Obras já estão em andamento na confluência dos córregos do Nado e Vilarinho. Foto: Gabriel Ronan/Jornal Norte Livre.
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A Prefeitura de Belo Horizonte anunciou na tarde desta terça-feira (8) um convênio de R$ 200 milhões com a Caixa Econômica Federal para a realização das obras para resolver os problemas de enchentes em Venda Nova. O dinheiro será destinado, principalmente, à construção dos dois piscinões – um na Avenida Vilarinho e outro na Rua Doutor Álvaro Camargos, a antiga 12 de Outubro.

No anúncio, a prefeitura garantiu que esse contrato garante a realização das obras independente de quem será o prefeito eleito nas próximas eleições, marcadas para novembro. O Executivo municipal chamou o convênio de “maior contrato do Brasil entre municípios e a Caixa”.

Esse aporte será destinado à implementação de um segundo reservatório na Avenida Vilarinho, conhecido como Vilarinho 2. Vale lembrar que o primeiro piscinão já está em construção (foto) e está situado no encontro da Rua Maçon Ribeiro com a avenida, em frente ao Habib’s.

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Portanto, a Regional terá três bacias de retenção ao final das obras: duas na Vilarinho e uma na antiga 12 de outubro, no Córrego do Nado.

“Eu queria deixar muito claro: um dia isso teria que começar. Qual prefeito que vai inaugurar não interessa. Terá que inaugurar porque o dinheiro está carimbado. As obras começam no ano que vem independente do prefeito que estiver sentado na cadeira”, disse o prefeito Alexandre Kalil (PSD).

O financiamento, segundo o Executivo municipal, deverá ser pago em 11 anos, sendo um ano de carência e 10 anos de amortização. O custo efetivo total da operação é de 122,69% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) ao ano.

“É o maior contrato do Brasil, que vai reter 50% das águas que inundam o Vilarinho. Em 2018 (quando pessoas morreram em uma enchente ocorrida em novembro), eu estive lá e disse que isso não poderia continuar. E não vai continuar”, completou.


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De acordo com o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Josué Valadão, Venda Nova tem hoje uma capacidade de drenagem de 240 milhões de litros. Com a construção das três caixas de retenção de águas, a ideia da prefeitura é adicionar 230 milhões de litros nessa capacidade, o que dobraria a drenagem da Região.

As duas caixas de captação inclusas no empréstimo da Caixa terão capacidade de retenção de 115 mil metros cúbidos de água. A ideia é que os piscinões sejam capazes de abrigar o volume de chuva excedente do escoamento superficial, causado pela drenagem insuficiente da Vilarinho.

Entrevista coletiva reuniu representantes da Caixa, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e da PBH. Foto gentilmente cedida pela repórter Déborah Lima, do Estado de Minas.

“Se nós licitarmos essa obra em dezembro, se o contrato for assinado em janeiro ou fevereiro (de 2021), vai ter um período de 36 meses para concluir isso. Nós temos, para a Região de Venda Nova, um planejamento em três etapas, que totaliza 12 fases”, explicou o secretário Josué Valadão.

De acordo com Valadão, a primeira etapa tem seis fases, sendo que duas já estão em andamento. A segunda etapa compreende mais quatro fases, enquanto a terceira outras duas. Ele afirma que a obra no total custaria cerca de R$ 500 milhões, sendo que a prefeitura já tem R$ 374 milhões – já contando o recurso da Caixa.

Pandemia

Mesmo durante a pandemia da COVID-19, o Executivo municipal tem mantido as obras para contenção de enchentes em Venda Nova no reservatório Vilarinho 1. O efetivo de operários continua o mesmo, ainda que as autoridades de saúde recomendem que a população permaneça em casa.

Quando o projeto da Vilarinho foi apresentado, a obra tinha previsão de início ainda no ano passado, mas a prefeitura adiou a operação das máquinas para o primeiro semestre, após as chuvas. Essa segunda promessa, no entanto, foi cumprida.

O Vilarinho 1 tem previsão de término para o final de 2021. Estão sendo investidos aproximadamente R$ 10,5 milhões neste empreendimento. A estrutura tem área aproximada de 2.500 m² e volume da ordem de 10 mil m³ (10 milhões de litros).

Córrego do Nado

Durante a coletiva desta terça, o secretário Josué Valadão ressaltou que as obras do Córrego do Nado, que estão em andamento desde 2018, já darão retorno neste próximo período chuvoso, que se inicia já em outubro.

Segundo Valadão, as obras estão avançadas e já vão resultar em melhoria na drenagem dos bairros Santa Mônica e São João Batista, em Venda Nova.

A obra tem o objetivo de atuar nos córregos Marimbondo (Bairro Santa Mônica) e Lareira (Bairro São João Batista), que são contribuidores da bacia do Córrego do Nado.

As intervenções têm recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (Pac2), estão orçadas em aproximadamente R$ 39 milhões e a  empresa vencedora da licitação, aberta em 2019, foi a Engibras Engenharia. O prazo máximo para conclusão do projeto é 540 dias a partir das primeiras intervenções.

Histórico

No dia 28 de abril de 2019, por meio da Coordenadoria de Atendimento da Regional Venda Nova (Care-VN) e técnicos da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), foi apresentado o projeto de execução em reunião com a comunidade. Na ocasião, desavenças sobre a desapropriação de terrenos e casas causaram a alteração dos ânimos.

Aparentemente, os conflitos não terminaram ali. No dia 19 de fevereiro de 2020, novas discussões eleveram o tom quando a empresa Engibrás descarregou manilhas na Rua Ministro de Oliveira Salazar e parou o trânsito. O evento gerou ameaças e intervenções de comerciantes nos maquinários presentes.

Na mesma semana, houve reunião organizada entre a engenheira fiscal da Sudecap, com a comunidade, comerciantes e Geraldo V. Figueiredo, responsável pela Engibras. Os moradores e lojistas, ao saberem que a via seria interditada por vários dias para procedimento com as manilhas, ficaram exaltados e tentaram um acordo para que os trabalhadores da obra pudessem aproveitar o feriado de carnaval para adiantar o serviço.

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