturação. Ao ser chamada, ela já não se encontrava no local. A recomendação aos pacientes com sintomas leves, é que procurem um centro de saúde e permaneçam em isolamento.

As UPAs funcionam com um processo de Acolhimento com Classificação de Risco, de acordo com o Protocolo de Manchester, que prioriza o atendimento dos pacientes mais graves. A classificação de risco é feita pelas cores vermelha (emergência), que tem atendimento imediato; laranja (muito urgente), amarelo (urgente), verde e azul (pouco ou não urgentes).

Para responder sobre os demais questionamentos é necessário a informação dos nomes dos pacientes.”

Contudo, segundo Sheilla, os próprios atendentes da UPA Venda Nova a induziram ir embora, dizendo que demoraria muito para ser atendida e que ali estava “cheio de Covid”. Ainda, conforme a denunciante, a atendente desejou “boa sorte” na espera.

Resposta de Sheilla Cunha.

A PBH informa que denúncias podem ser feitas pelos usuários via canais oficiais, “como o Portal da PBH e por meio da Ouvidoria (https://prefeitura.pbh.gov.br/ouvidoria/fale-com-a-ouvidoria). O telefone 156 também pode ser utilizado, de segunda a sexta-feira, das 7h às 21h. E nos finais de semana e feriados, das 7h às 20h”.

Editorial – O Jornal Norte Livre apoia e acredita no Sistema Único de Saúde e busca, por meio da divulgação de denúncias, alertar os responsáveis sobre a necessidade pontual de melhoria na qualidade dos serviços prestados.


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Nota da PBH sobre o treinamento dos trabalhadores da saúde

“COVID-19
No início da pandemia, os trabalhadores da saúde foram capacitados para assistência em casos de Covid-19, de forma a garantir o atendimento seguro e encaminhamento adequado de acordo com o quadro do paciente.
Na rede SUS-BH os testes RT-PCR são realizados em:
• Pacientes com sintomas de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atendidos em UPAS ou hospitais;
• Todos os profissionais que atuam em unidades da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte: sintomáticos até o sétimo dia de sintomas, assintomáticos com pessoa no domicílio com PCR detectável e a unidades com surto e teste rápido positivo;
• Profissionais de saúde que atuam na assistência direta ao paciente em Belo Horizonte (não vinculados à Secretaria Municipal de Saúde);
• Idosos em instituição de longa permanência (ILPI) acompanhadas pela PBH;
• Cuidadores atuando em ILPIs acompanhadas pela PBH;
• População privada de liberdade;
• População em situação de rua;
• Pacientes renais crônicos dialíticos sintomáticos, inseridos em clínicas conveniadas SUS;
• Trabalhadores avaliados no inquérito covid-19 (INCOVID19);
• Guarda Civil Municipal (GCM): Guardas Municipais, sintomáticos, avaliados pelo núcleo de Saúde do Trabalhador da GCM encaminhados com impresso próprio.”

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D."Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo

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