Salvamento aconteceu na Rua Doutor Álvaro Camargos, na altura do cruzamento com a Avenida Ministro Oliveira Salazar. Foto: frame de vídeo obtido via WhatsApp.
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A última sexta-feira (3) ficou marcada como mais um dia de dramas para a população de Venda Nova com relação às chuvas. Um dos perigos foi vivido por Simar de Souza, de 50 anos, que mora no Bairro Guarani, na Região Norte de BH, mas estava em Venda Nova para visitar o irmão, que vive no Letícia.

O homem foi salvo por policiais militares de plantão ao correr risco em uma inundação que tomou conta da Rua Doutor Álvaro Camargos. O resgate dos PMs aconteceu no cruzamento da via com a Avenida Ministro Oliveira Salazar, no Santa Mônica.

“Eu decidi fazer uma visita ao meu irmão e estava chovendo muito. Como conheço o problema da (Avenida) Vilarinho, passei pelo Santa Mônica. Quando vi, caí dentro da 12 de outubro (antigo nome da Doutor Álvaro Camargos) e estava tudo alagado”, detalha Simar.

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Ele estava dentro de um Fiat Uno ano 2002 (veja o vídeo acima). Para se salvar da enchente, o homem subiu no veículo e gritou por socorro. Moradores que estavam próximos ao local do fato correram até uma viatura próxima, onde estava o tenente Dornelles, do 49º Batalhão da polícia.

“Estávamos deslocando para a Avenida Vilarinho, justamente para apoiar as viaturas que já estavam lá, mas quando passamos pela 12 de outubro percebemos que a água encheu tudo de uma vez. A gente foi obrigado a encostar. Foi aí que vimos os populares chamando a gente”, conta o militar responsável pelo resgate.



Apesar de não ter treinamento para esse tipo de salvamento, coisa que cabe ao Corpo de Bombeiros, o tenente se viu obrigado a agir para resgatar a vida de Simar.

Tenente Dornelles, do 49º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo resgate. Foto: arquivo pessoal.

Com uma corda amarrada ao corpo, ele se deslocou até o ponto onde estava o homem e o arrastou até o local seguro da via.

“Deveria ser mais ou menos umas 22h. Vimos uma correnteza muito grande. A gente estava mais preocupado era com a possibilidade de uma galeria estar aberta, ou um bueiro, que ele poderia cair”, ressalta o militar.

O carro de Simar ficou completamente destruído e sofreu perda total. O veículo não tinha seguro.

Apesar do dano material – mais um provocado pela falta de obras de saneamento em Venda Nova –, Simar não sofreu ferimentos.

Outras ocorrências

Em três dias, choveu 65% do que era esperado para o mês inteiro em Venda Nova. Houve diversos alagamentos na regional, principalmente nas imediações do Córrego Vilarinho, que passa pela avenida de mesmo nome.



Usuários do transporte público e clientes do Shopping Estação BH ficaram ilhados no centro de compras na sexta. Isso porque o já conhecido ponto de inundação de Belo Horizonte encheu de água, o que forçou a interdição das estações do Move e do metrô.

Ao perceber o aumento da chuva, o Comando de Policiamento da Unidade (CPU), da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), que estava de serviço, fechou a Avenida Vilarinho.

Obras

Enquanto Venda Nova sofre com as chuvas, a prefeitura tem o mês de abril como data marcada para iniciar as obras na Vilarinho. O plano é construir grandes reservatórios para armazenar a água da chuva.

A previsão é que as intervenções durem dois anos. Portanto, a população continuará sofrendo na região por pelo menos mais dois períodos chuvosos além do atual.

A ideia inicial da prefeitura era implementar túneis subterrâneos e colocar apenas um reservatório na confluência dos córregos do Nado e Vilarinho (justamente o ponto de alagamento desta sexta).

No entanto, o Executivo municipal abandonou esse projeto, sob a justificativa de que ele não resolveria os problemas de Venda Nova. Movimentos ambientais criticaram os desenhos quando eles foram apresentados inicialmente, em dezembro de 2018.

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