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Mulher que o filho brigou para retirar da UPA Venda Nova morre vítima do Covid-19

Após ser transferida para o Hospital Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte por causa de liminar da justiça, Ivanda não suportou e faleceu. Advogada alega negligência

Ivanda - Imagens cedidas gentilmente pela advogada Aparecida M de Oliveira Paiva
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Na quinta-feira (02), durante o período da tarde, faleceu Ivanda R. da Silva, 55 anos, moradora do Bairro Minas Caixa, vítima do novo coronavírus (Covid-19). Contudo, o óbito é cercado de lutas, inclusive, do filho Edmilson e da advogada Aparecida M. de Oliveira Paiva (apelidada pelos amigos de Dra. Cidinha). O sepultamento* do corpo ocorrerá nesta sexta-feira, às 13h30, no Cemitério da Consolação, situado na Rua José Gomes Domingues, 2000, Bairro Jaqueline.


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O que aconteceu?

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Na segunda-feira (29), o vídeo da advogada Cidinha clamando pela retirada e transferência de Ivanda da Unidade de Pronto-Atendimento de Venda Nova (UPA Venda Nova) viralizou pela emoção de desespero, pois funcionários do local alertaram ao filho da paciente, Edmilson, que se a mãe dele continuasse ali, logo faleceria.

Edmilson solicitou a ajuda da advogada, a qual, diante da situação, entrou com uma liminar que exigia a transferência de Ivanda para um hospital especializado no atendimento e tratamento contra o Covid-19. No mesmo dia (segunda-feira), à noite, a mãe de Edmilson foi transferida para o Hospital Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Veja aqui a matéria completa sobre o caso.

Entretanto, segundo novos relatos da advogada Cidinha, no dia seguinte à entrada de Ivanda no Hospital Santa Casa, médicos(as) informaram ao filho Edmilson que a mãe dele estava em um quadro clínico gravíssimo e era necessária bastante fé.

Ivanda ficou na Santa Casa por quase três dias e veio a falecer.

A advogada alega que houve negligência por parte da UPA Venda Nova, que deveria ter transferido, o quanto antes, Ivanda para um hospital especializado.

“As pessoas que trabalham nas UPAs não são capazes (têm aparato e recursos humanos necessários) para tratar como deveriam pacientes com Covid-19. Às vezes, usam paliativos, quando deveriam proceder para transferências”, afirma a advogada Cidinha.

Cidinha, inclusive, questiona o motivo de o hospital de campanha estar pronto e não ter, ainda, intensivistas prestando serviço. Antes de ser internada, Ivanda era acompanhante da própria mãe, também contaminada com Covid-19, no Hospital do Barreiro.

“A advogada alega que quem não pressionar, vai perder parente mesmo. As pessoas estão morrendo com Covid-19, muitas vezes, assim como a Ivanda, sem histórico de doenças crônicas. A mãe dela, por ser idosa, foi transferida rapidamente. Outras pessoas fora do grupo de risco estão sendo cozinhadas. UPA não é lugar para tratar o Covid-19. Ali é chegar, ver e transferir. A velocidade, nesses casos, salva vidas”, diz Cidinha.

Afetada pelo óbito de Ivanda, Cidinha tenta comover o governo estadual, Romeu Zema (Novo), e o chefe do executivo municipal, Alexandre Kalil (PSD), pedindo que os belo-horizontinos coloquem em suas portas ou janelas com vistas para rua, durante cinco dias, tecidos pretos em sinal de luto e respeito pelas vítimas do Covid-19.

“A necessidade de conscientização é urgente. As pessoas precisam evitar aglomerações e se prevenirem. Além disso, o governo precisa agir. Vejo a situação nos ônibus lotados e penso: por que não colocam as vans escolares, que estão paradas nesse momento, para ajudar no serviço de transporte e esvaziar um pouco os coletivos? O ato é simbólico, mas serve para conscientizar a população”, afirma a advogada Aparecida M. de Oliveira Paiva.

E a PBH?

Desde a segunda-feira (29), a equipe do jornal Norte Livre busca o posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA) sobre o caso de Ivanda. Funcionários da assessoria de imprensa, apesar de estarem com as respostas, precisavam da aprovação de supervisores para o envio. Contudo, o retorno, por meio de nota, veio somente nesta sexta-feira (03). Segue abaixo:

“A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informa que a paciente deu entrada na UPA Venda Nova no dia 26 de junho e foi transferida para leito hospitalar no dia 29 de junho. Durante todo o tempo em que esteve na UPA Venda Nova, a paciente foi assistida pela equipe médica.”

