Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
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Concentração, trabalho em equipe, capacidade de lidar com frustrações e amadurecimento dos desejos. Essas são algumas das atividades de pano de fundo trabalhadas no projeto de robótica “Gracynáticos” desenvolvido na Escola Municipal Gracy Vianna Lage, no Bairro Jardim dos Comerciários, Venda Nova. Alunos da integrada e simples, nos horários livres e anteriores ao período escolar comum, aprendem sobre programação, design de robôs, construção de projetos e conclusão de objetivos enquanto fazem o que apenas sonhavam.

“Pra mim, não existia isso de robótica no Brasil”. A frase de uma aprendiz antes de entrar nas oficinas da professora Kenya Nunes Teixeira traduz o quão distante era essa perspectiva para algumas crianças.


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Conforme Kenya, que tem formação em processamento de dados e biologia, a iniciativa surgiu quando o Serviço Social da Indústria (Sesi) promoveu a capacitação rápida de docentes sobre robótica. Ela, como estava envolvida com informática desde sempre, participou. Em seguida, foi convidada a ser juíza em torneios operados pela instituição e recebeu fomento para que levasse o projeto adiante na E.M. Gracy Vianna Lage. Assim, no início de 2017, surgiram os “Gracynáticos” — nome dado pelos próprios alunos.

Até o momento, Kenya estima que cerca de 100 alunos já participaram das oficinas ou do processo seletivo, que se resume a divulgação estratégica, prova escrita para classificação e teste de aptidões para o trabalho em equipe. “O projeto é um estímulo ao potencial já existente”, diz a professora. Como as vagas são limitadas e os aprendizes precisam ter paciência, o ideal é que os aprovados sejam persistentes.

Kenya e alunos - Foto: Will Araújo /Jornal Norte Livre
Kenya e alunos – Foto: Will Araújo /Jornal Norte Livre

“O produto da robótica é muito atraente, mas o processo de desenvolvimento é demorado e requer dedicação. Já tive alunos(as) que entraram com a imagem de que iriam brincar de carrinho de controle remoto, porém, perceberam no desenrolar que não funcionava assim”, diz responsável pelo projeto.

Na sala de prototipagem, é comum ver muitas meninas. Segundo a professora, esse fenômeno demonstra a quebra do paradigma em que mulheres não se envolvem com disciplinas das áreas de exatas, como engenharia e outras. Hoje, dos 27 aprendizes assíduos, entre 10 e 15 anos, 11 são meninos e 16 são meninas.

Alunos do projeto de robótica "Gracynáticos - Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
Alunos do projeto de robótica “Gracynáticos – Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre

A meta do projeto é trabalhar valores como respeito, ganho mútuo, disciplina, competição amigável, autonomia e, para além, estimular a capacidade de resolução de problemas e aumento de perspectivas profissionais. Por isso, a escola participa de torneios como o First Lego League (FLL) e a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), que propiciam terreno fértil para o florescer deles.

Todos se envolvem com a linguagem de programação C++, por meio da plataforma online “Hora do Código”, e desenvolvem os robôs com a linha de brinquedos de educação tecnológica “Lego Mindstorm”. O planejamento feito em computadores é aplicado aos protótipos criados com as peças Lego, que devem cumprir objetivos estipulados pelas mesas dos torneios.

No início de 2017, a escola participou do FLL e ganhou o troféu “Estrela Iniciante”, em comemoração pela primeira participação da equipe orientada pela professora Kenya. No ano seguinte, os resultados não foram satisfatórios, mas não desanimaram a equipe de aprendizes.

Em 2019, eles participaram da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) e, durante o percurso na pista de objetivos e obstáculos da mesa de competição, encontraram um novo desafio: “o seguidor de linha” — uma programação necessária para que tivessem completado a prova. Apesar da dificuldade, não ficaram intimidados, voltaram para o laboratório de prototipagem e estão investindo no aprendizado sobre o assunto.

Agora, os alunos estão focados no campeonato regional da FLL, que terá abertura em primeiro de outubro e possibilitará vaga na temporada 2019/2020, City Shaper. No ano passado, o tema do torneio foi viver e viajar no espaço, o que levou os competidores a desenvolver estratégias de movimento com obstáculos em mesa que simulavam outros planetas e máquinas de colonização.

Alunos do projeto de robótica "Gracynáticos - Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
Alunos do projeto de robótica “Gracynáticos – Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre

Percalços

Apesar dos reflexos positivos no entorno, o projeto possui dificuldades técnicas que dependem da atitude dos órgãos públicos. Dos nove computadores disponíveis, sete estão funcionando. Como os torneios, normalmente, limitam as equipes a 10 competidores, os 27 “Gracynáticos” estão divididos em grupos menores, os quais demandam máquinas com performances.

Além disso, o sistema operacional dos computadores é Linux, o que dificulta a programação dos robôs que participam da FLL. A diretora Thaís Matos conseguiu uma autorização extraordinária da PBH para que a escola receba mais 14 máquinas com o sistema operacional Windows, mas, ao fazermos contato via e-mail com a Secretaria Municipal de Educação (Smed), não houve sequer uma resposta.

Outro problema é a aquisição de materiais, como o arduíno, o qual é muito importante para construção dos protótipos de robôs e experimentos.

Alunos do projeto de robótica "Gracynáticos - Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre
Alunos do projeto de robótica “Gracynáticos – Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D. "Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo