Buraco aberto pela empresa responsável pela obra leva transtorno a moradores - Fot: Bruno Henrique dos Santos
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Atrasadas desde 2011, pausadas em 2016 e retomadas em maio de 2019, as obras de tratamento de fundo de vale e contenção de cheias da bacia do Córrego do Nado avançam, mas, segundo moradores do Bairro Santa Mônica – um dos mais afetados pelo projeto -, com transtornos diferentes a cada dia. Dessa vez, um buraco aberto na esquina da Rua José Maria Botelho com Rua Rui Barbosa leva perigo ao muro de uma residência, conforme vizinhos. Veja a resposta da Sudecap no final da matéria.

Transtornos no Lareira e Marimbondo

Segundo o morador da Rua José Maria Botelho, Bairro Santa Mônica (Córrego Marimbondo), Bruno H. dos Santos, 35, serralheiro, o problema não fica retido à poeira, mas também à quantidade de trabalhadores em atuação na via. Conforme relato, em alguns dias, ficam apenas dois funcionários da empreitada escalados para o local.

No Bairro São João Batista (Córrego Lareira), Rômulo Oliveira, 44, economista, denuncia que as obras estão sem andamento adequado. “Eles fazem uma maquiagem, com uns passeios, tudo o mais, mas o primordial eles não fazem, que é, justamente, a canalização do esgoto, o que era prometido”, afirma o morador.

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Conforme moradores, rachaduras apareceram logo após a intervenção que causou o buraco.

Líder comunitário Paulo Barzel fala sobre os transtornos das obras.

Descaso?

A obra tem o objetivo de atuar nos córregos Marimbondo (Bairro Santa Mônica) e Lareira (Bairro São João Batista), que são contribuidores da bacia do Córrego do Nado. Por isso, uma série de intervenções são necessárias da Rua José Maria Botelho e outras adjacentes. O mesmo ocorre em vias do Bairro São João Batista.

As obras têm recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (Pac2), estão orçadas em aproximadamente R$ 39 milhões e a  empresa vencedora da licitação, aberta em 2019, foi a Engibras Engenharia. O prazo máximo para conclusão do projeto é 540 dias a partir das primeiras intervenções.

No dia 28 de abril de 2019, por meio da Coordenadoria de Atendimento da Regional Venda Nova (Care-VN) e técnicos da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), foi apresentado o projeto de execução em reunião com a comunidade. Na ocasião, desavenças sobre a desapropriação de terrenos e casas causaram a alteração dos ânimos.

Aparentemente, os conflitos não terminaram ali. No dia 19 de fevereiro de 2020, novas discussões eleveram o tom quando a empresa Engibrás descarregou manilhas na Rua Ministro de Oliveira Salazar e parou o trânsito. O evento gerou ameaças e intervenções de comerciantes nos maquinários presentes.

Na mesma semana, houve reunião organizada entre a engenheira fiscal da Sudecap, com a comunidade, comerciantes e Geraldo V. Figueiredo, responsável pela Engibras. Os moradores e lojistas, ao saberem que a via seria interditada por vários dias para procedimento com as manilhas, ficaram exaltados e tentaram um acordo para que os trabalhadores da obra pudessem aproveitar o feriado de carnaval para adiantar o serviço.

À época, o responsável pela Engibras, Geraldo, disse que a empresa não trabalharia durante o carnaval para adiantar os processos e minimizar o período de interdição, foi xingado por um comerciante, virou as costas e foi embora.

Dias depois, outro problema. Com as chuvas, moradores da Rua José Maria Botelho enfrentaram o alagamento de suas casas após a Engibras ter fechado as bocas de lobo da via com cimento.

Imagens enviada via WhatsApp por moradores da Rua José Maria Botelho

O Jornal Norte Livre questionou a Sudecap sobre o assunto e obteve a seguinte resposta:

“A desativação das bocas de lobo da via foi necessária devido a rede do local ser muito antiga e estar comprometida, mas uma nova rede com maior capacidade já está sendo feita. Trata-se de túnel-bala subterrâneo que está sendo executado por método não destrutivo.”

