Publicidade

Norte Livre entrevista Brenux, eleito o melhor dançarino de funk de BH

Morador do Bairro Primeiro de Maio, dançarino acredita no potencial do funk para transformar as pessoas e elevar o nome do Vetor Norte de BH

Brenux, eleito o melhor dançarino de funk de Belo Horizonte. Foto: Breno Souza.
Publicidade

O vetor Norte de Belo Horizonte dominou em peso a “Disputa Nervosa”, campeonato de dança pautado no funk promovido pelo projeto Lá da Favelinha. Os quatro primeiros lugares na competição ficaram divididos entre moradores dessa parte da cidade, sendo dois de Venda Nova. O dançarino Breno Wiliam, que atende pelo nome artístico Brenux, conquistou o bicampeonato da competição.

O dançarino, que é morador do Bairro Primeiro de Maio, contou ao Jornal Norte Livre como foi participar da Disputa Nervosa.

“Gosto muito do funk consciente, acho interessante. Dentro da minha experiência na Disputa Nervosa, levei isso como motivação para trabalhar a minha dança. Na disputa você pode ser livre, e trabalhar seu estilo no funk também”, afirma o vencedor do torneio.

Publicidade

Para Brenux, o período de isolamento social forçado pela pandemia da COVID-19 contribuiu para que ele evoluísse sua performance nos palcos.

“Nesse período de distanciamento, eu pude criar muito e estudar muito. E abrilhantar o que venho fazendo”, afirma.

Além de cultivar sua carreira como dançarino, também é coreografo e educador de arte na rede municipal de educação. Brenux ressalta a importância de passar pelas instituições públicas de arte.

Para ele, isso o ajudou a formar um olhar diferente para a cultura, e o tornou o educador e o dançarino que é hoje. 

“Tenho várias figuras que contribuíram para o meu processo de aprendizagem, e a minha identidade enquanto educador. Em 2012, com 16 anos, eu só queria dançar, mas esse processo de virar um ‘arte-educador’, um coreografo, ter esse olhar de impactar outras pessoas através da arte (…)”, diz.

A final do concurso aconteceu no último dia 13 no palco do Teatro Francisco Nunes, no Centro da cidade. O evento teve transmissão on-line por meio do YouTube, devido à pandemia.

Trajetória no funk

Breno começou a estudar o funk em 2016, ainda adolescente. Segundo ele, tudo começou a partir do projeto “Anjos de Rua”, promovido pelos educadores Dudu Sorriso e Cristiane Pereira.

“A partir disso, comecei a participar de alguns eventos de funk dançando o passinho. A partir daí, comecei a pesquisar mais, e levei isso para a rede municipal, na qual dou aula para a escola integrada”, afirma o artista.

“Além de outras linguagens de dança, o funk é um código cultural muito forte nos meninos, e tudo isso faz parte do meu processo de arte e educação com ele”, completa Brenux.

Ele ressalta que o aprendizado adquirido durante a vida com a dança serve de exemplo para seus alunos. É como servir de exemplo para aqueles que ainda amadurecem o que farão em suas vidas.

“Comecei a dar aula em uma academia daqui. Depois que estive mais presente na cultura do Primeiro de Maio, fiquei encantado com as aulas de breaking. Sinto que, de certo modo, as coisas que faço aqui podem ter um impacto de levar esse lugar para fora, longe das páginas policiais”, ressalta o artista.

Breno aproveita a entrevista com o Norte Livre para agradecer aqueles que votaram nele durante a Disputa Nervosa e lhe deram o prêmio.

“Quero fechar minha fala agradecendo por cada um que votou em mim, teve um momento por trás das câmeras em que nos reunimos, puxados pelo CR, foi um momento muito importante, de muita gratidão. Levamos uma energia incrível para essa final. Só de lembrar me preenche de muita positividade. A disputa é nervosa”, diz.

Outros participantes 

O segundo lugar da Disputa Nervosa foi conquistado por CR, morador de Venda Nova, que também contou sua história ao Jornal Norte Livre.

Em terceiro lugar ficou Thiago Lourenço. E Paulo Maciel, outro morador de Venda Nova, faturou o quarto lugar.

A última etapa do concurso contou com fases eliminatórias. O primeiro passo era os duelos que aconteciam entre eles, para conquistar os votos dos jurados e do público, ao vivo, para decidir quem concorreria com quem por cada prêmio.

Esse processo aconteceu até a final, na qual Brenux e CR decidiram o título de melhor dançarino de funk de BH.

Cada um, dos quatro competidores finalistas derrotou mais de 200 outros artistas de toda BH.

O projeto promovido pelo Centro Cultural Lá da Favelinha foi aprovado pelo Fundo Municipal de Cultura (2018 – 2019), oriundo da Política de Fomento à Cultura Municipal (Lei 11.010/2016).

*Estagiária sob supervisão do editor Gabriel Ronan

Saiba mais

Publicidade

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile