Créditos da imagem Gerhard G. por Pixabay
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Ano passado, não fosse a pandemia, teríamos mais uma edição de um dos eventos que mais gosto de assistir – as olimpíadas.  Meu fascínio pelos jogos olímpicos se deve ao fato de eu achar muito interessante ver os atletas desafiarem, além dos seus próprios limites, as leis da física e realizarem apresentações fantásticas. 

Mas, as inferências que trago neste texto não serão apenas para abordar fatos relacionados ao tão grandioso evento. Eu gostaria de te convidar a ignorar os limites da razão humana e embarcar comigo numa breve viagem. 

Existe uma frase – frequentemente atribuída a Einstein, embora não seja possível afirmar com certeza que ele seria mesmo o autor – que diz: “Todo mundo é um gênio. Mas se você julgar um peixe pela sua habilidade de subir em árvores, ele viverá o resto de sua vida acreditando que é um idiota.”

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Vamos nos permitir um pouco de delírio e ativar as engrenagens da mente para imaginar uma olimpíada do reino animal.

Você é capaz de conceber um elefante competindo numa prova de salto com vara? Ou uma dupla de tigres realizando nado sincronizado? Ou até mesmo tartarugas lutando boxe? 

Parece pouco provável que tais animais conseguiriam executar essas tarefas. Mas, se mudarmos alguns participantes de modalidade, colocando cangurus para lutar boxe, golfinhos para executar o nado sincronizado e macacos para saltar com vara, seria possível assistir a um belo espetáculo. 

Acho que você conseguiu compreender onde quero chegar. 

Nós, seres humanos – considerados o elo mais importante e consciente da cadeia evolutiva –, ainda pensamos muito primitivamente no que diz respeito à diversidade e princípio de relevância universal de cada um que coloca os pés no campo da vida.  

Constantemente, tentamos utilizar métricas ultrapassadas para avaliar a capacidade das pessoas. Temos balanças defeituosas para mensurar o peso das decisões alheias; temos réguas danificadas para calcular o tamanho do sucesso que tal pessoa alcançou – ou não – na vida; e temos milhares de outros utensílios de medidas inúteis, mas que usamos sem perceber que não existe um padrão real para estimar toda a grandeza e complexidade do ser humano. 

No início dos anos oitenta, Howard Gardner – um estudioso da Universidade de Harvard – concluiu, por meio de pesquisas, que a inteligência humana é subdividida em nove modalidades. São elas: Inteligência Linguística, Inteligência Lógico-matemática, Inteligência Espacial, Inteligência Pictórica, Inteligência Musical, Inteligência Corporal-sinestésica, Inteligência Naturalista, Inteligência Interpessoal e Inteligência Intrapessoal. 

O estudo implodiu as bases das ciências comportamentais e ergueu novos e melhores conceitos sobre as habilidades humanas.

Antes dessa descoberta, a teoria mais aceita acerca da inteligência humana havia sido formulada por Alfred Binet – criador do teste de inteligência que mede o QI (Quociente de Inteligência) –, porém, as áreas de avaliação eram bastante limitadas, pois compreendiam provas relacionadas apenas à matemática e linguagem. 

Hoje, com o avanço de estudos nas áreas do comportamento humano e neurociências, sabemos que o QI não é um fator determinante para o sucesso e bem-estar de uma pessoa.

Daniel Goleman – precursor no campo da psicologia positiva – já demonstrou com maestria que o QE (Quociente Emocional) é um tipo de inteligência imprescindível para o êxito do ser humano. 

Ainda assim, mesmo com todas essas informações comprovadas cientificamente, as escolas e a sociedade continuam tentando treinar “peixes para subir em árvores”. E os indivíduos tão importantes para mover o mundo adiante ainda são preteridos e vilipendiados. 

Existe uma relevância grandiosa em cada ser, mas a consciência coletiva ainda é míope o bastante para não conseguir enxergá-la. 

Um gari é um atleta de alta performance, mas como ele não está correndo atrás de um prêmio durante seu cotidiano, ele não é tão prestigiado quanto Usain Bolt.

Um salva-vidas é deveras precioso, mas ele não tem uma torcida tão grande como a de Michael Phelps.

Um agricultor sabe exatamente a estação certa pra cultivar sementes e consegue reconhecer com precisão as mudanças climáticas, as quais estações meteorológicas não são capazes de identificar, mas esse conhecimento valioso não gera admiração ou entusiasmo nos veículos de comunicação.

A sociedade moderna precisa imediatamente parar de rotular as pessoas e colocá-las nas caixinhas de “bem-sucedido”, “fracassado”, “inteligente”, “burro”. 

Dirigir bem é inteligência, saber acalmar uma pessoa é inteligência, fazer uma faxina bem-feita é inteligência, desenhar bem é inteligência, executar tarefas pesadas também é uma forma de inteligência. 

Eu conheci um pedreiro com instrução escolar básica que sabe interpretar uma planta baixa de maneira muito melhor que centenas de engenheiros civis e arquitetos.

Há anos, convivo com uma senhora que, apesar de iletrada, consegue chegar a um ponto do outro lado do mundo se você apenas escrever o endereço em um papel e entregar em suas mãos. Sem contar que ela faz os próprios produtos de limpeza (detergente, sabão, desinfetantes, etc.) reproduzindo de cor receitas que lhe foram ensinadas.

Além disso, cozinha com excelência se valendo apenas da memória como base para criar as refeições. 

Todo ser humano possui algum nível importante de saber e a soma de todas as inteligências é o que nos faz ascender coletivamente nos degraus da existência.

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