Ex-vereador Cláudio Duarte foi cassado por unanimidade em agosto. Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre.
Ex-vereador Cláudio Duarte foi cassado por unanimidade em agosto. Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre.
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O ex-vereador Cláudio Duarte se manifestou pela primeira vez sobre a cassação do seu mandato ocorrida no dia 1º de agosto. Em publicação na rede social Facebook, o primeiro vereador a perder seu cargo na história da Câmara de BH disse que caiu porque “incomodava” os colegas. Ele também disse que deixou a Casa por ser “inimigo” da Prefeitura de BH.

“Fui julgado e excluído do meio politico, porque eu os incomodava! Não foi feita uma análise se eu tinha cometido crime ou não, o que foi levado em conta era se eu faria parte ou não dos esquemas nojentos da maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte”, disse o ex-PSL.

Cláudio Duarte também disse que várias mentiras foram compartilhadas ao seu respeito. Ele se referiu às ameaças recebidas pela presidente da Câmara de BH, vereadora Nely Aquino (PRTB). O fato aconteceu na véspera da votação do processo que o cassou.


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Alguns vereadores, inclusive Nely, acusaram pessoas ligadas ao gabinete de Cláudio Duarte de enviar um vídeo à presidente da Casa. O conteúdo mostrava o dia a dia do filho dela.

“Nunca fiz isso, ocorre que, talvez, seria a forma mais covarde de me extirparem da Câmara. Pois, diante desse fato, qual vereador iria votar contra a minha cassação, uma vez noticiado ameaça contra uma criança? Mais uma vez afirmo: não fiz e nunca farei nada parecido com o que foi relatado”, garantiu o morador do Bairro Céu Azul, em Venda Nova.

Diálogos com Kalil

Nota Pública!Prezados eleitores e cidadãos belo-horizontinos.Depois de algum tempo, venho me pronunciar sobre os…

Publicado por Cláudio Donizete em Quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Cláudio Duarte também compartilhou nas redes sociais supostas conversas que teria tido com o prefeito de BH, Alexandre Kalil (PSD). Segundo os diálogos, os dois entraram em desavenças por conta de uma publicação do ex-vereador em sua página. O post pautava a enchente que matou quatro pessoas na Avenida Vilarinho em novembro de 2018.

“Demagogo de m… Seu amigo Marcelo (Álvaro Antônio, ministro de Turismo, também do PSL) resolve agora”, teria afirmado o prefeito.


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Na ocasião, Duarte teria respondido o seguinte: “Sr. Prefeito, o digníssimo está cometendo uma grande injustiça dando voz aos meus rivais políticos e deixando de apoiar quem realmente te respeita e valoriza”.

“Estou muito triste e decepcionado com a forma e as palavras com as quais o senhor me dirigiu via telefone, mas de certa forma entendo, porque o veneno dos meus inimigos políticos é quase que letal”, completou Cláudio Duarte, segundo a mensagem.

De acordo com as imagens publicadas pelo ex-vereador no Facebook, o prefeito respondeu: “Morreu gente, seu cretino. Desaparece da minha vida. Não me dirija mais a palavra. Morreu uma mulher com um terço na mão (na Vilarinho), seu vagabundo de m…”, teria afirmado Alexandre Kalil.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a assessoria do prefeito Alexandre Kalil para que ele comentasse o teor das conversas. O contato aconteceu por volta das 13h desta sexta-feira (20). Contudo, o Executivo não se manifestou até a publicação desta matéria.

Caso a prefeitura se posicione, essa matéria será atualizada.

O caso

Na manhã de 2 de abril, a Polícia Civil saiu às ruas para prender temporariamente o então vereador Cláudio Duarte (PSL). A corporação também deteve o assessor Luiz Carlos Cordeiro de maneira temporária. Apreendeu, ainda, computadores e documentos.

A acusação da corporação gira em torno da prática da “rachadinha” dentro do gabinete do vereador. A operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no gabinete. Os policiais foram à casa de Duarte e na sede da União dos Moradores pelo Desenvolvimento Social do Bairro Céu Azul (UMCA), associação comunitária fundada pelo suspeito.

Segundo a polícia, Cláudio Duarte é acusado de desviar cerca de R$ 1 milhão desde o início do seu mandato, em 2017. O vereador responde pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), formação de organização criminosa, concussão (exigir para si ou para outrem vantagem indevida) e obstrução da Justiça.

A pena total, de todos os crimes combinados, pode ultrapassar os 30 anos de reclusão. Segundo o delegado Domiciniano Monteiro, da Divisão de Fraudes e Crimes Contra a Administração Pública, houve casos de funcionários que entregavam R$ 10 mil por mês ao vereador. Os colaboradores ficavam com apenas R$ 1 mil, conforme a polícia.

Ele ficou detido na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH. Mas, Duarte foi solto dias depois, em 12 de abril. Em entrevista exclusiva ao Jornal Norte Livre, o vereador disse que o objetivo do processo era aniquilá-lo.

Segundo Duarte, pessoas de dentro e fora da Câmara queriam sua queda. O motivo, de acordo com o vereador, era a forte ascensão política. O fenômeno teria enfraquecido os demais concorrentes na regional.

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