Ainda, os moradores reclamavam da quantidade de poeira erguida pela obra e não contida pela empresa Engibras. Obtivemos a seguinte resposta:

“Todas as obras tomam medidas para minimizar os transtornos provocados com sua execução, tais como a utilização de caminhões-pipa para reduzir a poeira na obra em questão. Será verificada pela executora a necessidade de ampliar as ações para minimizar impactos no local.”

O que diz a Sudecap

O Jornal Norte Livre, novamente, fez contato com a Sudecap para saber sobre o andamento e posicionamento perante os questionamentos dos moradores. Seguem perguntas e respostas.

Qual a data prevista para finalizar as obras do Pac2, de tratamento de fundo de vale e construção de bacia de contenção no Córrego do Nado?
– A previsão de conclusão das obras é no 1º semestre do ano que vem.

Qual o andamento da mesma até agora?
– A obra se encontra avançada onde já foram concluídos 100% da canalização, 60% da rede interceptora de esgoto, 20% da Bacia 01, 70% das redes de drenagem, e já iniciados os serviços de Urbanização, do Córrego Lareira, já no Córrego Marimbondo foi executado 100% do mini-túnel, e estão em execução as duas caixas que fazem a interligação do mini-túnel com o Córrego que chega na Av. Álvaro Camargos (Antiga 12 de Outubro), além da conclusão da canalização do trecho entre rua Rui Barbosa e Rua Alberto de Oliveira.

Em primeiro momento, ocorreria a mobilização da comunidade. Nesta etapa, o que é previsto e qual o prazo de fim?
– Alguns líderes comunitários estiveram na obra com o Diretor de Obras da Sudecap, Adriano Morato, que os explicou todo o escopo da obra, informando-os que num primeiro momento teria um impacto na região por se tratar de uma obra de instalações de redes de drenagem e interceptores de esgoto em uma área altamente adensada, mas que traria benefícios após a conclusão. Beneficiando toda a região com tratamento de esgoto e evitando alagamentos no local.

Acerca da rua que cedeu e leva risco de desabamento ao muro da casa de uma senhora (veja imagens), o que a Sudecap fará? 
– A Sudecap está tomando todas a medidas necessárias para que se consiga estabilizar o terreno, porém é importante esclarecer que o buraco não abriu. O que está sendo feito é uma escavação para execução da caixa acima citada para que se consiga ligar o Córrego Marimbondo no mini–túnel.

A PBH é responsável por fiscalizar a obra, mas existe uma reclamação recorrente dos moradores do Bairro Santa Mônica sobre os procedimentos da Engibrás. Qual metodologia a PBH/Sudecap adotará para amortecer esses conflitos? 
– A fiscalização é técnica e exige que a empresa cumpra todas as cláusulas previstas em contrato, cabendo em caso de descumprimento as penas constantes no mesmo.

Especificamente, sobre a Rua José Maria Botelho com Rui Barbosa, quando a obra findará naquele local?
– Em 30 trinta dias.

Qual compromisso da PBH/Sudecap com os moradores?
– Executar a obra dentro do cronograma e escopo no menor prazo possível, e manter canais de comunicação sempre abertos ao diálogo com a comunidade.

Existe alguma regra contratual que compromete a empresa responsável Engibrás a operar a obra sem causar transtornos aos adjacentes? 
– Obras de drenagem e esgotamento sanitário podem causar transtornos. A Sudecap busca sempre minimizar ao máximo os incômodos temporários gerados.

Segundo moradores, deram o prazo de 60 dias para finalizar uma caixa de escoamento no local e não cumpriram. Em seguida, prorrogaram para 45 dias e também não cumpriram. O que a PBH está fazendo para que a empresa responsável (Engibrás) cumpra com prazos?
– O prazo que foi pactuado com os líderes comunitários foi de executar o Mini-túnel (Túnel-Bala) em 40 dias e o mesmo foi cumprido. O cronograma contratual da obra está sendo cumprido.

Hoje, por exemplo, tem apenas seis funcionários.
– Esta informação não procede. A obra possui 70 funcionários. Por se tratar de uma área de intervenção muito ampla, existem sete frentes de serviços simultâneos atualmente, com maior concentração de funcionários na Barragem de concreto do Córrego Lareira, que deve aproveitar o período de seca para ser concluída.

Linha do tempo

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D."Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo

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