Vistoria de agentes cumpre papel fundamental na guerra contra a dengue. Foto: Thanise Reis/PBH.
Vistoria de agentes cumpre papel fundamental na guerra contra a dengue. Foto: Thanise Reis/PBH.
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“O grande temor em relação ao vírus 2 é que ele não circula há muitos anos”. A frase do diretor de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), Eduardo Viana, traduz a preocupação da prefeitura com a
dengue em 2019. Em outubro, o Levantamento Rápido para Índices do Aedes aegypti (LIRAa), pesquisa que mostra a infestação de um determinado espaço, ressaltou que BH está em estado de alerta. Quatro regionais da cidade, inclusive Venda Nova, ultrapassaram o limite de 1% de casas assoladas – o que eleva a ameaça na cidade para o segundo nível de um escala de três.

Em Venda Nova, o LIRAa mostrou que 1,4% das casas pesquisadas estão infestadas. Trata-se do terceiro maior índice entre as nove regiões da cidade (veja gráfico abaixo). De acordo com Eduardo Viana, vários fatores puxam o número na regional.

“Em Venda Nova, especificamente, temos um problema com recipientes domésticos no Centro de Saúde Andradas (São João Batista). No Santo Antônio (São Pedro), temos um problema com inservíveis (entulho que acumula água). Na regional como um todo, temos limitações com bebedouro de animais, no Jardim dos Comerciários, e com lixo, pratinho de planta, caixa d’água, barris e tambores de armazenamento da água da chuva etc.”, explica o técnico da prefeitura.

Apesar do número elevado, Venda Nova não apresentou, até a publicação desta matéria, o diagnóstico do vírus 2. Contudo, no ano passado, houve relatórios deste subtipo na regional. Segundo Viana, a maior preocupação do Executivo municipal se concentra no Barreiro, onde se encontrou muitos exemplares do segundo subtipo. “Sempre que há a introdução de um vírus que há muito tempo não circula, há a possibilidade desse surto. A preocupação aumenta porque sempre que ocorreu esse subtipo houve uma maior contaminação da população, principalmente em crianças. Esse vírus é mais agressivo”, ressalta.

Até final janeiro deste ano, a cidade registrou 53 casos confirmados de dengue, a maioria deles no Barreiro, e 826 notificações ainda pendentes (a PBH ainda não sabe se o diagnóstico é da doença ou não). Em Venda Nova, são três confirmados e 84 sob suspeita.

Surtos periódicos

O fato do LIRAa ter indicado para um possibilidade de surto em algumas regionais da cidade, 2019 traz uma preocupação a mais. Nos últimos 10 anos, o estado de Minas Gerais apresentou epidemias a cada três anos (veja a situação de Venda Nova abaixo). Se a média não se alterar, este ano pode resultar em um número elevado de casos.

De acordo com o diretor de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), Eduardo Viana, não há uma explicação definida para tal constatação. “Há várias teorias em relação a isso. Existem quatro sorotipos do vírus, então há a questão da imunidade. Quando a população já está imune a um vírus e ele circula, a tendência é de não termos um surto. Sempre que há a introdução de um subtipo que há muito tempo não aparece, há a possibilidade de um aumento dos casos”, explica.

Neste cenário, a ascensão do vírus 2 coloca a cidade em total estado de alerta. “As recomendações são as mesmas: não manter água parada. A maior parte dos focos estão dentro das residências, mais de 80%. Se a gente não sensibiliza a população, nós teremos dificuldades”, destaca Viana.

Professores ajudam prefeitura a conscientizar população. Foto: Sidney Procópio/PBH.

Neste sentido, ele cita o Programa Saúde na Escola, promovido pela prefeitura, como fundamental para a batalha contra o mosquito. Nesta iniciativa, professores orientam os alunos e os pais e responsáveis a não adotar práticas comuns que podem trazer risco, como o armazenamento de entulho desnecessário.

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