Imagens: Paulo Barzel - Líder comunitário
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A história de problemas na Rua José Maria Botelho, no Bairro Santa Mônica, com as obras de tratamento de fundo de vale e controle de cheias da bacia do Nado – a qual inclui os córregos Marimbondo, no próprio bairro, e Lareira, no Bairro São João Batista – parece não ter fim. No início da noite e madrugada da quarta-feira (07), moradores de duas casas na via não conseguiram dormir com desabamentos nas residências.

Em uma das casas, o muro do fundo veio ao chão e na outra, além do muro, parte de dois cômodos (um quarto e a cozinha) desabaram.

Moradores e lideranças comunitárias alegam que o desabamento de parte das construções se deu após um maquinário (retroescavadeira) ter entrado no antigo leito do Córrego Marimbondo e ter ficado atolado. Em seguida, outras máquinas, igualmente pesadas, tentaram retirar a que estava presa e, em vez de primeiro secar o local, cavaram nos arredores, descalçando os muros e parte do fundo das casas.

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Depoimento de Mariana C. Costa, 26 ano, Engenheira Civil e neta de uma proprietária

Em cada uma das casas moravam três pessoas. Na residência que somente o muro foi danificado, por volta das 16h30, uma visitante percebeu uma trinca, a qual dava para inserir as mãos. Eles ligaram para a Defesa Civil de Belo Horizonte, que esteve no local, avaliou a rachadura, fez o boletim e antes de ir embora disse – conforme moradores – que não havia risco de desabamento e não precisariam de interdição.

Moradora mostra a trinca no muro – Imagem enviada por Paulo Barzel

Os mesmos funcionários foram à casa vizinha e detectaram problemas, os quais provacaram a interdição da moradia ao lado.

Mais tarde, entre 18h30 e 19h, barulhos chamaram a atenção dos moradores da casa não interditada. Era o muro que estava caindo junto com parte dos cômodos da residência vizinha. Veja o vídeo do registro.

Na manhã desta quinta-feira (08), funcionários da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) vistoriaram a obra. Inclusive, o próprio superintendente da Sudecap, Henrique Castilho, esteve no local a informou aos moradores (segundo relatos dos próprios) que será feito um cadastro das benfeitorias. As que estiverem danificadas, passarão por avaliação e, se precisarem, serão demolidas, com o respaldo de que todos terão ressarcimento.

Fonte: Google Maps

A Defesa Civil de Belo Horizonte retornou esta manhã e levou um cobertor, um colchonete e uma cesta básica para a família que teve os cômodos destruídos. Eles interditaram a outra casa e não apresentaram previsão de data para a volta dos moradores.

Em uma das casas mora uma idosa de 84 anos, a qual está agora amparada pelo neto e pela neta Mariana C. Costa.

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Problema anunciado

A necessidade de fiscalização das obras na Rua José Maria Botelho não é uma demanda antiga dos moradores. Desde o início das tão aguardadas intervenções, existem reclamações sobre o tratamento que a empresa responsável e vencedora da licitação, Engibrás, tem dado ao local.

Moradores primeiro reclamaram da quantidade de poeira levantada pelas máquinas. Em seguida, a Engibrás tampou com concreto as bocas de lobo da via, o que causou, em uma chuva temporal, o alagamento das residências mais baixas.

Imagens enviada via WhatsApp por moradores da Rua José Maria Botelho

Para além disso, as casas mais próximas das intervenções ocorridas na esquina das ruas José Maria Botelho e Rui Barbosa já apresentavam rachaduras antes do desabamento da noite anterior.

O Jornal Norte Livre, enviou um e-mail solicitando informações da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) sobre as casas interditadas e fiscalização das obras, mas, até o momento desta publicação, não obteve retorno (matéria será atualizada assim que a demanda for respondida). No último questionamento feito pelo Jornal Norte Livre, no dia 10 de julho de 2020, a Sudecap respondeu que as obras no local terminariam em 30 dias a partir daquela data.

Nota da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH)

“A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), informa que durante as escavações no leito do córrego Marimbondo para interceptação de esgotos e limpeza do local, ocorreu uma despressurização do solo, atingindo parcialmente a área de lazer de uma casa (vestiários e piscina) e parte de uma residência. Importante esclarecer que desde o primeiro momento, equipes da  Defesa Civil, Sudecap e Urbel estiveram no local dando todo suporte aos moradores e tomando todas as medidas cabíveis para estabilizar o terreno e apurar os prejuízos para posterior indenização aos proprietários. Outros dois imóveis estão sendo monitorados pela Defesa Civil, como medida preventiva, enquanto são realizadas as obras para estabilizar completamente o local.

As obras de tratamento de fundo de vale e contenção de cheias na bacia do córrego do Nado, sub-bacias córregos Lareira e Marimbondo, estão cumprindo o cronograma previsto em contrato. São obras estruturantes de grande porte e longa duração, pois trata-se de uma área muito extensa e com muitas intervenções, que tiveram início no primeiro semestre de 2018 com a previsão de término para o final de 2021.

O contrato abrange obras de tratamento de fundo de vale e contenção de cheias da bacia do Córrego do Nado, atuando nos córregos Marimbondo (bairro Santa Mônica) e Lareira (bairro São João Batista), execução de redes de drenagem, redes interceptoras de esgoto, obras de urbanização e construção de duas bacias.

Estão sendo investidos R$ 40 milhões com recursos financiados pelo Programa de Aceleração do Crescimento, com contrapartida do Fundo Municipal de Saneamento.” 

Linha do tempo

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D."Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo

3 COMENTÁRIOS

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