Foto: Adão de Souza/PBH
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Há poucas semanas como epicentro da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) em Belo Horizonte, Venda Nova apresenta 63 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) confirmados para SARS-CoV-2 e a segunda maior taxa de letalidade para esses pacientes. Na Regional, a cada 100 pessoas no quadro clínico de SRAG e com Covid-19, 22 morrem.


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Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA), por meio do último boletim epidemiológico — de 27 de julho. Segundo relatório, Venda Nova não é o local com o maior número de casos de SRAG confirmados para SARS-CoV-2 — o Barreiro tem 353 diante dos 278 da Regional —, mas apresenta letalidade de 22,66% dos pacientes, ficando abaixo somente do Centro-sul, o qual demonstra 23,37% de mortes para internações graves.

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Taxa de letalidade de casos de SRAG confirmados para SARS-CoV-2 por Regional:

  • 1 – Centro-sul: 23,37%
  • 2 – Venda Nova: 22,66%
  • 3 – Noroeste: 19,37%
  • 4 – Norte: 19,33%
  • 5 – Nordeste: 18,15%
  • 6 – Pampulha: 17,08%
  • 7 – Barreiro: 15,58%
  • 8 – Oeste: 14,54%
  • 9 – Leste: 14,28%

Em dúvida sobre os motivos de Venda Nova, mesmo não sendo a Regional com mais casos, ainda ter uma das maiores taxas de letalidade, o Jornal Norte Livre questionou a SMSA sobre o assunto. Venda Nova seria um local com pacientes com mais comorbidades? A Secretaria respondeu que não existem estudos da própria Prefeitura de Belo Horizonte neste sentido, pois “as ações de combate a pandemia são realizadas contemplando todo o município”.

Perguntada se os protocolos seguidos em Venda Nova para internação e velocidade de atendimento diferem em algum momento dos demais, a SMSA respondeu:

“Todos os pedidos de internação hospitalar passam pela Central de Internação (CINT). O sistema é dinâmico e funciona 24 horas por dia, sete dias da semana. Quando a solicitação chega à Central de Internação, o quadro clínico do paciente é avaliado por um médico regulador e de acordo com a disponibilidade de vagas, o paciente é encaminhado para o hospital. A CINT faz busca ativa em todos os hospitais que atendem à Rede SUS-BH para definir as transferências. Para a liberação da vaga são utilizados critérios de prioridade que incluem gravidade e leito disponível. O tempo de espera varia de acordo com a especialidade do leito e a especificidade do caso”.

É possível saber se o atendimento na Regional segue os protocolos?

Conforme a SMSA, todos os pacientes que vieram a óbito na capital tinham algum tipo de comorbidade e o protocolo adotado foi o mesmo. Reafirmou, ainda, que dos “152 centros de saúde de Belo Horizonte, a regional Venda Nova conta com 17 unidades, que estão preparadas e capacitadas para atender a população com sintomas de doenças respiratórias, além dos demais usuários que procurem as unidades com outras queixas clínicas agudas, conforme rotina habitual. Os pacientes com suspeita de Covid-19 são acompanhados por meio de telemonitoramento. O acompanhamento por telefone também inclui o monitoramento dos contatos domiciliares destes casos”.

Porém, um(a) morador(a) do Bairro Lagoa contrapõe a PBH e denuncia o descaso do Centro de Saúde Lagoa, situado na Rua José Sabino Maciel, 176. De acordo com a testemunha, que preferiu manter o anonimato, o pai sentiu alguns sintomas do Covid-19, ficou em dúvida e fez um exame PCR (sigla em inglês para reação em cadeia da polimerase) em laboratório particular. O resultado para o novo coronavírus deu positivo.

Após ter o resultado em mãos, no dia oito de julho, o pai do(a) denunciante foi até o Centro de Saúde Lagoa e se surpreendeu com o atendimento. “Os profissionais de saúde não pegaram nem tocaram no exame do meu pai e apenas disseram para que ele voltasse e ficasse em casa de quarentena”.

Conforme relato, os familiares do senhor testado positivo para Covid-19 também ficaram em dúvida se tinham contraído a doença e foram até o posto buscar ajuda. Entretanto, tiveram a mesma resposta: “voltem para casa e fiquem lá”.

“Não fizeram nenhum registro, anotação e nem o número dos nossos telefones pegaram. Nós ficamos em casa, tivemos poucos sintomas, fizemos os exames por nossa conta e, agora, depois dos dias de quarentena, aparentemente, estamos bem”, afirma o(a) denunciante.

Contudo, o relato gera dúvidas se a PBH realmente consegue microgerenciar a forma de atendimento dos profissionais de saúde presentes nos postos.

Há uma explicação para a alta letalidade?

Em estudo publicado na quinta-feira (16), a equipe do Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte (OsuBH), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), correlacionou o aumento das internações por síndrome respiratória aguda grave (SRGA) por Covid-19 (novo coronavírus), ou por outros patógenos, com o risco social e as diferentes situações de habitação dos moradores da capital.

Conforme relatório, em regiões com mais internações, as condições de habitabilidade e os índices de vulnerabilidade social e de saúde “podem explicar as taxas e risco mais elevado nesta população mais desprovida de acesso a bens e serviços”.

Em Venda Nova e outras regionais, segundo resultados, o perigo de internações por SRAG (por Covid-19 ou por outros patógenos) aumenta muito em locais limítrofes com importantes vilas e aglomerados da cidade. Veja abaixo a evolução nos mapas de calor das internações.

Segundo o estudo, tendência de casos de internação nos Bairros Piratininga, Rio Branco, Jardim Leblon, São João Batista, Maria Helena, parte do Santa Mônica e Vila Apolônia é muita alta. Já no Bairro Minas Caixa ela se mantém alta.

Nova medidas

A PBH, consciente da necessidade de controle dos casos de Covid-19 em Venda Nova e demais Regionais da capital, adota a cada dia novas medidas de contenção e prevenção. A mais recente, iniciada nesta segunda-feira (27), foi a implantação de “dois pontos de fiscalização sanitária nos terminais de ônibus Vilarinho e Venda Nova. Na última semana um ponto de higienização do SAMU também foi instalado no Hospital Risoleta Neves para agilizar ainda mais os atendimentos à população”, informa a SMSA.

Além disso, em março, a PBH instalou na Unidade de Pronto-Atendimento de Venda Nova (UPA Venda Nova) o Centro Especializado em Doenças Respiratórias/ Centro Especializado em Covid-19 (Cecovid – Venda Nova). No local, são feitos atendimentos de forma espontânea,” ou seja, sem necessidade de agendamento, pessoas com sintomas respiratórios, como tosse, dor de garganta, dificuldade para respirar, sendo acompanhados ou não de febre”, indica a SMSA.

De 23 de março a 23 de julho, o Cecovid-Venda Nova fez 3.381 atendimentos, conforme SMSA.

Em nota,

“A Secretaria Municipal de Saúde destaca que para conter a contaminação pelo novo coronavírus é extremamente necessário que a população siga as medidas de prevenção como o uso de máscaras, distanciamento de 2 metros, isolamento social e higienização das mãos.”

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D."Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo

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