Estação Vilarinho, na manhã de um dia útil, completamente vazia: reflexos da quarentena em Belo Horizonte. Foto; divulgação/BHTrans.
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Manutenção do isolamento social e do fechamento do comércio até quando o surto do novo coronavírus perdurar: essa é a medida mais defendida pela população de Belo Horizonte em meio à pandemia da Covid-19. Conforme pesquisa da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH)/Instituto Quaest – que ouviu 600 pessoas, inclusive 72 moradores de Venda Nova – 41% das opiniões defendem a posição adotada pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD), ou seja, são, ao mesmo tempo, contrárias à flexibilização defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).



Por outro lado, conforme a pesquisa, 35% dos ouvidos querem que o isolamento perdure mais algumas semanas, enquanto 17% defende o chamado “isolamento vertical” – medida vista por Jair Bolsonaro como ideal, em que a reabertura integral do comércio e quarentena apenas para o grupo mais vulnerável à doença. Outros 6% não souberam responder.

Apesar de a maioria das pessoas querer o isolamento, muitas ainda saem às ruas. No fim de semana, a Orla da Lagoa da Pampulha, região vizinha a Venda Nova, ficou cercada de pessoas praticando esportes, por exemplo.

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De acordo com o levantamento da CDL, 91% das pessoas aprovam as decisões de fechar escolas e universidades; 77% concordam com a não abertura do comércio; 75% é a favor do fechamento das divisas mineiras.

Outro recorte interessante trazido pela apuração da CDL e do Instituto Quaest diz respeito ao principal medo das pessoas durante a pandemia. Conforme a pesquisa, 65% tem mais receio de ficar doente e não conseguir tratamento, enquanto 35% teme mais as consequências econômicas.

Quanto à atuação dos políticos, 69% dos ouvidos concordam que a gestão de Kalil durante a crise da saúde pública é positiva. Outros 22% a julgam regular, 7% negativa e 2% não responderam.

Se o chefe do Executivo municipalé bem avaliado, Romeu Zema (Novo) e Bolsonaro não acompanham Kalil. Conforme a pesquisa, 27% aprovam a gestão estadual, 47% a veem como regular, 24% a condenam e 3% não opinaram.

Os números do presidente, de acordo com a pesquisa, são os piores entre os três políticos avaliados. Mais da metade dos belo-horizontinos, 54% exatamente, classifica a atuação de Bolsonaro como negativa. A avaliação regular é apontada por 22% dos entrevistados, mesma quantidade que aprova as posições do político. Outros 2% preferiram não se posicionar.

Otimismo econômico

Os dados foram recolhidos entre os dias 28 e 31 de março e traduziram um cenário em que apesar de 46% das pessoas estarem pessimistas quanto à capacidade de consumo nos próximos seis meses, 31% acham que tudo ficará igual e 13% estão otimistas. Outros 10% não souberam opinar. O otimismo é menor entre os mais jovens (16 a 59 anos) e maior entre idosos acima de 60 anos.

Além disso, 19% das pessoas responderam que não se manteriam nem um mês caso perdessem agora a fonte de renda. Mais de 40% conseguiriam se manter mais de três meses sem a renda atual. Os idosos com mais de 60 anos puxam a estatística para cima quando o assunto é se preservar por mais tempo (mais do que um semestre).

Já a maioria do público adulto, de 30 a 59 anos, conseguiria ficar sem renda entre 1 e 2 meses (28%) e 3 e 6 meses (28%).

Com respeito a possibilidade de um membro da família ou a própria pessoa perder o emprego como consequência da pandemia, a maioria não soube responder (37%), 32% disseram que não e 31% acreditam que sim. No questionamento se houve prejuízo financeiro devido ao surto do novo coronavírus, 49% responderam que sim, 45% falaram não e 6% não opinaram. Abaixo os gráficos agregados divididos por idade.

Comportamento de consumo diante da pandemia

Nos últimos 15 dias, desde que o surto começou, 44% dos consumidores passaram a gastar menos, 35% gastaram mais do que o de costume e 21% mantiveram a planilha de gastos. Outros 1% não opinaram.

Sobre contratos e serviços mensais, 42% pretendem cancelar caso o surto continue, 22% já cancelaram assinaturas e 36% não farão o cancelamento.

No comportamento de compras via delivery desde que o surto começou, a maioria não comprou com entrega a domicílio (31%), 28% compraram a mesma quantidade, 27% usou o serviço mais do que de costume e 14% fez menos do que o de hábito.

Caso o surto continue, a maioria respondeu que provavelmente não atrasará pagamentos (38%), 26% disseram que provavelmente atrasará as contas, outros 26% falaram que atrasaram com certeza e 9% disse que não. Os idosos acima de 60 anos são os mais propensos a não atrasar pagamentos.

Metodologia

Foram ouvidas pelos pesquisadores 600 pessoas entre 28 e 31 de março, por meio de recrutamento digital. Responderam à pesquisa pessoas entre 16 e 80 anos, sendo 17% entre 16 e 29 anos; 41% entre 30 e 44; 20% entre 45 e 59; e 22% acima dos 60 anos.

Quanto à renda, 19% dos ouvidos ganhavam até três salários-mínimos, 45% entre três e cinco salários-mínimos e 36% acima de cinco. Foram ouvidas pessoas de todas as regionais da cidade, entre elas 72 de Venda Nova.

A margem de erro é 4,2%, com intervalo de confiança de 95%.

Serviço

Para acessar a pesquisa completa, clique aqui.



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