Créditos da imagem: Dok Sev por Pixabay

Existe uma vantagem inestimável quando você cultiva amizades que gostam de ler – você recebe indicações de leitura nas quais acaba se deparando com pérolas preciosas.  

Eu adoro presentear as pessoas que estimo. Certa vez, observando essa minha característica, uma amiga me indagou: “Você já leu o livro ‘As cinco Linguagens do Amor’, de Gary Chapman?”. “Já ouvi falar sobre, mas ainda não li”, respondi. 

– Você devia lê-lo – disse ela. – Já percebi que você gosta de presentear as pessoas. Esta é uma das linguagens de amor descritas no livro.

– Interessante, me fale mais a respeito – solicitei. 

– Em resumo, o livro é um relato sobre as formas de expressão e manifestação do amor percebidas pelo autor (alguém que é PhD em educação de adultos, possui diversos outros títulos e ainda é pastor batista e conselheiro matrimonial). Ao longo dos anos, baseado em muitas seções de conselhos a casais, o autor desenvolveu uma teoria na qual traça 5 maneiras pelas quais o amor pode ser identificado: 

1 – Palavras de afirmação – fazer elogios, motivar as pessoas, reconhecer o valor do semelhante.

2 – Tempo de qualidade – dedicar tempo e atenção pelo período necessário a alguém, possibilitar que as pessoas desfrutem da sua companhia, encaixar as pessoas em sua rotina.

3 – Dar presentes – oferecer coisas materiais, sem considerar o valor econômico (os presentes podem ser simples ou sofisticados; manufaturados ou industrializados; comuns ou personalizados). Às vezes, as pessoas que possuem esse tipo de linguagem podem também confeccionar os próprios presentes que serão ofertados a quem elas amam.

4 – Formas de servir – oferecer ajuda em tarefas no trabalho, na rua ou em casa. Pessoas que possuem esse traço de amor costumam ser muito prestativas e nunca exigir nada em troca. São aquelas pessoas que se oferecem para cortar a grama, trocar um pneu, conceder uma carona, levar o lixo para fora da casa, varrer a calçada, etc. 

5 – Toque físico – é praticado por aquelas pessoas que necessitam do contato físico contínuo. Tal contato não se trata necessariamente de um desejo sexual. Essa linguagem abrange aquelas pessoas que prezam o toque, o aperto de mão bem dado, o abraço apertado, um chamego no pescoço e um encontro apaziguador de frontes. 

Essa informação me pareceu muito instigante. Após nossa conversa, fui pesquisar sobre o assunto. Quanto mais eu lia a respeito, mais peças se encaixavam dentro de minha alma. Era como se a Matrix da fraternidade estivesse sendo decodificada perante meus olhos.

Fiquei feliz em perceber que, embora possua a minha linguagem do amor predominante, eu pratico inconscientemente todas as outras linguagens. O ensinamento mais valioso que absorvi foi de que existem milhares de maneiras pelas quais o amor se expressa e se manifesta. Cada um possui sua maneira de doar amor – que pode influenciar em suas expectativas referentes à forma como ele deseja receber amor – e todas as formas do amor são valiosas. 

Também aprendi que devo me manter como um canal aberto para receber o amor da forma que ele se apresentar diante da minha presença. Desde então, eu tenho treinado meus sentidos e percepções para enxergar o amor como uma luz livre que deseja tocar a superfície da minha alma. E tenho me policiado bastante para não embalar o amor em um lindo pacote imaginário e fazer com que minhas projeções ceguem meus olhos ao ponto de eu não conseguir enxergá-lo quando ele vier me encontrar com as roupas rasgadas em busca de ajuda ou quando ele chegar numa caixinha pequena que abriga uma grandeza inexplicável.

 Desde então, eu tenho observado e me deliciado com as frases que o amor solta despretensiosamente em vários cantos:

“Vamos tomar um açaí ou uma cerveja, eu pago”, 
“Achei aquele tênis que você estava querendo tanto”,
“Vou solicitar uma folga no trabalho para ir com você até o médico”,
“Fiz uma playlist com músicas que eu sei que você vai adorar”,
“Vou ao banheiro, você quer que eu pegue algo na cozinha?”,
“Estou ansioso para te ver no fim de semana”,
“Só liguei pra ouvir sua voz, ou pra saber se você está bem”.

O amor se traduz em qualquer idioma ou dialeto, inclusive em mensagens nas quais não são necessárias palavras. O amor é a linguagem mais mágica do universo.

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