UPA Venda Nova também vive efeitos da crise na saúde pública de Belo Horizonte. Foto: Gabriel Ronan/Jornal Norte Livre.
UPA Venda Nova também vive efeitos da crise na saúde pública de Belo Horizonte. Foto: Gabriel Ronan/Jornal Norte Livre.
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A Unidade de Pronto-Atendimento de Venda Nova (Rua Padre Pedro Pinto, 175) também vive o colapso da saúde em Belo Horizonte. De acordo com fontes ouvidas pelo Jornal Norte Livre, o equipamento já conviveu com a falta de ponto de oxigênio para socorrer pacientes com COVID-19.

Um problema é frequente na unidade, segundo Carla Anunciatta, presidente do Conselho Municipal de Saúde de BH: há excesso de pacientes em todas as UPAs da cidade.

“Nós temos a UPA de Venda Nova com a lotação esgotada. Semana passada, nós tivemos casos de pacientes precisando de um ponto de oxigênio, mas todos os pontos da UPA já estavam sendo usados”, afirma Carla Anunciatta.

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Além disso, outro problema é a falta de espaço para o recebimento de novos leitos. Na UPA Venda Nova, a sala de enfermaria já se tornou área para pacientes graves com COVID-19, os intubados.

Tal fator também escancara a escassez de profissionais de saúde. Portanto, sem especialistas não é possível dar conta da demanda, ainda que mais leitos sejam abertos na cidade.

“Estamos com pacientes graves que deveriam ser vistos com frequência. A escala médica está completa, porém com aumento da demanda deveria ter mais (profissionais de saúde)”, diz uma funcionária da UPA. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) repassou a mensagem à reportagem.

Carla Anunciatta, presidente do Conselho de Saúde, também faz um apelo à população: diante da falta de profissionais é preciso diminuir a circulação do coronavírus na cidade. “As pessoas precisam continuar o uso de máscara. O distanciamento social. A população também tem culpa nesse processo”, afirma.

Outro lado

“A prefeitura informa que Belo Horizonte, assim como todo o país, se encontra em uma situação grave em relação à pandemia. As UPAs da capital têm apresentado aumento na procura por atendimento nas unidades e a Secretaria Municipal de Saúde trabalha de forma ininterrupta para que todos os pacientes sejam atendidos.

A UPA Venda Nova passou, recentemente, por uma readequação do seu espaço físico, com a finalidade de ampliar o número de leitos disponíveis para pacientes com quadro mais graves, passando de quatro para oito leitos. Quanto à informação de retenção de pacientes que chegam por meio do SAMU, a prefeitura ressalta que essa informação não procede.

Atualmente, as UPAs contam com 83 leitos de urgência e 320 de observação. No início de março, eram 42 leitos de urgência e 207 de observação”

Crise na saúde em números

Boletim da prefeitura mostra tendência de alta da COVID-19 em Belo Horizonte. Foto: Adão de Souza/PBH.
Boletim da prefeitura mostra tendência de alta da COVID-19 em Belo Horizonte. Foto: Adão de Souza/PBH.

Melhorou, mas o sistema de saúde de Belo Horizonte continua em colapso. Nessa segunda (29/3), a cidade registrou ocupação de 100,7% dos seus leitos de UTI globais, a soma entre a rede pública e a privada. Houve uma queda considerável, já que o indicador media 107,5% nessa sexta (26/3).

A queda no percentual foi puxada pela abertura de 113 leitos na cidade: 81 pelo setor empresarial e 32 pela prefeitura.

Portanto, agora a capital mineira dispõe de 1.037 vagas do tipo entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os hospitais privados. Porém, 1.044 pacientes necessitam desse atendimento, o que significa um deficit de sete camas.

Além disso, depois de seis balanços em sequência, a ocupação dos leitos de enfermaria na rede suplementar deixou a zona de colapso. O indicador apresenta taxa de 92,6%.

Para efeito de comparação, o parâmetro media 108,2% nessa sexta. A queda vertiginosa aconteceu graças ao aumento na oferta de leitos na saúde privada: são 160 a mais que no balanço anterior.

A ocupação global, a soma entre a redes pública e privada, é de 85,6%. Em números absolutos, 1.835 das 2.144 enfermarias estão em uso. Ou seja, sobram 309.

Outro indicador fundamental, a taxa de transmissão do coronavírus caiu de 1,14 para 1,11 nesta segunda. Mas, permanece na zona de alerta da escala de risco, entre 1 e 1,2.

De acordo com a prefeitura, BH contabilizou mais 22 óbitos pela COVID-19 nessa segunda. Com mais esses, a cidade soma 3.167 vidas perdidas pela COVID-19.

Quanto ao número de casos, o salto foi de 1.171: de 138.127 para 139.298. Além das mortes, são 6.739 pessoas na fase ativa da doença e 129.392 já recuperadas.

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