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Competição? Precisamos de jogadores de frescobol

A dinâmica dos relacionamentos humanos sob o ponto de vista de estilos de competição: o tênis versus o frescobol sob a ótica de Rubem Alves

Competição nem sempre é necessária para a evolução das relações humanas. Foto: Gil Cavalcanti/Wikimedia Commons.
Competição nem sempre é necessária para a evolução das relações humanas. Foto: Gil Cavalcanti/Wikimedia Commons.
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Poucos escritores no mundo são capazes de usar palavras simples de uma maneira tão poderosa e, utilizando-se de aforismos, metáforas e outros recursos interessantes, criar um texto que seja, ao mesmo tempo, leve, inspirador, reflexivo, delicioso de devorar, mas que também nos dá um soco no estômago.

Rubem Alves é um desses seres iluminados que parecem dialogar diretamente com os olhos que repousam sobre os seus escritos. E penetrar no mais profundo do nosso ser para abalar nossas estruturas. Tudo isso com o intuito de repensarmos a vida e enxergar nosso cotidiano de maneira mágica e benevolente.

Em um dos seus mais fabulosos e conhecidos textos, ele se utiliza de uma comparação entre o tênis e o frescobol para exemplificar as nuances, complicações e necessidades que constituem um relacionamento.

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O objetivo de um tenista é massacrar o seu oponente, fazê-lo suar o uniforme e correr desvairadamente de um lado para o outro até encaixar a bola em um ponto onde o adversário não será capaz de chegar a tempo de não deixá-la morrer no seu lado da quadra.

Para isso, os jogadores utilizam truques de posicionamento, se valem da força e da física para explorar os pontos fracos do seu adversário.

A dinâmica do frescobol é diferente. O entretenimento e graça do jogo é não deixar a bola tocar o solo. Frescobol é parceria, cumplicidade, companheirismo; tênis é concorrência, hostilidade, competição.

Frescobol é comungar na alegria; tênis é fazer o adversário se esvair até a última gota e emitir caretas até a exaustão.

Rubem Alves leva essa temática para os relacionamentos e constrói sábias e proveitosas ilações. Embora ele tenha consolidado suas meditações no campo amoroso, creio que o teor também pode se estender a outros tipos de relacionamento – como as relações: pais e filhos; chefes e funcionários; sociedade e pessoas que precisam de apoio financeiro, moral e psicológico; amigos e amigas; líderes e seguidores, etc.

Afirmo, sem medo de errar, que se a lógica e a prática do frescobol forem estendidas a outros âmbitos da sociedade a humanidade teria muito a ganhar.

Deveria existir um campeonato mundial de “frescobol da vida” para premiar as equipes que mais estivessem sincronizadas no objetivo de se divertir e aproveitar o melhor da vida estando em harmonia com as pessoas ao seu redor.

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