Mosquitos infectados pela bactéria Wolbachia têm menor chance de proliferar doenças como dengue, zika e febre amarela. Foto: Monica Ridlehoover/Flickr.
Mosquitos infectados pela bactéria Wolbachia têm menor chance de proliferar doenças como dengue, zika e febre amarela. Foto: Monica Ridlehoover/Flickr.
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A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal de Saúde, já definiu quando fará a soltura dos mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia papientis em Venda Nova. De acordo com o Executivo municipal, conforme o cronograma atual, a liberação dos vetores acontecerá em fevereiro de 2020.

Segundo a PBH, a biofábrica responsável pela produção das bactérias já está em fase final de obras. Faltam apenas a instalação elétrica e a climatização. Esse último processo custa cerca de R$ 300 mil.

Cerca de 2 milhões de insetos poderão ser soltos a cada sete dias, durante um período entre 16 e 20 semanas, no bairros Copacabana, Piratininga e Jardim Leblon. O objetivo é frear a proliferação de doenças transmitidas pelo vetor, como dengue e as febres amarela e chikungunya.


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Apesar disso, a medida é vista com preocupação pela população de Venda Nova. O questionamento gira em torno da escolha de Venda Nova como receber os mosquitos, justamente uma das regionais com menor concentração de renda em Belo Horizonte.

Segundo a prefeitura, a escolha por Venda Nova passa pela “análise das séries históricas de infestação por Aedes aegypti e incidência de doenças causadas pelo mosquito”.

Mosquitos “turbinados”

Wolbachia é um microrganismo intracelular. A bactéria não pode ser transmitida para humanos ou animais. Segundo a Saúde municipal, o método é natural. Portanto não coloca os ecossistemas naturais em risco, além de ser autossustentável.

Nem os mosquitos nem a Wolbachia sofreram qualquer modificação genética, conforme a prefeitura.

Novamente de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, outros países que adotaram a estratégia registram a bactéria nos mosquitos mesmo depois de cinco anos das liberações. Isso faz com que o microrganismo seja autossustentável.


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Tudo será tocado pelo projeto World Mosquito Program (WMP), conduzido no Brasil pela Fiocruz, com apoio do Ministério da Saúde, do governo federal.

A iniciativa descobriu que a bactéria, apesar de comum em cerca de 60% dos insetos, não é natural no mosquito transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela.

Por isso, quando presente no organismo do vetor, impede que ele transmita os vírus das doenças. Mesmo que ele as abrigue.

O World Mosquito Program

O WMP é uma iniciativa global sem fins lucrativos que age, atualmente, em 12 países para reduzir a transmissão de doenças por meio de mosquitos. Desenvolvida por pesquisadores australianos da Universidade de Monash, consiste na propagação e incentivo de métodos naturais, seguros e autossustentáveis para diminuir a proliferação de enfermidades.

Entre os procedimentos adotados pelo WMP está a inserção na natureza de mosquitos nativos de biofábricas e com a bactéria Wolbachia pipientis. Ela inibe a infecção de outros seres pela dengue, Zika, Chikungunya e febre amarela.

A partir do cruzamento entre um mosquito fêmea da biofábrica com outro macho selvagem, obtém-se uma prole de mosquitos infectados pela bactéria Wolbachia. Além disso, caso o mosquito vindo da biofábrica seja o macho, os ovos da fêmea selvagem não geram larvas, o que também inibe a proliferação de doenças. Para saber mais, veja o vídeo abaixo:

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