No início de abril, falta de espaço no necrotério da UPA Venda Nova forçou profissionais de saúde a enrolar corpos em cobertor. Foto: reprodução/WhatsApp.
No início do mês, falta de espaço no necrotério da UPA Venda Nova forçou profissionais de saúde a enrolar corpos em cobertor. Foto: reprodução/WhatsApp.

Vivemos o auge da pandemia. Em abril, a prefeitura registrou 99 mortes por COVID-19 em Venda Nova. Apesar de o mês ainda não ter acabado, esse já é, com larga vantagem, o período com mais óbitos pela doença na Regional desde o início da pandemia.

Até o último boletim da prefeitura, dessa sexta (23), Venda Nova computava 429 mortes em decorrência do novo coronavírus. Portanto, 23% dos óbitos aconteceram em abril.

De acordo com os levantamentos da PBH, esse é o recorde absoluto entre os meses da pandemia em Venda Nova. Antes, a liderança pertencia a agosto de 2020, quando 57 vidas foram perdidas.

O salto no número de mortes acontece na esteira do colapso do sistema de saúde. No último dia 30, o Norte Livre noticiou a situação crítica pela qual passava a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Venda Nova.

“Nós temos a UPA de Venda Nova com a lotação esgotada. Tivemos casos de pacientes precisando de um ponto de oxigênio, mas todos os pontos da UPA já estavam sendo usados”, afirmou, àquela época, Carla Anunciatta. Ela é a presidente do Conselho Municipal de Saúde.

Além disso, outro problema era a falta de espaço para o recebimento de novos leitos. Na UPA Venda Nova, a sala de enfermaria havia se tornado área para pacientes graves com COVID-19, os intubados.

Maio pode ser um “novo abril”

Em 22 de abril, a Prefeitura de BH iniciou uma nova reabertura do comércio. Com ela, a maioria dos serviços não essenciais voltaram a funcionar.

Como uma das regionais mais comerciais da cidade, Venda Nova agradeceu do ponto de vista econômico, mas a possibilidade de aumento da transmissão do vírus preocupa no próximo mês.

As quantidades de mortes e casos de COVID-19 estão diretamente relacionadas aos indicadores da pandemia. Principalmente, o fator RT. Ele mede a velocidade de contágio pelo vírus na cidade.

A estatística está na zona de controle da escala de risco, abaixo de 1. O número médio de transmissão é de 0,93. Ou seja, a cada 100 pessoas doentes em BH, outras 93 se tornam vítimas da pandemia em média.

Porém, a reabertura da cidade causa, evidentemente, uma redução do isolamento social no próximo mês. Portanto, certamente o RT deve sofrer aumento nas próximas semanas.

Mas, o crescimento dessa estatística depende do comportamento da população. Ele pode ser substancial e causar um novo colapso do sistema de saúde ou se manter em uma faixa na qual os hospitais e UPAs conseguem administrar.

“Esse aumento do RT, quando você faz a reabertura tende a acontecer. Mas, quanto ele vai aumentar depende de nós, da população do município. Se nos conscientizarmos da importância do uso de máscara e de se evitar aglomerações, vamos evitar um novo fechamento da cidade”, afirma o infectologista Geraldo Cunha Cury, da UFMG.

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