Guarda Municipal é responsável por fiscalização dos comércios de BH durante a pandemia. Foto: Amira Hissa/PBH.
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Patrulhamento ininterrupto e até mesmo operações para fazer valer os decretos em vigor em Belo Horizonte para frear. A atuação da Guarda Municipal em Venda Nova, de acordo o supervisor do órgão na Regional, Marcelo Silvestre, tem sido muito exigida durante a pandemia do novo coronavírus. Sobretudo para abordar estabelecimentos que não respeitam as regras previstas nos textos assinados por Alexandre Kalil (PSD).

De acordo com números da Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, da qual a Guarda Municipal é subordinada, entre 20 de março, quando Kalil assinou o primeiro, até essa terça-feira (19), foram realizadas 24.322 abordagens na cidade.

Isso vale para empresas, estabelecimentos comerciais e até mesmo cidadãos em espaço público da capital.

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A pasta não segmenta os dados por regional, mas o supervisor Marcelo Silvestre garante que Venda Nova concentra boa parte dessas abordagens. “É uma das regiões com mais denúncias. Regularmente, trabalhamos com três viaturas dia e noite, mas quando há uma quantidade grande de denúncias fazemos as operações”, explica o coordenador do Departamento de Missões Especiais da Guarda Municipal.

Segundo Silvestre, as operações reúnem 45 guardas municipais e 15 viaturas. “Temos denúncias principalmente na Rua Padre Pedro Pinto e na (Avenida) Vilarinho, que são o coração de Venda Nova. Mas, também temos denúncias no (Bairro) Rio Branco, na 12 de Outubro (Rua Doutor Álvaro Camargos) e no (Bairro) Serra Verde”, afirma.

Perguntado sobre a cassação de alvarás de funcionamento, o coordenador da Guarda Municipal pontua que os agentes apenas recolhem o documento. Isso acontece quando há reincidência por parte do infrator.

Após o recolhimento, o alvará segue para a equipe de fiscalização da prefeitura, que decide pela interdição ou pela aplicação de multa.

Conforme balanço da Segurança municipal, a Guarda Municipal já recolheu 51 alvarás em toda Belo Horizonte. Essas ocorrências resultaram em 12 interdições. Não houve aplicação de multa. Os dados são de 20 de março até 19 de maio.

Como denunciar

As denúncias de comércios ou empresas irregulares quanto aos decretos da prefeitura podem ser recebidas pelos canais disponibilizados pelo Executivo municipal: o telefone 156 ou o Fale com a Ouvidoria.

Comerciantes se posicionam

Apesar da necessidade de respeito às normas previstas nos decretos da prefeitura, é preciso reconhecer as dificuldades financeiras dos negócios de Venda Nova. Por isso, a reportagem ouviu dois comerciantes da Reggional sobre a situação de suas lojas em meio à pandemia.

Camila Martins Grossi, de 31 anos, é proprietária de três lanchonetes na Rua Padre Pedro Pinto: Pare e Lanche, Rei das Vitaminas e Pastel Mania. “Em março, falaram que esse ramo de lanchonete não pode abrir, então são dois meses parado. Eu vivo disso aqui. Nada para, as boletas continuam chegando, e a gente se afundando em dívidas”, lamenta.

“Eu tinha um carro e meu marido tinha um. A gente já vendeu os dois. O governo mandou dar férias para todos os funcionários, mas o poder público só sabe mandar. Ajudar a gente, não ajuda”, reclama a comerciante, que vive com o marido e dois filhos.

Carlos Silva trabalha há mais de 30 na Rua Padre Pedro Pinto. Hoje, ele é proprietário da Óptica Urbana, ramo considerado essencial pela prefeitura. “Eu posso funcionar, mas o movimento caiu cerca de 35%. Não tem circulação de pessoas na rua, então cai muito”, pontua Carlinho, como é conhecido em Venda Nova.

Para Carlinho, é hora de reabrir o comércio em geral com medidas para evitar a proliferação do novo coronavírus. “É uma situação muito triste. A gente luta pela reabertura do comércio, claro que de maneira segura, responsável e consciente. A gente sabe que a doença está aí. A gente faz a higienização (das mãos) de toda pessoa que entra na loja. Precisamos trabalhar”, afirma o comerciante.

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