A vereadora Nely Aquino (PRTB) foi acusada de improbidade administrativa. Foto: William Araújo/Norte Livre.
A vereadora Nely Aquino (PRTB) foi acusada de improbidade administrativa. Foto: William Araújo/Norte Livre.
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Novo capítulo na crise entre Venda Nova e a política. Desta vez, a vereadora mais votada da região e presidente da Câmara de BH, Nely Aquino (PRTB), se tornou alvo de denúncia anônima no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Segundo o documento, a vereadora é acusada de improbidade administrativa. Trata-se de um crime cometido contra a Administração Pública por por um servidor público.

No caso de Nely, a denúncia dá conta que a vereadora usa um carro da Câmara de BH para transportar o filho. O veículo, um Ford Ka prata, seria conduzido por funcionários do gabinete da presidente da Casa para levar a criança à unidade educacional.


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As informações foram obtidas pela TV Globo Minas e veiculadas no telejornal MG 1. A emissora exibiu, inclusive, imagens do veículo que, segundo a denúncia, pertence à Câmara e é usado para transportar o filho de Nely.

Os registros, segundo a Globo Minas, foram feitos em junho e julho deste ano. As fotos, no entanto, não mostram os funcionários do gabinete citados na denúncia.

A Promotoria mineira recebe a denúncia quatro dias depois da cassação do vereador Cláudio Duarte. Outro político influente de Venda Nova, Duarte foi acusado por Nely de ameaçar o filho dela na véspera da votação da cassação.

As imagens enviadas a Nely, classificadas por ela como ameaças de pessoas ligadas ao ex-vereador Cláudio Duarte, justamente por mostrar o transporte da criança, são as mesmas exibidas pela TV Globo para ilustrar o uso irregular do carro da Câmara.

Em nota, o Ministério Público confirmou que a promotoria de Defesa do Patrimônio Público de BH recebeu
a representação anônima. O MP notificou a vereadora, que prestou depoimento nesta terça.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a vereadora Nely Aquino para que ela se posicionasse sobre a denúncia. Porém, a presidente da Câmara só se manifestou pelas redes sociais.

Ela disse que se colocou à disposição do Ministério Público e de demais órgãos que desejem investigá-la. “Se o intuito é de fazer com que eu recue, eles estão enganados. A Câmara não foi notificada ainda e assim que for notificada será respondida (sic) todas as notificações. E eu, Nely, estou a (sic) disposição de todos os poderes para responder a quaisquer questionamentos”, disse, por meio de sua página no Facebook.

No plenário da Câmara, a vereadora protestou contra o que ela chamou de “intimidações”. “Eles pegarem as fotos do vídeo que utilizaram para me coagir e ameaçar para fazer uma denúncia contra mim chega a ser vergonhoso”.

Câmara se posiciona

Em nota veiculada nas redes sociais de Nely Aquino, a Câmara de BH informou que o contrato de locação dos veículos da Casa pode se estender a situações nas quais a presidente e seus familiares estão ameaçados.

O Poder Legislativo também informou que já sabia do uso do carro para transportar o filho de Nely. “O uso do veículo está sob supervisão do serviço de inteligência e segurança institucional a fim de assegurar o regular exercício do mandato, a garantia das prerrogativas dos parlamentares e interesses institucionais do poder legislativo”.

Perfil

Natural de São Sebastião do Maranhão, na Região do Vale do Rio Doce, Nely Aquino se elegeu em 2016 com 4.765 votos. Mais de 80% deles vieram da Regional Venda Nova.

Ela foi escolhida para o como a nova presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) em 2018. Nely ocupa o cargo até o fim do mandato, no ano que vem.

Ela ocupa o posto depois de receber votação expressiva na sessão plenária ocorrida em dezembro último. Nely recebeu 24 votos, 15 acima do segundo mais votado para a presidência da Casa.

A vereadora foi a segunda mulher a alcançar o cargo. Antes, Luzia Ferreira foi presidente da Casa entre 2009 e 2012. Nely foi candidata à deputada estadual no último pleito. Contudo, ela recebeu 6.241 votos e não conseguiu se eleger.

Ela é moradora de Venda Nova há 35 anos e tem histórico político familiar (irmã do ex-vereador Valdivino). Também endossa o projeto social Rumo Certo, situado no Bairro Céu Azul. A vereadora carrega forte discurso feminista e tem a maioria de suas atuações dentro da regional.

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