Cinco mulheres vão ocupar cargos de conselheiras tutelares em Venda Nova. Foto: Gabriel Ronan/Jornal Norte Livre.
Cinco mulheres vão ocupar cargos de conselheiras tutelares em Venda Nova. Foto: Gabriel Ronan/Jornal Norte Livre.
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A Prefeitura de Belo Horizonte julgou com improcedentes todos os 14 recursos protocolados contra a eleição do Conselho Tutelar da cidade. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município após deliberação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Belo Horizonte (CMDCA/BH).

A eleição ficou cerca de denúncias de corrupção, que envolviam desde transporte de eleitores por vans até os colégios eleitorais, boca de urna e até compra de votos.

Contudo, para a prefeitura, tudo correu dentro da normalidade. Dos 14 recursos protocolados, três eram de candidatos de Venda Nova.

Solange de Fátima Silva Mendonça, Patrick Sailon Souza Aguiar e Isaura Madalena Gonçalves, todos candidatos da região, denunciaram falhas no processo eleitoral.

Portanto, Venda Nova terá, oficialmente, cinco mulheres como conselheiras tutelares. Assumem o cargo Marina de Freitas Rodrigues Andrade, Geralda Regina Ribeiro de Souza, Berenice Ferreira de Lima (reeleição), Angela de Oliveira Gonçalves de Melo e Miriam Rosa Marcelino Gonçalves (reeleição).


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Além de Venda Nova, outras seis regiões da cidade tiveram ao menos um recurso impetrado junto ao CMDCA/BH. Mas, todos foram descartados. Apenas as regionais da Pampulha e Nordeste não registraram denúncias.

O processo teve como objetivo eleger 45 novos conselheiros, cinco para cada uma das nove regionais de BH. Além da vontade de garantir os direitos das crianças e dos adolescentes, o salário de R$ 3.775,13 e a propagação política levaram 233 pessoas a se candidatarem ao cargo.

Denúncias geram recursos

Neste ano, segundo a Prefeitura de BH, 46.619 votos foram registrados, quase o dobro do pleito anterior. Mas, quem participou reclama de diversas situações, que vão desde a falta de informação até suspeitas de corrupção.

Entre as reclamações de fontes ouvidas pelo Jornal Norte Livre está a formação de chapas para a eleição. A combinação entre candidatos, contudo, é proibida pelo edital do Conselho Tutelar.

Outra crítica se concentra no transporte dos eleitores. Fontes denunciam que candidatos deslocaram vans para buscar eleitores e levá-los até os locais de votação. Contudo, a prática também é vedada pelo edital e está entre as fraudes listadas pela prefeitura.


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Além disso, compra de votos e boca de urna estão entre as queixas. Eleitores relatam, inclusive, que outras pessoas tentaram convencê-los a mudar de voto instantes antes de contribuírem democraticamente.

“Estou arrependida de ir votar. Tinha gente praticamente comprando voto na fila e fazendo boca de urna. Um homem chegou e me disse para votar em ‘fulano de tal’. A prefeitura está fazendo tudo ‘tocado’. O erro começa é nisso. Estou muito indignada com a eleição deste ano”, reclamou outra eleitora que também preferiu manter o sigilo.

Desorganização

As críticas também se voltam à falta de organização dos locais de votação. Segundo relatado por leitores do Norte Livre, que são moradores de Venda Nova, houve orientações divergentes por parte das pessoas que deveriam coordenar a votação, portanto, dúvidas não faltaram.

“Muito mal organizado e acho que podemos aprimorar. As pessoas insistem em ficar num mundo arcaico. O sistema de votação deveria ser melhorado. Tínhamos que passar por três triagens, mas só duas pessoas coletavam a votação. A gente sabe que isso pode melhorar”, disse um morador do Bairro Jardim dos Comerciários, que não quis se identificar.

Confusões com os endereços também foram comuns. Como a eleição é dividida entre as regionais, cada eleitor precisava atestar que morava no mesmo território do local onde desejava votar. Tudo por meio do comprovante de endereço.

Contudo, relatos de fontes garantem que alguns logradouros não eram identificados pelo sistema. Justamente por se tratar de bairros que estão entre um território administrativo e outro. Portanto, essas pessoas não conseguiam participar.

Outra eleitora se queixou das condições estruturais. “Quando chegou minha vez de votar, fiquei duas horas na fila. Uma amiga, que estava do meu lado e até bengala usa, também ficou esse tempo todo. A sala de votação não tinha ar-condicionado e o computador era tão ruim que não conseguíamos ter certeza se estávamos votando no candidato certo”, denuncia.

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