Enchentes continuaram comuns em Venda Nova por pelo menos mais três anos. Foto: Hugo Gonçalves.
Enchentes continuaram comuns em Venda Nova por pelo menos mais três anos. Foto: Hugo Gonçalves.
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Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (1º), a Prefeitura Belo Horizonte voltou a admitir que cometeu erros no primeiro projeto executivo para conter as enchentes na Avenida Vilarinho, em Venda Nova. Com isso, o Executivo municipal confessou que cerca de nove meses foram perdidos sem avanços nas intervenções. A previsão, agora, é que as máquinas só comecem a a operar no primeiro semestre de 2020.

O projeto apresentado em dezembro do ano passado consistia na construção de dois túneis, o primeiro com extensão de 806 metros e seções de 25 metros quadrados, o que comportaria a passagem de 160 mil litros por segundo.

O segundo túnel teria 730 metros, a mesma medida de seção do primeiro e seguiria o trajeto da Rua Maçon Ribeiro até o Córrego Floresta. Seria construído, ainda, um mega reservatório 2.430 metros quadrados na rotatória da Vilarinho, em frente à lanchonete Habib’s, o que foi apelidado pelos movimentos contrários à obra como “piscinão”.


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Esse projeto, no entanto, estava cercado por diversas críticas. Para o Comitê da Bacia Hidrográfica Rio das Velhas (CBH-Rio das Velhas), por exemplo, a prefeitura só transferiria o problema para Região Norte da cidade.

“Perdemos nove meses do nosso cronograma, mas não vamos insistir em algo que vimos que não estava bom. É melhor reconhecer que houve erros. Ter essa humildade”, afirmou o secretário de Obras e Infraestrutura da PBH, Josué Valadão.

Novo projeto

No entanto, em setembro deste ano, o Executivo municipal mudou de ideia. A prefeitura decidiu construir 12 reservatórios ao longo do leito do Córrego Vilarinho, na avenida de mesmo nome e na Rua Doutor Álvaro Camargos.

Essas grandes bacias terão suas capacidades entre 65 e 105 mil metros cúbicos.

De acordo com Valadão, as obras da Vilarinho devem, finalmente, começar entre março e abril do ano que vem, após o período chuvoso atual. O prazo de conclusão da primeira etapa, que protegerá Venda Nova contra tempestades que ocorrem a cada 10 anos, é de aproximadamente dois anos.


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Com isso, Venda Nova enfrentará, ao menos, mais três períodos chuvosos sem os reservatórios que prometem acabar com as cheias na Vilarinho. Isto é, as cheias referentes aos verões de 2019, 2020 e 2021.

Erros provocam paliações

Enquanto as obras não chegam, a prefeitura adota medidas paliativas contra as chuvas nos pontos críticos da cidade, como as avenidas Vilarinho, Tereza Cristina e Francisco Sá.

A estratégia reúne esforços de diferentes órgãos, como Defesa Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal. O intuito é fechar as vias que dão acesso a essas zonas de enchentes para evitar que pedestres e veículos fiquem ilhados esses locais perigosos.

No entanto, essa medida também reúne críticas. Isso porque quem está dentro das zonas de perigo pode ter dificuldades para deixá-las, justamente pelo fechamento das vias adjacentes.

A Defesa Civil, contudo, garante que a estratégia é eficaz. O órgão ressalta que agentes próximos a esses locais estão ali para monitorar a situação e auxiliar a saída de quem está em perigo.

Essa medida chegou a ser adotada nesta semana em Venda Nova. O impedimento de tráfego aconteceu na Avenida Vilarinho, entre a Rua Capitão Nelson Albuquerque e a Avenida Cristiano Machado, um trecho de quase dois quilômetros. O bloqueio durou aproximadamente 30 minutos.

“Nós não vamos ter nenhum receio em sermos criticados por ter fechado o trânsito e não ter chovido. A ação é preventiva, ou seja, se houve então uma detecção pelo radar meteorológico da Cemig e por imagens de satélites que há um risco iminente, nós vamos sim fazer o fechamento das vias”, disse Josué Valadão.

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