Na tarde da quinta-feira (02), o chefe do executivo municipal, Alexandre Kalil (PSD), se reuniu com comerciantes e em seguida publicou um vídeo em seu twitter que fala sobre o encontro. No material, apesar da crescente ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria, o prefeito disse que o município não tem problemas com internação”. Veja a matéria completa no jornal Estado de Minas clicando aqui.

“Nós aumentamos os nossos leitos, de março até hoje, em mais de 400%. Nós não temos hoje problemas com a internação”, salientou Alexandre Kalil em vídeo gravado durante reunião com comerciantes de BH na quinta-feira.

Obs.: *correção do termo velório usado anteriormente

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D. "Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo

8 COMENTÁRIOS

    • Upas e Postos de Saúde; a maioria dos funcionários atendem como se estivessem fazendo um grande favor favor aos pacientes e, não o serviço que são pagos para fazerem.

  1. Dra Cidinha, exija que o tempo máximo de permanência nas upas sejam cumpridos. Upa não é lugar de pacientes graves.

  2. Eu fico imaginando o outro lado, essa senhora gritando dedo em riste para os funcionários da upa, medicos, enfermeiros, tecnicos, trabalhando em jornadas exaustivas, salarios baixos, ausencia de epi sacrificando familias no meio de uma pandemia?! q culpa essa pessoas tem para ouvirem esses gritos minha senhora? fazer um video e postar dessa forma? a senhora é advogada, recorra os meios legais, faça o que fez uma liminar, como fez, esses funcionarios não merecem esse tratamento. Faça campanhas online de conscientização, combater o covid não é so dever de governo, é dever de todos nos, cada um tem que fazer sua parte, a doença se espalha pq o povo continua no churrasco, festas, aglomeração é so ver o rio ontem no leblon. pense nisso, as pessoas nos hospitais são as menos culpadas de tudo isso.

  3. É um lixo esse médico que disse ser médico sendo que eles não tem amor próprio sempre que vamos consultar sempre está no celular não estão examinando os pacientes ficam com cara fechada achando que temos culpa por estarem doente não tem educação nenhuma mais também dou meu parabéns pros médicos que estão si dedicando que estão na linha de frente lutando com seres humanos minhas consolação para famílias mais uma triste história

  4. Verdades, o serviço público tem muito que melhorar, a má vontade dos funcionários é irritante. Acham que estão fazendo favor .A saúde pública é uma vergonha,nós em venda Nova merecemos um hospital do porte do Dr. Celio de Castro em Betim ,parece um hospital particular ,mas é administrado por empresa terceiriza, por isso q funciona. Tantos impostos e nem direito a uma saúde Boa merecemos.

  5. Depois disso tudo, ainda temos que ouvir as baboseiras desse falastrão, que se acha dono do mundo. Não cuidou de nada, só mandou abrir 1.500 covas para enterrar o povo, fechar o comércio, fechar orla da pampulha e ect. Agora, abrir a tal caixa preta da BHtrans, cuidar da saude, abrindo vagas em hospitais. proibir essas gaiolas ( onibus ) de andar lotado, proibir festas de ricos no Palacio das Artes, isso não nè? Mandar em pobre e chutar cachorro morto é muito fácil.

  6. Eu estive na UPA Unidade Venda Nova e a cena que eu vi foi bem diferente, sou Jornalista assim como o nobre colega 𝐖𝐢𝐥𝐥 𝐀𝐫𝐚ú𝐣𝐨, e presenciei pacientes tanto com destintos tipos de problemas de saúde como no que se refere o COVID-19 tudo junto.

    Uma verdadeira exposição tanto de pacientes n~ão portadores do COVID-19 como dos próprios profissionais da saúde. Desestruturado é a palavra que define a UPA Venda Nova, e isso não é de agora como todos já sabem.

    Se de fato há negligencia, essa perpetua para com todos principalmente para com os profissionais da saúde, no que se refere aos pacientes sejam de COVID-19 ou não o descaso e a negligencia é do estado.

    Não vim defender nem A e nem B, mas nessa caso as vítimas são os profissionais da saúde bem como os do COVID-19.

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