Confronto de Lara Procópio com a inglesa Molly McCann nesse sábado (6). UFC sempre foi sonho da jovem de Venda Nova. Foto: divulgação/UFC.
Confronto de Lara Procópio com a inglesa Molly McCann nesse sábado (6). UFC sempre foi sonho da jovem de Venda Nova. Foto: divulgação/UFC.

Do tatame ao octógono, por meio do jiu jitsu, muay thai até o MMA: as artes marciais são a vida da mineira Lara Procópio, de 25 anos. Nascida e criada em Venda Nova, no Bairro São João Batista, ela hoje é uma das estrelas do UFC, a principal organização do mundo em termos de MMA.

Nesse sábado (6), Lara conquistou sua primeira vitória no card internacional. Em decisão unânime dos juízes, ela bateu a inglesa Molly McCann. Agora, o objetivo é correr atrás para garantir mais lutas e cair no gosto de Dana White, presidente do UFC.

“Meu pai era meu professor de jiu-jitsu. Eu nasci numa família de lutadores. Tenho uma irmã gêmea e a gente cresceu dentro do tatame. Saía da escolinha e queria ficar o dia inteiro na academia”, conta a lutadora.

A vocação da menina desde pequena foi Wanderson Procópio, de 53 anos, seu pai. Professor de artes marciais desde 1995, ele hoje trabalha em um academia do Bairro Santa Mônica.

Lara Procópio nasceu e viveu no Bairro São João Batista. Foto: reprodução/Instagram.
Lara Procópio nasceu e viveu no Bairro São João Batista. Foto: reprodução/Instagram.

“Desde que eu me entendo por gente, eu sou doido com artes marciais. Ganhei o apelido de Piolho porque não saía da academia. Como eu sempre pratiquei, passei esse conhecimento pra Lara”, afirma o morador de Venda Nova.

Foi na adolescência que Lara descobriu que gostava de MMA. A irmã gêmea, que também lutava, convenceu o pai a treiná-la na “trocação”.

Logo, a menina se destacou: venceu várias lutas amadoras em Belo Horizonte. Também ganhou um campeonato em Teófilo Otoni, no Vale do Jequitinhonha, a primeira competição profissional. Portanto, o talento nato já estava descoberto por Wanderson.

“Em Minas, não tem campo para esporte algum. Como a vida inteira eu treinei MMA no Rio, eu a levei pra lá. Tive uma reunião com o proprietário da Nova União (o treinador Dedé Pederneiras) e ele gostou da Lara”, lembra o pai da lutadora.

Hoje, ela treina ao lado de potências da modalidade, como José Aldo, Poliana Botelho e Leonardo Santos.

Caminho até o UFC

Quando chegou à Cidade Maravilhosa, em janeiro de 2016, a jovem Lara Procópio tinha muita insegurança. A incerteza de viver sozinha no Rio se tornou um desafio. Mas, para quem encara qualquer um no octógono, a limitação foi superada com muito suor, treino e preparo mental.

“Ganhei o cinturão do Shooto Brasil (evento nacional de MMA) na categoria 61 quilos. Também lutei na categoria 57 quilos. Não perdi um combate. Isso me projetou”, explica a atleta da Nova União.

Depois de se destacar no Shooto, apareceu uma oportunidade para Lara no Contender Series. O torneio funciona como uma seletiva de lutadores para o UFC.

Porém, enquanto se preparava para a competição, o destino sorriu para a mineira. Dana White, o poderoso chefão do UFC, a convocou para uma luta da categoria principal do MMA mundial. O combate seria na China, contra a também brasileira Karol Rosa.

“Foi uma luta muito boa. Batemos o recorde de socos conectados na história do UFC. Pancadaria total. Infelizmente, perdi por 2 a 1 na decisão dos juízes. Mas, fiquei muito feliz com minha performance, principalmente por ser uma categoria acima da que eu desejava”, diz a vendanovense.

Primeira vitória

Depois de perder para Karol Rosa, Lara Procópio teve uma nova luta agendada para maio do ano passado. Mas, a pandemia da COVID-19 chegou e impediu que a mineira subisse ao octógono mais uma vez.

Depois disso, foram um ano e cinco meses de espera. Nesse tempo, ela precisou ter muita tranquilidade para aguardar o momento de lutar novamente.

A oportunidade apareceu em Las Vegas, no estado de Nevada, nos Estados Unidos, onde venceu a inglesa Molly McCann nesse sábado. Dessa vez, Lara lutou em sua categoria, de 57 quilos.

“Existia muita pressão antes da luta, porque eu vinha de derrota. Mas, eu consegui controlar bem o emocional, principalmente porque tinha certeza que tinha feito uma boa primeira luta”, afirma.

Agora, Lara vai continuar treinando no Rio até aparecer uma nova agenda no UFC. O desejo dela é lutar já em junho, mas tudo depende de uma oportunidade de Dana White.

Futuro

A carreira dos lutadores de MMA não costuma ser longa. O tempo passa, e o corpo começa a sentir os efeitos das pancadas em sequência e do treino pesado diário.

Diante disso, Lara Procópio tem planos de continuar no esporte, mas para trabalhar com o lado mental dos atletas. “As pessoas acham que você luta uma vez no UFC e fica rica. Isso não é verdade. É preciso investir com inteligência”, diz.

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