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Nomes de bairros de Venda Nova homenageiam a cultura indígena

No Dia da Resistência Indígena, mais conhecido como Dia do Índio, o Norte Livre resgata a origem das palavras que dão nome aos bairros Mantiqueira, Piratininga e Copacabana

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Por Gabriel Ronan e William Araújo

Nesta quinta-feira, comemora-se o Dia da Resistência Indígena (Dia do Índio). A data 19 de abril foi escolhida graças ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu no mesmo dia em 1940.

Calcula-se que existam mais de doze etnias vivendo em Minas Gerais, entre elas estão os Maxakali, Xakriabá, Krenak, Aranã, Mukuriñ, Pataxó, Pataxó hã-hã-hãe, Atu-Awá-Arachá, Caxixó, Puris, Xukuru-Kariri e Pankararu.

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Aranãs, Xakriabás, Kaxixós, Pataxós, Pataxós hã-hã-hãe e algumas outras são comuns na Região Metropolitana de Belo Horizonte, de acordo com o Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes).

Em Venda Nova, residem indivíduos da etnia Pataxó hã-hã-hãe, porém não quiseram gravar entrevista.

Por ter mais de 300 anos, Venda Nova é como a irmã mais velha de Belo Horizonte e também guarda resquícios da cultura indígena. Bairros como o Mantiqueira, Piratininga e Copacabana carregam uma homenagem a essas etnias.

Mantiqueira e Piratininga conectados ao tupi-guarani

Com mais de 20 mil habitantes, o bairro Mantiqueira surgiu da divisão de um terreno pertencente à empresa Mercantil e Territorial Nacional S.A em 1977. Antes, a localidade era subdividida em três bairros: Rachel, Pedra Branca e Maria Helena, que se juntaram para dar origem ao nome em 1996.

O nome Mantiqueira vem do idioma tupi-guarani e significa “serra que chora”, em alusão ao volume das quedas d’água que desciam durante o período chuvoso.

Placa Mantiqueira – Fonte – Google Street

Também com conexões com tribos tupis-guaranis, o bairro Piratininga carrega uma combinação de duas palavras indígenas: “pira”, que significa peixe, e “tininga”, que simboliza o adjetivo seco.

Piratininga era justamente o nome indígena dado à cidade de São Paulo, graças ao rio Tietê, que, quando transbordava, encalhava uma grande quantidade de peixes.

Esses animais morriam e, posteriormente, ficavam secos pela exposição ao sol. O peso da tradição fez com que o movimento artístico modernista – por meio do Manifesto Antropofágico (DE ANDRADE, Oswald, 1928) e do Manifesto da Poesia Pau Brasil (DE ANDRADE, Oswald, 1924) – exigisse que a palavra Piratininga fosse considerada sinônimo da cidade de São Paulo.


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Hoje, o estado de São Paulo abriga um município de mesmo nome, situado na região de Bauru. Em Venda Nova, o bairro Piratininga leva a mesma nomenclatura desde sua aprovação, em 1974.

Bairro “kupa kawana” (Copacabana)

Aprovado em 1948, pelo então prefeito de Santa Luzia, Antônio de Castro e Silva, o bairro Copacabana não nasceu com esse nome. Inicialmente, a localidade levava a alcunha de Parque Copacabana, mas, em 1983, recebeu a nomenclatura atual.

A palavra “Copacabana” vem do idioma quéchua – originário da civilização Inca, que habitava a América do Sul – e a partir da palavra original “kupa kawana” significa “olhando o lago”. A origem do significado vem de uma santa esculpida pelo índio Tito Yupanqui, no século XVII. A imagem foi armazenada às margens do Lago Titicaca, na fronteira entre Peru e Bolívia, o que origina o termo “olhando o lago”.

Ironias a serem enfrentadas

Estima-se que na Região Metropolitana de Belo Horizonte residam, atualmente, quase cinco mil indígenas, de acordo com o último censo de 2010. Entretanto, mesmo com as alusões aos povos que estiveram ou transitam pela RMBH, as etnias sofrem com o preconceito.

De acordo com Avelin Buniacá Kambiwá, parlamentar do colegiado Gabinetona, da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), a questão indígena é muito mais ampla do que parece. Aproximadamente, 38% dos povos indígenas estão em contexto urbano e quando saem das aldeias perdem o assistencialismo.

Para saírem das próprias aldeias, indivíduos indígenas precisam da permissão do pajé. Quando migram para os perímetros urbanos, não conseguem emprego, moradia ou condições para se manterem.

Em 2014, o Ministério Público Federal (MPF) percebeu essa dificuldade e solicitou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) tomasse medidas para sanar o problema.

Enquanto a demanda tramita, famílias de várias etnias indígenas continuam em ocupações urbanas ou vivem o nomadismo na esperança de se posicionarem nas cidades.

Abaixo, a equipe da Gabinetona exibe o vídeo feito para o evento Indianiza BH, promovido nesta semana.

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