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Moradores da Vila do Índio, em Venda Nova, reclamam da falta de pontes para atravessar córrego contaminado

Até mesmo idosos e crianças precisam se arriscar para atravessar esgoto a céu aberto se equilibrando sobre pontas de madeira. Situação se complica quando chove

Sebastião dos Santos, morador do aglomerado, já caiu nas águas imundas ao se desequilibrar nas tábuas improvisadas. Foto: Gabriel Ronan/Jornal Norte Livre.
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Como se não bastasse os dramas vividos a cada período chuvoso, os moradores da Vila do Índio convivem com o risco de acidentes constantes. O aglomerado situado em BH, na Região de Venda Nova, entre os bairros Santa Mônica e Jardim Leblon, tem como seu coração o contaminado Córrego Várzea da Palma – um esgoto a céu aberto.

Se a sujeira e o forte odor de impurezas marca o local logo de cara, a simples tarefa de tentar chegar em alguns dos barracos já se configura como um desafio. São cerca de 10 pontes que cruzam o curso d’água. Elas permitem quem está em uma margem atravessar para a outra. Contudo, se equilibrar faz parte do cotidiano de quem vive ali.

Isso porque nenhuma das pontes da Vila do Índio tem corrimão. Algumas delas são largas o bastante para atravessar sem maior risco. Porém, outras duas, localizadas mais ao final do aglomerado, não passam de tábuas improvisadas sobre o esgoto.

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“Tem 21 anos que eu moro aqui e sempre foi assim. Eu já caí duas vezes. Em uma delas, não machuquei porque os meninos (outros moradores da vila) me seguraram. Na outra, tive que voltar pra casa e tomar banho, porque isso aqui é imundo. Precisava de ter ao menos de uma ponte”, afirma o idoso Sebastião dos Santos.

Durante toda a apuração, Sebastião seguiu a reportagem do Jornal Norte Livre com atenção. Até mesmo desviou seu caminho para nos acompanhar. Parecia ansioso por uma solução para o problema que o impede de sair de casa quando chove forte.

“No dia que cai água, fica difícil. Essa lama (o esgoto) toma conta”, diz.

Localizada perto da Vila do Índio, a Escola Estadual Afrânio de Melo Franco, no Santa Mônica, é a casa de muitos jovens do aglomerado ao menos em um período do dia. O vai e vem para a instituição de ensino, contudo, requer equilíbrio na maioria das vezes.

De acordo com Valdomiro Rodrigues Passos, de 62, “a situação aqui (na Vila do Índio) sempre foi essa, mas hoje em dia está até um pouco melhor. O pessoal tem limpado ao menos. Mas, as pontes nunca existiram. Quando a prefeitura veio, todo mundo ficou animado. Gente até filmou. A gente vê criança atravessando essa imundice. Algumas caem até”.

Valdo, como é conhecido, vive no local há três décadas. Ele pede soluções para o problema, sobretudo nas chuvas. Inundações não atingem sua casa porque o imóvel está mais acima do córrego, mas as filhas são vítimas da falta de saneamento.

“Nunca sofreram ferimentos, mas já perdemos algumas coisas. Hoje, já deixamos as coisas mais elevadas”, conta.

Outro lado

Procurada, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que “a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo horizonte (Urbel) atua de forma pontual na Vila do Índio, com monitoramento das moradias em áreas de risco”.


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O Executivo municipal garante que “foi realizada a recuperação de uma passarela sobre o curso d’água para garantir o acesso seguro pelos moradores”.

Já a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) “esclarece que há um empreendimento de controle de cheias no local que está em etapa de captação de recursos”.

Contrastes

O nome Vila do Índio é derivado das ruas que dão melhor acesso ao aglomerado: Rua dos Comanches, Rua dos Moicanos, Rua dos Astecas, Rua dos Nambiquaras e Rua dos Apaches.

O Córrego Várzea da Palma atravessa o centro do aglomerado, divide e revela os primeiros contrastes. Nas margens do Bairro Santa Mônica, estão as vias com nomes das tribos indígenas. Nas margens do Leblon, estão as ruas com nomes de países, como França, Brasil e Inglaterra.

Em uma ponta, está a Avenida Desembargador Felipe Immesi, e na outra está a Avenida Várzea da Palma – também no Bairro Santa Mônica, e urbanizadas pelo poder público.

No aglomerado, o fenômeno das chuvas, tão comum em um país tropical como o Brasil, significa desespero e medo para famílias localizadas onde os olhos da Prefeitura de Belo Horizonte se tornam cegos.

A precipitação eleva o nível do Córrego Várzea da Palma, que conduz o esgoto a céu aberto para dentro dos barracos que margeiam o aglomerado.

A Prefeitura, por meio de programas e projetos, realizou diversas intervenções efetivas nas comunidades do entorno do aglomerado, mas, internamente, os problemas continuaram. Entre as atividades mais antigas concluídas pela PBH, estão as obras do Orçamento Participativo (OP).

Somente pelo OP, desde 2001, a PBH investiu mais de R$ 10 milhões em obras ao redor da Vila do Índio. Na infografia, as cores mostram as intervenções feitas pela Prefeitura durante os anos.

Arte Jornal Norte Livre – 2019 – Reprodução: Google Maps
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