Hospital Risoleta Tolentino Neves - Foto: Gilson de Souza
Hospital Risoleta Tolentino Neves - Foto: Gilson de Souza
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Na última semana, a informação que 50 funcionários e 17 pacientes do Hospital Risoleta Tolentino Neves, situado na Rua das Gabirobas, 01, Bairro Vila Clóris, Venda Nova, tinham testado positivo para o novo coronavírus (Covid-19) gerou tensão em Belo Horizonte. Diferente do Hospital Eduardo de Menezes, no Barreiro, a instituição não está entre as totalmente dedicadas ao combate à pandemia e é referência para mais de 1,1 milhão de pessoas do vetor norte da capital e cidades vizinhas – 6.500 atendimentos de urgência/emergência por mês no total, considerando as duas portas de entrada: Pronto-Socorro e Maternidade.

Como o hospital atende integralmente a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), a notícia que parte dos empregados havia contraído a doença criou dúvidas sobre a segurança dos procedimentos operacionais seguidos na instituição. Os laboratórios do CT-Vacinas foram os responsáveis pelos testes, os quais, no dia 14, precisaram ser refeitos por suspeitas de falsos-positivos.

Na sexta-feira (17), com as contraprovas em mãos (resultados definitivos), a diretora-geral do Hospital Risoleta Tolentino Neves, Alzira Jorge, divulgou o que chamou de boa notícia: “não há nenhum detectável para Covid-19 entre as 75 amostras retestadas”.


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Ou seja, nenhuma das pessoas diagnosticadas inicialmente com a doença apresentou resultado positivo nos exames de contraprova submetidos a protocolos diferentes do mesmo laboratório.

Os novos desdobramentos trouxeram alento aos mais de dois mil trabalhadores dos vários setores do Hospital Risoleta Tolentino Neves, além de tranquilizar a comunidade do entorno e os usuários do serviço. Em release divulgado à imprensa, a diretora-geral da instituição explica:

“A divulgação dos diagnósticos iniciais, em um primeiro momento, gerou repercussão negativa porque vivemos um clima de muita tensão. Essa notícia de hoje, de que não há trabalhador nem paciente infectado, nos emociona e tranquiliza e nos mostra que estamos no caminho certo no desenvolvimento das medidas adequadas de proteção para as equipes e pacientes. E não mediremos esforços para continuar desenvolvendo e aperfeiçoando o plano para enfrentamento da COVID 19 em nosso hospital, conforme as recomendações das autoridades sanitárias”, salienta Alzira.

O fato também gera um alerta para os serviços de comunicação, que receberam as informações via denúncias e se basearam nos primeiros testes para veiculação de notícias sobre o assunto.

O(a) denunciante anônimo(a) informou que o Hospital tinha carências para fazer os testes em seus funcionários, por isso, não era possível medir a contaminação, mas que 50 pessoas estavam infectadas. Além disso, alertou que os funcionários sintomáticos continuaram seus trabalhos e que havia escassez dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s).

A administração respondeu que todas alegações são falsas.

“Não existe carência de recursos para realização dos testes, o que existe é uma priorização: realizamos teste em todos os pacientes internados com suspeita de COVID-19 e em trabalhadores sintomáticos. Conforme orientação da Secretaria Municipal de Saúde de BH, não é recomendada a testagem em assintomáticos.”

Sobre os funcionários, a administração garantiu que todos aqueles que testaram falso-positivo foram afastados. “Não procede a informação de que houve trabalhador confirmado com COVID-19 atendendo, esses profissionais foram afastados e aos poucos estão retornando ao trabalho com a devida orientação do SESMT”, respondeu.

Salientou, ainda, os cuidados que são tomados na prevenção desde o início da pandemia. Segue nota:

“Desde o início da pandemia, o Hospital tem se organizado para proteger trabalhadores e pacientes. Desde o dia 16/3, o Comitê Interno de Enfrentamento à COVID-19 vem, diariamente, discutindo ações relacionadas ao novo coronavírus e o tema “saúde e segurança” está sempre em pauta.

Disponibilizamos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) a todos os trabalhadores, assistenciais e administrativos, com devidas capacitações e orientações constantes para o uso adequado e consciente desses materiais.

Antecipamos a campanha de vacinação, realizada de 24 a 27/3, para ampliar a imunidade dos nossos profissionais para vírus. E estamos com uma campanha vigente sobre higienização de mãos, com uma série de divulgações internas.”

A excelência de BH e o risco para os funcionários da saúde

Além do Hospital Risoleta Tolentino Neves, a regional possui uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA Venda Nova), a qual abriga o recém-instalado Centro Especializado em Doenças Respiratórias. Do dia 25 de março a 16 de abril, o centro atendeu 658 pacientes, dos quais seis foram enviados para internação e teste do novo coronavírus.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, nenhum dos funcionários do centro instalado em Venda Nova apresentaram sintomas do Covid-19 ou testaram positivo para a doença.

Conforme a secretaria, “no período de 21/03 a 20/04, foram testados 1.239 profissionais de saúde que atuam no atendimento a pacientes em Belo Horizonte, em serviços públicos e privados. Deste total, 23 testaram positivos, 959 negativos e o restante, 257, estão em análise”. O número é muito menor do que o de outra grande capital, como São Paulo, que apresentou, até a mesma data, 3.055 casos de afastamento de profissionais da saúde (ATUALIZAÇÃO 20/04/2020: 3.876 afastamentos).


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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D. "Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo

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