"Tratamento precoce" contra a COVID-19 com cloroquina não tem comprovação científica. Imagem meramente ilustrativa. Foto: Gabriel Ronan/Jornal Norte Livre.
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A Prefeitura de BH distribuiu seis mil comprimidos de hidroxicloroquina 200 miligramas para tratamento da COVID-19 em março deste ano, apurou, com exclusividade, o Norte Livre. As informações são do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS).

O Ministério da Saúde entregou o medicamento à Secretaria Municipal de Saúde em dezembro. A oferta à Atenção Primária aconteceu em março deste ano. Justamente quando a capital mineira, Venda Nova inclusive, registrou o colapso do seu sistema de saúde.

Em nota à reportagem, a prefeitura informou que não recomendou o uso do medicamento contra a COVID-19. Mas, “repassou aos médicos a orientação de seguir as recomendações do Ministério da Saúde, em caso de decisão pela prescrição da cloroquina, visto que é prerrogativa do profissional prescrever ou não qualquer medicamento”, esclareceu.

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O próprio protocolo da Saúde municipal para tratamento de pacientes com a virose cita a Organização Mundial da Saúde (OMS), que é contra essa medicação pela falta de comprovação científica.

Mas, o documento deixa claro o respeito à autonomia do médico. Também cita o Conselho Federal de Medicina (CFM). Essa entidade defende o “uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no caso de paciente com sintomas leves, em início de quadro clínico, e que tenham sido descartadas outras viroses (como Influenza e dengue) e exista diagnóstico confirmado de COVID-19”.

A reportagem questionou a prefeitura sobre o custo dos seis mil comprimidos de cloroquina. De acordo com a Saúde municipal, o governo federal repassou o remédio. Portanto, o dinheiro não saiu do caixa da prefeitura.

A própria informação do repasse no DataSUS não consta o preço da cloroquina repassada a BH.

O Norte Livre também questionou se a prefeitura acompanhou se houve reações dos pacientes do SUS-BH à cloroquina. Segundo a Saúde municipal, “as notificações são feitas diretamente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O usuário pode procurar a unidade de saúde para que o profissional faça o registro”, informou.

Sobre outros fármacos ligados ao chamado “tratamento precoce” contra o coronavírus, a pasta esclareceu que não houve oferta de qualquer um deles para o combate à pandemia. São os casos de remédios como azitromicina e ivermectina.

Outras prefeituras também receberam

Além de BH, 10 prefeituras mineiras receberam cloroquina para tratamento da COVID-19. A maior carga seguiu para Montes Claros, no Norte do estado: 28,5 mil comprimidos.

Depois, aparece BH com seis mil. Em Viçosa, na Zona da Mata, foram 4,5 mil remédios. Grão-Mogol (Norte), Virgínia (Sul), Fervedouro (Mata), Santa Luzia (Grande BH) e Nova Lima (Grande BH) receberam 1,5 mil cada.

Já as prefeituras de Urucuia (Norte), Riachinho (Norte) e Douradoquara (Alto Paranaíba) receberam 500 comprimidos de cloroquina cada. Os repasses variam entre as doses de 200 miligramas (hidroxicloroquina) e 150 miligramas (difosfato de cloroquina).



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