Corrida eleitoral começou em BH e tem Alexandre Kalil como favorito. Foto: Amira Hissa/PBH.
Corrida eleitoral começou em BH e tem Alexandre Kalil como favorito. Foto: Amira Hissa/PBH.
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Com as convenções partidárias – eventos nos quais os partidos escolhem se terão ou não candidatos ao Poder Executivo e quem serão eles – ainda distantes, alguns nomes começam a despontar nos bastidores para concorrer à Prefeitura de Belo Horizonte. Evidentemente, tudo leva a crer que Alexandre Kalil tentará a reeleição pelo PSD. Deputado estadual mais bem votado de Minas Gerais, o apresentador da TV Record Mauro Tramonte também deve concorrer ao cargo pelo PRB. Recém-escolhido como presidente do Cidadania (partido que substitui o PPS), o parlamentar e radialista João Victor Xavier é outro cotado. Além do deputado estadual Professor Wendel Mesquita (SD).

O que Kalil, João Victor e Tramonte têm em comum? A exposição midiática. Dois deles, ainda, têm relação direta com o futebol: o atual prefeito foi presidente do Atlético e o jornalista comanda o programa Bastidores, na Rádio Itatiaia, de segunda a sexta-feira, no período noturno. Também ligado ao jornalismo, Mauro Tramonte é apresentador do Balanço Geral, um dos telejornais de maior audiência no estado.

Candidatos ou não, isso só as convenções marcadas para julho do ano que vem vão definir, todos os citados já usaram suas exposições midiáticas, indiretamente, para angariar votos. A prática, totalmente legal perante a legislação, permitiu que Tramonte fosse o deputado mais votado da história da Assembleia mineira com 516.390 votos. No Brasil, só Janaína Paschoal, em São Paulo, outra que faz uso constante da mídia, foi mais votada.

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Em artigo publicado na revista científica Alterjor, da Universidade de São Paulo (USP), a doutora em Comunicação e jornalista Deysi Cioccari abordou o tema. O material intitulado “A espetacularização política brasileira: uma análise dos políticos midiáticos eleitos para o Congresso Nacional 2015-2019” ressalta como determinados candidatos usaram a mídia para avançar na política. “O que se percebe é a construção de um grande espetáculo no qual a imagem predomina em relação ao discurso”, destaca a pesquisadora.

Deysi salienta que o “baixo grau de sofisticação política do eleitor”, que nem sempre tem acesso a textos científicos e à leitura crítica do cenário político, faz com que os candidatos vendam suas imagens com facilidade a partir das mídias tradicionais e das redes sociais. Vale dizer que a tática é usada há séculos, mas com o advento dos veículos de comunicação de massa e das mídias sociais, principalmente do WhatsApp e do Facebook, se intensificou.

Números traduzem o fenômeno. Todos os vereadores atualmente eleitos na Câmara de BH divulgam seus trabalhos em pelo menos uma rede social. Há casos em que o político tem contas oficiais no WhatsApp, Facebook, Twitter e Instagram. Tal imagem contribui para o surgimento de “mitos” no campo da política.

“As mensagens dos políticos veiculadas por meios simples ou complexos, dentre as quais algumas utópicas, com promessas de realização a curto prazo, pode atingir o eleitorado de tal maneira que, por meio de imagens e símbolos que afetam agressivamente a percepção irracional, se formam os mitos políticos com base em uma relação emocional do público com a mensagem política.”, ressalta o político francês Roger-Gérard Schwartzenberg (1977, p. 259), conforme citado no artigo de Cioccari (2015, p.9).

Futebol

Dos exemplos citados nessa reportagem, que possivelmente vão concorrer à Prefeitura de BH, apenas Mauro Tramonte não tem ligação com o futebol. O uso do esporte mais popular do país como palanque político não vem de agora, mas já serviu como pedestal para muitos outros.

Só a Rádio Itatiaia, a de maior audiência no estado, já ajudou a eleger três dos seus funcionários recentemente: o já citado deputado estadual João Victor Xavier, o narrador e deputado estadual Mário Henrique Caixa (PV) e o repórter e vereador Álvaro Damião (DEM). Todos diretamente envolvidos com a programação esportiva.

Ex-craques do Atlético e Cruzeiro também já tentaram, com o auxílio do que fizeram dentro de campo, garantir vagas no Poder Legislativo. São os casos de Reinaldo e João Leite, maior artilheiro e jogador com mais partidas pelo Atlético, respectivamente. O goleador chegou a ser eleito em 2004 para a Câmara. Já o atual deputado estadual pelo PSDB protagonizou a disputa da prefeitura com Alexandre Kalil no pleito de 2016.

Ex-lateral do Cruzeiro e integrante do elenco que conquistou a Tríplice Coroa em 2003, o comentarista Leandro Silva, segundo o Jornal O Tempo, ouviu proposta do Avante para concorrer ao Legislativo de BH no ano que vem. O ex-jogador participa do programa Bate Papo Esportivo, exibido na TV Horizonte.

Fundo eleitoral e partidário

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ou apenas Fundo Eleitoral, foi criado em 2017. Sua criação se seguiu à proibição do financiamento privado de campanha. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu doações de empresas a campanhas políticas, sob alegações de haver desequilíbrio na disputa política e exercício abusivo do poder econômico.

Sem a verba privada para custear campanhas eleitorais, foi criado o Fundo Eleitoral. Ele é composto de dotações orçamentárias da União, repassadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em até o início do mês de junho, apenas em anos eleitorais. Em 2018, por exemplo, foi repassado aos partidos pouco mais de R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral para financiamento de campanhas.

O TSE utiliza critérios de distribuição definidos em lei. Dois por cento do total são divididos igualmente por todos os partidos registrados no tribunal. Além disso, 35% são divididos entre os partidos que tenham pelo menos um representante na Câmara dos Deputados, na proporção do percentual de votos obtidos por eles na última eleição. Outros 48% são divididos entre os partidos na proporção do número de representantes na Câmara e 15% divididos na proporção do número de representantes no Senado.

Já o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, mais conhecido como Fundo Partidário, é formado por dotações orçamentárias da União. Ou seja, por verba pública cujo fim específico destina-se a suprir os partidos. O fundo, no entanto, também é composto por multas eleitorais, pagas por candidatos condenados pelo TSE.

Também compõem o fundo doações de pessoas físicas ou jurídicas. Essas doações não são feitas diretamente aos partidos políticos; os depósitos devem ser efetuados na conta do Fundo Partidário. Além disso, o fundo pode receber outros recursos destinados em lei, seja em caráter permanente ou eventual. (Com Marcelo Brandão, repórter da Agência Brasil).

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