Imagem meramente ilustrativa. Foto: Governo do Estado de São Paulo
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As escolas públicas municipais de BH têm condições de retomar as aulas presenciais? Para os diretores e diretoras dessas instituições, a resposta é não. Oito em cada 10 ouvidos por uma pesquisa inédita afirmam que as escolas onde trabalham precisam de passar por alguma revitalização para garantir o cumprimento do protocolo sanitário da PBH para retorno das aulas presenciais.

A pesquisa foi publicada nesta quinta (10/6), por meio da vereadora Macaé Evaristo (PT). O estudo teve sua divulgação um dia depois do prefeito Alexandre Kalil (PSD) anunciar a retomada das atividades presenciais no Ensino Fundamental. Isso acontece a partir de 21 de junho.

Foto: reprodução/Zoom.

O trabalho reúne respostas de 112 das 530 escolas públicas municipais de BH. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro de 8,25%.

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A equipe da vereadora compilou 42 questionamentos e os enviou por e-mail às escolas. Dos 112 diretores e diretoras que responderam às perguntas, 18 são de Venda Nova – a Regional com mais respostas.

Outros dados chamam a atenção no relatório: mais da metade (53%) das escolas só tem estoque de equipamento de proteção individual (máscaras, por exemplo) para um bimestre de aulas presenciais.

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Além disso, 51% das escolas não ambiente para isolamento de casos suspeitos de COVID-19. Na mesma toada, 40% das instituições não têm estrutura externa para aulas ao ar livre.

Outra estatística que salta os olhos diz respeito à falta de tecnologia: 73% dos diretores entendem não ter recursos para manter o vínculo à distância com as famílias.

Foto: reprodução/Zoom.

Quanto à capacitação dos profissionais de educação para o estudo à distância, 84% dos ouvidos apresentam índices insatisfatórios. Ainda sobre esse quesito, 38% das escolas não promoveram nenhum tipo de capacitação para isso.

A falta de profissionais também é um ponto de escassez. Portanto, oito em cada 10 diretores afirmam que há necessidade de contratação, mas 77% entendem que não há indicativo de que isso vai acontecer.

Foto: reprodução/Zoom.

Como resolver?

Para o relatório da vereadora Macaé Evaristo, a “fica evidente que a Rede Municipal de Ensino não atende aos
critérios básicos de forma a garantir o cumprimento das medidas de segurança previstas no protocolo sanitário”.

O relatório também ressalta que BH tem 400 casos/dia de COVID-19 por 100 mil habitantes em média. Porém, o ideal era que o retorno acontecesse com 20 diagnósticos/dia por 100 mil pessoas.

Foto: reprodução/Zoom.

Portanto, a pesquisa aponta a necessidade de se criar um comitê para diálogo entre os gestores, famílias, estudantes e trabalhadores da educação municipal de BH.

Outra sugestão é a criação de comitês regionais e subcomitês “para realizar o levantamento de necessidades, a partir do protocolo” da prefeitura. Esses órgãos também seriam responsáveis por fornecer, diariamente, um relatório sobre o monitoramento da COVID-19 nas escolas.

A vereadora também destaca a importância de se criar um passe livre do estudante para acesso à internet. O mesmo vale para estabelecimento de um canal de TV aberta e de rádios comunitárias para reprodução das aulas.

Volta às aulas

Em entrevista coletiva nessa quarta-feira (9/6), na sede da prefeitura, Alexandre Kalil anunciou o retorno das aulas para 21 de junho no Ensino Fundamental. Ele afirmou que os números garantem que essa é a hora de liberar o funcionamento das instituições.

“Aconteceu exatamente agora no comitê, nem conversamos com a Secretaria de Educação. A ideia é liberar até 12 anos em esquema de microbolhas, com permanência de 3 horas. Só a partir do dia 21. Já é oportunidade de socialização dessas crianças”, disse o secretário municipal de Saúde de BH, Jackson Machado Pinto

Até o momento, BH vacinou 53.032 profissionais da educação com a primeira dose.

Porém, como noticiado pelo Norte Livre no último dia 2, 11 escolas só em Venda Nova apresentam casos positivos de COVID-19, segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-REDE/BH).

Outro lado

“A Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte garante que todas as escolas da rede própria estão preparadas para o retorno das aulas presenciais.

No caso da rede parceira, todos os recursos para as adequações e ajustes ao atendimento dos protocolos de segurança contra o coronavírus foram repassados em 2020.

Quanto ao relatório, não temos conhecimento sobre este formulário, a quem se dirigiu e nem por quem foi respondido.

As escolas e creches parceiras da prefeitura seguem estritamente o protocolo e são fiscalizadas pelas autoridades sanitárias da Secretaria de Saúde e pelos técnicos da Secretaria de Educação e de Segurança Alimentar, no mínimo, uma vez por semana.

Todas passaram por supervisão de engenharia antes do retorno e, portanto, desconsideramos o teor e a origem desta pesquisa.

Lembramos que, além das visitas regulares do Ministério Público, dos Conselhos Municipais de Educação e Alimentação Escolar e da própria Câmara de vereadores, a Smed instituiu, por meio de um decreto, as comissões de pais e comunidade escolar para fiscalizar todas as escolas.”

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