Imóveis estão localizados na Rua Ana Joséfina, na Vila Nossa Senhora Aparecida. Chuvas causam preocupação nos moradores pelo risco de tragédias. Foto: Gabriel Ronan.
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Os moradores de Venda Nova têm sido ano após ano vítimas da falta de estrutura da Regional para receber as chuvas que tomam conta de Belo Horizonte entre outubro e março. Com a proximidade do período de precipitação, a prefeitura tem feito obras para diminuir os efeitos das cheias dos córregos Vilarinho e do Nado. Mas, e aqueles que vivem em áreas de risco?

É bem verdade que as intervenções na Vilarinho e na antiga 12 de outubro não serão finalizadas já para o próximo período chuvoso, mas medidas podem ser tomadas para evitar tragédias nas áreas de risco. Moradores da Vila Nossa Senhora Aparecida, por exemplo, convivem com o risco de deslizamento de um barranco na Rua Ana Joséfina.

No local, estão três imóveis de uma mesma família. Em uma das casas, vive Suely Aparecida Barbosa, de 50 anos, comerciante. “As casas estão praticamente juntas. Em 2002, teve um desabamento aqui. Ano passado, começou a deslizar o barranco. Eles (agentes da prefeitura) já vieram e avaliaram a minha casa. Pediram pra gente ficar vigiando, mas eu estou preocupada. O meu quintal está descendo aos poucos”, afirma a mulher.

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Suely tem uma preocupação a mais. Um dos seus filhos engravidou uma jovem, que hoje vive com ela. A gravidez está no oitavo mês, portanto a criança vai nascer justamente no período das chuvas.

“A gente está preocupada. Não tem como mais a gente ficar se alojando: começar a chover, a gente corre pra um lado. A gente sai da parte de baixo e vai para cima, onde seis pessoas ocupam um quarto e uma sala”, explica a comerciante.

Ainda na Rua Ana Joséfina está a casa do agente de segurança socioeducativo, Cláudio Antônio Barbosa, de 49. Ele mora no local desde que nasceu, mas reconhece que a situação tem piorado.

“Não é de sempre, mas nos últimos anos esse deslizamento do barranco começou. No período chuvoso 2018-2019. A gente não consegue dormir quando chove aqui”, lamenta.


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Cláudio afirma que agentes da Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) estiveram no local recentemente. Dessa maneira, eles orientaram o homem a direcionar a água da chuva, por meio de canos, para a rua. Portanto, evitar que ela caia sobre o barranco que ameaça desmoronar.

“Ele falou, mas não retornou (para verificar se o serviço está correto). A gente não tem outro local para morar e a situação só vai se agravando. A gente vive com crianças. Moro eu, minha esposa e mais quatro moradores”, afirma o agente socioeducativo.

Líder comunitário da região, Paulo Barzel lembra que em 1997 uma chuva forte destruiu várias casas na Vila Nossa Senhora Aparecida. “Vários barracões acabaram caindo na Rua Ana Joséfina. Faleceu uma menina de 13 anos. Nós acionamos a Urbel e a Defesa Civil e retiramos o resto dos moradores. Também fizemos um mutirão para ajudar essas pessoas, que depois foram para (Ribeirão das) Neves”, relembra.

Barzel ressalta também que foi pedido um recapeamento da via localizada na Vila Nossa Senhora Aparecida. A comunidade encaminhou a solicitação ao secretário de Obras e Infraestrutura de BH, Josué Valadão; e à secretária de Assuntos Institucionais e Comunicação Social, Adriana Branco.

Outro lado

“A Prefeitura, por meio da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel), informa que já realizou vistoria no local e orientou os moradores para a correção dos lançamentos indevidos de água pluvial (telhado), bananeiras e esgoto – sendo estes os principais agentes causadores da erosão e do risco geológico. A Urbel também se prontificou quanto a inserção da família no Programa Estrutural em Área de Risco, com o fornecimento de assistência técnica e materiais para a execução da obra com a mão de obra no morador, mas até o momento não obteve confirmação.  

Ainda na Vila Nossa Senhora Aparecida, encontra-se em fase final de análise o projeto para abertura do Beco Avelino Vieira, entre a Rua Augusto Franco e o Beco A, com construção de oito unidades habitacionais. Além da elaboração de licitação para implantar a via de ligação e intervenções urbanísticas, entre a Rua Camila de Souza Machado e a Quadra do Agripino e na Rua Camila de Souza Machado”.

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