Imagem do interior do antigo clube lareira 2019 - Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
Vereador Gilson Reis (PC do B) visitou empreendimento em agosto deste ano. Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre.
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Na manhã da quarta-feira (31), moradores dos Bairros São João Batista e Santa Mônica se reuniram para solicitar ao poder público, na figura do vereador Gilson Reis (PCdoB), atitudes para frear a degradação do meio ambiente ocorrida no interior do antigo clube Lareira, situado na Rua Visconde de Taunay, 1300. De acordo com os populares, há algum tempo, o espaço sofre com o corte de árvores e queimadas da vegetação, motivados pela especulação imobiliária.

Parque Lareira - Fonte: Plano Urbanístico 2013
Parque Lareira – Fonte: Plano Urbanístico 2013

A reunião ocorreu na entrada do clube e a moradora Rosely Oliveira relatou, inclusive, a inquietude dos vizinhos com a possibilidade de o lugar se tornar um condomínio fechado, o que comprometeria ainda mais as nascentes presentes no local.

Os populares cobram da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) que todo o espaço seja transformado em um parque, conforme prometido no Plano Urbanístico de 2013 (clique aqui para acessar o arquivo na íntegra), divulgado durante a gestão do prefeito Márcio Lacerda. No planejamento, a área é considerada um corredor ecológico – uma via de trajeto para vários animais se locomoverem dentro da Regional Venda Nova.

Segue abaixo o mapa do Plano Urbanístico de 2013, com a menção ao Parque Lareira indicada por uma seta.

Página 110 do Plano Urbanístico de 2013 – Fonte: PBH

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Porém, segundo Flávio Torre, assessor de Política Urbana e Meio Ambiente no gabinete do vereador do PCdoB, o novo plano diretor da capital resguarda o local na categoria de preservação ambiental 2 (PA-2), em que a taxa de ocupação permitida é de 25% da área do clube (para saber mais, acesse o plano diretor pelo link).

De acordo com João M. Leite, diretor da União Corretora (atual proprietária do local), o terreno está dividido em 47 lotes há cerca de cinco décadas e está regularizado junto à PBH. Além disso, não existe qualquer projeto de edificações para a área e nem definições sobre a continuidade do clube ou o que será feito após as obras do Pac2, de tratamento de fundo de vale e contenção de cheias da Bacia do Nado (Córregos Lareira e Marimbondo).

Recentemente, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) alugou dois mil metros quadrados no interior do clube para abrigar o próprio escritório e da empresa que executará as obras do Pac2 em Venda Nova. Contudo, a União Corretora continua sendo a responsável pela manutenção e segurança do local.

Durante a reunião agendada entre o vereador e a comunidade, Washington L. Araújo (de alcunha Paco), funcionário de serviços gerais da corretora, conduziu os participantes em caminhada pelo antigo clube. O “zelador” da União Corretora alegou que as denúncias de queimadas e supressão ilícita de árvores não procediam, pois apenas os trabalhadores da prefeitura e ele têm permissão para entrarem no lugar.

Segundo Washington, há alguns meses, em função das forte chuvas que passaram por Venda Nova, dois eucaliptos caíram e danificaram partes do clube. Por isso, para retirarem os troncos, foi necessário serrar as árvores em pedaços menores.

O diretor da União Corretora confirmou a história e disse que todos os procedimentos feitos nas árvores do clube são informados à PBH e possuem autorização. Citou, ainda, que há cerca de dois anos, outras árvores caíram e os próprios vizinhos registraram boletim de ocorrência para o fato.

Sobre as queimadas, João informou que houve uma pequena fogueira de lixo há alguns meses, a prefeitura foi acionada e o fiscal emitiu uma multa em torno de R$700. A taxa foi paga e o episódio não se repetiu. O diretor frisou que a própria PBH está no interior do clube e isso evidencia o cumprimento da lei pelo local.

Questionada sobre o assunto, “a Sudecap esclarece que o clube Lareira foi alugado pela empresa contratada para instalar o canteiro de obras. Não está tendo supressão de árvores ou queimadas no local”.

Via de mão dupla

Todavia, o diretor e o “zelador” reclamaram da atitude de alguns moradores da região (“obviamente, não os que estão preocupados com o meio ambiente”), que apesar de saberem da área é verde, continuam lançando sacos de lixo, pneus, colchões, eletrodomésticos estragados e garrafas por cima do muro, o que implica em mais prejuízos à comunidade no que se refere a focos de dengue.

Os moradores participantes da reunião há anos acompanham os desdobramentos da área verde e disseram perceber, visivelmente, a diminuição da mata do local. Segundo eles, foi removida boa parcela das árvores que ficavam próximas aos muros, além da vegetação rasteira que foi quase extinguida.

O grupo apresentou autos de fiscalização (2075693) e de infração (784659) de 2015, os quais comprovaram, à época, por meio dos agentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), a supressão indevida de treze árvores de grande porte no interior do clube. Na ocasião, foram feitas, inclusive, as imagens que seguem abaixo.

O vereador Gilson Reis (PCdoB) informou que serão produzidos e rodados na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) materiais para divulgação do assunto. Além disso, prometeu que sua equipe fará a apuração sobre a situação do imóvel e agendará uma audiência pública,  em meados de setembro, para esclarecimento das partes interessadas.

Todos os participantes da reunião reiteraram que não são contrários às obras do Pac2, pois as entendem como necessárias, mas buscam o cumprimento da promessa de criação do Parque Lareira.


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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D. "Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo