Artista promove, nos dias 29 e 30 de novembro, a 11ª edição do Encontro Minas na MPB, no Sesc Venda Nova. Foto: Will Araújo/Jornal Norte Livre.
Advertisement

Quando chegamos em Venda Nova, conhecíamos pouco da cena cultural da região. Ainda conectávamos em um novo lugar de trabalho, um novo emprego. Dias depois, no entanto, chegou em nossa caixa de entrada um e-mail de divulgação de um show que ocorreria no Centro da cidade, com a participação de um músico da região. O tempo passou e José Teixeira de Souza Sobrinho, de 57 anos, mais conhecido como Zé Teixeira, continua levando o nome de Venda Nova para Minas Gerais por meio da voz e do violão.

Assim que cheguei à casa do Zé para entrevistá-lo para essa matéria, me dirigi a uma sala com vários CDs e DVDs de música, além, é claro, de um violão.

Sentei-me em uma aconchegante cadeira e ali, muitíssimo à vontade, aguardei o músico se aprontar para a sequência de perguntas e respostas.

Começa a entrevista e a simplicidade que o cerca faz a conversa fluir com velocidade anormal para o jornalista. Não poderia ser diferente, já que Zé Teixeira, assim como boa parte dos belo-horizontinos de sua idade, é filho do êxodo rural.

Isto é, das famílias que vinham do interior de Minas para a capital em busca de melhores oportunidades de vida. 

A jornada do músico de Venda Nova começou em Água Boa, na Região do Vale do Rio Doce, em 1961. Com nove irmãos – dois morreram ainda crianças – Zé Teixeira recorda da vida no interior com carinho. A família era ribeirinha e plantava para comer e ganhar alguns trocados. 

Em 1970, enquanto Pelé e companhia desfilavam pelos gramados mexicanos e conquistavam o tricampeonato mundial, Zé desembarcou em BH. “Mistura de espanto e encantamento”: assim, o artista define o primeiro contato com a energia elétrica.

Por sete anos, a família Teixeira migrou de bairro em bairro e até fundou uma vila, hoje chamada Humaitá, na Região Nordeste de BH. Em 77, finalmente, Zé veio para Venda Nova e se instalou no Bairro Jardim dos Comerciários, onde mora até hoje.

O primeiro contato com a música aconteceu ainda aos 6 anos. Cantava pela casa músicas de Jerry Adriani, Luiz Gonzaga e Sérgio Reis. Do primeiro, recorda a canção “Coração de Cristal”, a preferida da infância. 

Em 1971, já em BH, Zé Teixeira se interessou pelo violão. Tinha um primo, José Eudes, que tinha o instrumento, mas não gostava de ensinar. O jovem artista decidiu, então, aprender flauta doce sozinho.

Contudo, Teixeira sonhava mesmo era com o violão. Em 1977, conheceu o amigo Pira, de quem lembra com o maior dos carinhos.

“Foi a tocha que me acendeu para a música”, recorda. A amizade funcionava como uma sociedade: enquanto Pira ensinava Zé o instrumento, o vendanovense escrevia cartas para o colega entregar à namorada. 

Dali pra frente, Zé Teixeira adquiriu um violão de terceira categoria, já que era o que dava pra pagar com o salário de office boy. Em 1982, no entanto, o destino começou a mudar: o músico venceu um festival em Venda Nova com a música “Reflexão”. 

A primeira conquista impulsionou muitas outras. Até 1988, venceu festivais em Rio Casca e São Pedro dos Ferros e ficou bem colocado em outros, realizados em Sabará, Bom Despacho e Ubá.

Neste último, na Zona da Mata mineira, confessa que o resultado poderia ter sido melhor caso tivesse mais conhecimentos musicais.

Ainda jovem, Zé Teixeira tinha uma orquestra à disposição caso quisesse. Contudo, o violão não estava afinado em diapasão, o que impediu a participação dos outros músicos. “Com certeza, se eu soubesse, teria ganho”, pontua. 

Anos depois, em 1996, Zé Teixeira alcançou a maior conquista da carreira musical: se tornou finalista do Festival da Globo Minas e gravou o primeiro álbum, lançado no ano seguinte e denominado “Viver de Novo”. Desde então, o artista lançou outros dois trabalhos: “Irreverências (2004)” e “Alquimista (2010)”, esse último inclusive em DVD. 

O dom para música presenteou Zé não só com premiações, mas também serviu para conquistar o coração da esposa Néia França. O casal se conheceu na década de 1980, enquanto o artista ensinava violão para ela.

Juntos há décadas, eles têm, hoje, dois filhos e moram na Rua José Teixeira de Souza, em homenagem ao tio do músico, há 27 anos. 

Além da música, Zé Teixeira é empreendedor cultural, servidor público da área da saúde e porta-bandeira de Venda Nova. A primeira função o incentiva, inclusive, a promover o evento “Encontro Minas na MPB”, que terá sua 11ª edição realizada no Sesc Venda Nova, no Bairro Novo Letícia, nos dias 29 e 30 de novembro deste ano.

Curta e compartilhe nas redes sociais
320Shares