Foto: LSUS Athletics
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Sair do Brasil com apenas 18 anos em busca de melhores condições para realizar o sonho de se tornar jogador profissional de futebol. Essa é a história da ainda curta carreira do vendanovense Vitor Teixeira França, atleta de 22 anos que atua na Louisiana State University Shreveport (LSU Shreveport), onde também estuda um curso similar à educação física.

O jovem atua como volante e sonha em prosseguir sua carreira de jogador nos EUA. “O que quero é conseguir um contrato com algum clube daqui. Se não der certo, voltarei para o Brasil, onde vou querer trabalhar com educação física”, conta Vitor França.



Segundo ele, a ideia nasceu em conversas com a mãe. Como ele já tinha 16 anos, sabia das dificuldades de encontrar espaço nos grandes clubes de Minas Gerais e do Brasil, uma vez que os elencos desses times a partir da categoria juvenil não costumam mudar muito. “Com 16 anos, ou você tem alguém muito forte ao lado para conseguir uma vaga ou tem muito talento, o suficiente para os clubes abrirem as portas. É complicado”, ressalta.

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Em meio aos debates com os parentes, a mãe de Vítor conversou com a mãe de uma jovem que treinava com o então adolescente em uma academia de Belo Horizonte. Lá, a mulher contou à genitora do vendanovense que conhecia uma empresa que fazia a intermediação entre atletas brasileiros e universidades estadunidenses.

Foi então que Vítor conheceu Bernardo Cozzi, que o levou até uma universidade localizada na Virgínia, onde ele permaneceu por cerca de um ano, antes de rumar à Louisiana.

No início, segundo o jovem, as maiores dificuldades foram a língua e o frio enfrentado durante o inverno. A primeira limitação ele superou logo no primeiro ano, quando se tornou fluente no inglês. A segunda, no entanto, ainda “tira o sono” do rapaz.

Ele também cita como dificuldade a distância dos amigos e familiares. Lembra, ainda, da namorada, que o acompanha desde que rumou aos Estados Unidos mas continua vivendo no Brasil.

Além disso, o atleta ressalta a questão física, vista por ele como principal diferença entre o futebol praticado no Brasil e o jogado na potência econômica. “No primeiro ano, ganhei oito quilos só de massa muscular para aguentar o impacto. É muito choque, muita pancada mesmo. Tática e fisicamente, eles estão muito à frente. Eles têm respeito pela profissão”, salienta. Contudo, também ressalta que o nível técnico está abaixo do praticado no país que abriga mais títulos de Copa do Mundo na história.

Vítor França também sentiu a diferença no espaço da mulher no futebol. Segundo ele, nos Estados Unidos elas têm o mesmo espaço e oportunidade deles. A diferença é vista diretamente no desempenho da seleção norte-americana nos torneios internacionais: os EUA conquistaram quatro dos oito mundiais disputados até hoje, enquanto o Brasil tem como melhor resultado o vice-campeonato em 2007.

Vítor França de azul – número 28 – Foto: LSUS Athletics

Curiosidades

Além de conhecer o país norte-americano, o “intercâmbio esportivo” de Vítor França nos Estados Unidos serve para que ele conviva com culturas de todo o mundo. Segundo o jogador, o time da universidade tem atletas do mundo inteiro: escoceses, ingleses, sul-africanos, nigerianos, colombianos, mexicanos e apenas um estadunidense, que, ainda assim, é de família mexicana.

Quanto às disputas nos EUA, o atleta contou ao Jornal Norte Livre como funciona o regulamento das competições. Primeiramente, a universidade enfrenta equipes escolhidas pelo próprio técnico da equipe. São cerca de 10 jogos. Neles, o principal objetivo é bater universidades que estão acima na classificação nacional, com objetivo de alcançar posições melhores no mesmo ranqueamento.

Depois, a universidade disputa um torneio regional, com outras instituições localizadas nas proximidades, as chamadas conferências. O agrupamento da LSU Shreveport tem oito equipes, sendo que seis delas se classificam: as duas primeiras vão diretamente para as semifinais e as outras quatro disputam as outras duas vagas. Em seguida, ocorrem as semis e a grande final.

O vencedor da conferência carimba o passaporte para o torneio nacional. Caso o ranking do vice-campeão também seja alto, ele garante passagem para esse campeonato – exatamente o caso da universidade de Vítor.
O torneio nacional acontece sempre em uma só sede. Na temporada passada, o estado da Califórnia sediou a competição. As disputas envolvem 48 equipes de todo o país e têm duas fases: na primeira, as 32 piores colocadas no ranking se encaram para conquistar 16 vagas para a segunda etapa.

No final, jogam as 16 classificadas da segunda etapa e as 16 que estava habilitadas via ranking. Daí, acontece como na Copa São Paulo de Futebol Júnior: jogos de mata-mata.

YouTube

As experiências vividas por Vítor França foram tantas nos Estados Unidos que o jogador de futebol criou um canal no YouTube (Vítor Franca EUA) para mostrar a outros jovens como é a vida no país exterior. O endereço tem pouco menos de 300 inscritos.

“Meu objetivo é mostrar que não precisa de muito dinheiro para vir pra cá. Muita gente pensa que é caro, mas você recebe bolsa e pode ter uma boa oportunidade se tiver talento”, garante França.



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