Imagem: Twitter Thiago Scap
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A diarista Clerinda Fonseca, de 41 anos, ”entrou na agulha” na última segunda-feira (16) e eternizou nas costas uma de suas maiores paixões: o Clube Atlético Mineiro. Na semana passada, ela viralizou na internet com um tatuagem improvisada do escudo do alvinegro acompanhado dos dizeres “Galo”.

A foto tirada dentro de um ônibus circulou pelas redes sociais até chegar ao tatuador Thiago Scap, que viu o desenho e teve uma ideia: dar a Clerinda uma tatuagem do Galo de maneira gratuita, só que dessa vez um trabalho profissional.

Ele sugeriu a moradora do Bairro São João Batista uma série de desenhos. O que ela escolheu traz o escudo do Atlético, o Galo Volpi (imagem criada pelo artista Ivã Volpi na década de 1980 e que virou marca do clube) e, assim como a tatuagem antiga, a palavra Galo.

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“A vizinhança e os amigos estão todos comentando sobre como ficou bonito. Ele me deu de graça. Fiquei muito feliz. Agora, é torcer pro Galo melhorar”, contou a mulher ao Norte Livre.

Clerinda espera que a nova tatuagem traga tempos melhores para o Atlético. “Vamos ver se com a vinda do Sampaoli (técnico argentino contratado pelo Galo) o time melhora. Ano passado fez raiva demais na gente”, torce.

E não foi só a tatuagem que Clerinda ganhou. O próprio Atlético a presenteou com uma camisa do clube e um cartão do novo sócio torcedor, o Galo na Veia prata.

Esse modelo permite que a mulher tenha a segunda prioridade na compra de ingressos, atrás somente do Galo na Veia preto. Ela também terá descontos de até 65% na compra de pacote de ingressos.

Por meio do Instagram, Thiago Scap, o autor da tatuagem, comentou sobre o trabalho, que segundo Clerinda demorou cerca de duas horas. “Tive o privilégio de conhecer pessoalmente e tatuar a Clerinda, pessoa humilde de bom coração e que ama o Atlético. Foi um prazer poder fazer esse trabalho e sentir a emoção. Obrigado Atletico pela consideração com ela”, afirmou o profissional. 7

A história

Comovido pela singela homenagem prestada pela torcedora, Thiago publicou no Twitter pessoal a foto com o seguintes dizeres: “Conhecem a dona dessa tattoo? Se acharem ela (e ela quiser claro) farei uma tattoo sinistra do Galo 0800 pra ela”. Não demorou muito e a postagem viralizou. A busca pela portadora da tatuagem foi noticiada por vários veículos de imprensa.

As únicas informações eram que a mulher estava em um ônibus da linha 3250, sentido Barreiro, e que ela havia descido no Bairro Palmeiras. Menos de 24h depois, a dona da tatuagem apareceu. Ela é Clerinda Fonseca, 41 anos, moradora do Bairro São João Batista, em Venda Nova, e trabalha como diarista.

De acordo com Clerinda, a tatuagem foi feita quando tinha 10 anos de idade para servir de afronta ao pai cruzeirense. “Meu pai é cruzeirense fanático, e quando eu era menor, ele me prometeu um conjunto do Cruzeiro. Como ele não deu, passei a torcer para o Galo”, disse a diarista.

Conforme a torcedora, a tatuagem foi feita por uma amiga que estava começando no ramo e não tinha nem equipamentos. Thiago Scap comenta sobre a proibição, por lei, de menores de idade fazerem tatuagens sem a autorização, por escrito, dos pais ou responsáveis legais. Além disso, salienta para a necessidade do uso de equipamentos apropriados, esterilizados e descartáveis.

Outro detalhe interessante é que no dia em que a foto foi tirada Clerinda havia passado por problemas no transporte que usava habitualmente. O ônibus que levava a diarista até a fábrica de bordados no Bairro Buritis quebrou, o que forçou a portadora da tatuagem pegar outra condução. Por coincidência, a imagem que viralizou nas redes sociais foi feita no coletivo alternativo.

“Eu peguei o ônibus, ele quebrou. E eu precisei pegar outro para chegar no serviço. Eu trabalho como diarista e estava indo atender no Bairro Buritis, em uma fábrica de bordados. Corri para chegar às 20h”, diz Clerinda.

“Se não for com luta, não é Galo”

Clerinda largou o serviço em regime de Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) há quatro anos para cuidar dos pais — dois idosos acima de 80 anos. Eles estão debilitados e, segundo a diarista, os bicos ajudam a dividir o tempo. “Meu pai, por exemplo, não enxerga e quase não ouve mais”, diz a portadora da tatuagem.

Ela tem dois filhos, William Moura, de 23 anos, e Lindaiane Moura, de 20 anos. O rapaz está há bastante tempo buscando emprego, mas não consegue. A história de lutas é paralela à do clube mineiro. Clerinda conta que apesar de fanática pelo time Atlético Mineiro, não possui condições financeiras de adquirir nem uma camisa da equipe. O próprio clássico do último sábado foi visto pelo televisor de um amigo.

Quando questionada sobre a sensação de viralizar nas redes sociais, Clerinda disse: “sinceramente, quando me contaram, eu nem acreditei. ‘Eles estão zoando’, pensei. A ficha até agora não caiu”.


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