Fonte: Fiocruz/WMP - Foto: Flávio Carvalho
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Na quarta-feira (26), a soltura de mosquitos Aedes aegypti modificados com a bactéria Wolbachia — para contenção da dengue, zika e chikungunya — voltou à pauta em Venda Nova. De acordo com o World Mosquito Program (WMP), conduzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Belo Horizonte será o primeiro município das Américas a receber um estudo clínico randomizado controlado (RCT – sigla em inglês) para avaliar a eficácia do método. Porém, antes de implantar o teste em toda capital, a Regional receberá, ainda neste ano, os insetos nas áreas de abrangência dos Centros de Saúde Copacabana, Jardim Leblon e Piratininga.

Datas

Em setembro de 2019, a soltura em Venda Nova de 2 milhões de mosquitos com a bactéria Wolbachia causou repercussão negativa, com questionamentos dos moradores sobre os motivos de a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ter escolhido a Regional e os bairros Copacabana, Jardim Leblon e Piratininga em específico.

Conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), à época, mosquitos que carregam essa bactéria têm a capacidade reduzida de transmitir os vírus para as pessoas, diminuindo o risco de surtos de dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

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Além disso, afirmou que se tratava de uma parceria entre a PBH, por meio da SMSA, com a Fiocruz e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e a escolha por Venda Nova passava pela “análise das séries históricas de infestação por Aedes aegypti e incidência de doenças causadas pelo mosquito”.

Segundo a pasta, no intervalo de 16 a 20 semanas, serão soltos, nos bairros escolhidos, 2 milhões de mosquitos a cada semana. Desde 2019, porém, o insetário ainda está em trâmite, o que adiou a soltura.

Agora, com a necessidade de implantação do estudo randomizado (RCT), a previsão de liberação dos mosquitos se encurtou para até o fim do ano de 2020.


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Dengue em BH

Até o dia 20 de agosto, Belo Horizonte confirmou 4.415 casos de dengue, sendo 622 confirmados em Venda Nova. Houve, em abril, uma morte na cidade pela doença, mas o paciente tinha comorbidades. Até o dia 14 de agosto, foram notificados (ainda em fase de confirmação) 44 casos de zika e 42 de chikungunya.

O que é o Método Wolbachia

A Wolbachia é um microrganismo intracelular e não pode ser transmitida para humanos ou animais. O método é natural, não coloca os ecossistemas naturais em risco e é autossustentável. Nem os mosquitos nem a bactéria Wolbachia sofreram qualquer modificação genética.

A Prefeitura de Belo Horizonte destinou local onde funcionava o Centro de São Francisco para construção da biofábrica dos mosquitos. Para saber detalhes do Método Wolbachia, veja o vídeo abaixo.

O estudo randomizado controlado (RCT)

Após a soltura dos pilotos nas áreas de abrangência dos Centros de Saúde Copacabana, Jardim Leblon e Piratininga, Belo Horizonte, por meio do Projeto Evita Dengue, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, implantará nas nove regionais o estudo randomizado controlado (RCT) para avaliação da eficácia do Método Wolbachia.

Na primeira etapa, serão soltos mosquitos com a bactéria Wolbachia na área de 29 escolas públicas de Belo Horizonte; na segunda etapa, em mais 29 escolas. Em seguida, 60 crianças, entre 6 e 11 anos, matriculadas nessas 58 instituições de ensino municipais, serão convidadas a doarem uma pequena amostra de sangue (com a autorização dos responsáveis) para detecção se houve ou não contato com os vírus da dengue, zika ou chikungunya.

Os mosquitos com a Wolbachia não transmitem a doença, e o estudo servirá para atestar a eficácia do método Wolbachia

A pesquisa “é uma colaboração científica entre a UFMG e a Universidade de Emory, a Universidade Yale e a Universidade da Flórida, todas nos Estados Unidos”, e é coordenada pelo professor Mauro Teixeira. Para saber mais o ensaio clínico randomizado controlado por cluster, clique aqui.

Um estudo semelhante foi conduzido pelo WMP em parceria com a Tahija Foundation e a Universidade Gadjah Mada, na Indonésia. Conforme primeiros resultados divulgados na quarta (26), houve a redução de 77% na incidência de casos confirmados de dengue onde aconteceu a liberação dos mosquitos com a Wolbachia.

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