Paredes da Escola Municipal Gracy Vianna Lage - Foto - Administração da escola - Xia Graffiti Fest 2019
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Por William Araújo

Neste final de semana, nos dias 26 e 27, de 9h às 21h, aconteceu a 3ª Edição do “Xia Graffiti Fest!”, um festival nacional de grafite dedicado a Belo Horizonte e com aporte na Regional Venda Nova. Em torno de 170 artistas, de 11 estados e 70 cidades diferentes, se reuniram na Escola Municipal Gracy Vianna Lage (EMGVL), no Bairro Jardim dos Comerciários, para refazer com arte a pintura dos muros do local e das paredes internas. O evento foi aberto ao público e reuniu, aproximadamente, 300 pessoas.

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Além da atração dos muros, o público pode desfrutar de shows com o rapper Lheo Zoto (de Uberaba), do grupo “1 Só” (de Lavras) e das músicas do DJ Poetry e DJ Prema (Rio de Janeiro). No sábado, houve, também, a Batalha de Dança All Style “Consciência Corporal”, em que 40 dançarinos fizeram apresentações no ginásio da Escola e o campeão foi o participante Marcão.

A organização do evento convidou grafiteiros do Amazonas, Rio de janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Sergipe para registrarem suas marcas em Venda Nova. Ao menos, um(a) representante de cada estado compareceu com fundos próprios e ficou alojado(a) na Escola, que forneceu apoio físico ao evento, como a tinta base para preparação dos muros, estacionamento, som, microfones e alimentação.

Segundo Thaís G. da Silva Matos, diretora da EMGVL, “ficamos muito felizes com o processo e com os resultados do evento. A Escola tem a proposta de ser aberta à comunidade. Como o grafite ainda é uma cultura muito marginalizada, mas que tem ideias e propostas interessantes (além de nossos alunos gostarem), aproveitamos a oportunidade para estimular a expressão artística deles”.

A programação contou, também, com o confronto urbano “Batalha de Caligrafia”, realizado pelas empresas apoiadoras Real Vandal Graffiti e BHBombing, que cobriu o evento fazendo imagens e conteúdo audiovisual. Dos 16 artistas participantes, Romário Sick, de Belo Horizonte, foi o campeão.

Durante o festival, o tatuador Boki, da zona norte de Belo Horizonte, doou para sorteio uma tatuagem no valor de R$500, que foi ganha por um dos populares que acompanhavam o evento. Entre os prêmios, os vencedores levaram troféus, camisas do “Xia”, bonés da “Paris 68” e kits de latas de spray.

O termo “Xia”, de acordo com Gustavo Faix, idealizador e organizador do festival, é uma gíria comum na esfera do grafite de BH e serve, assim como o “uai”, para diversos propósitos. “Habitualmente, usamos para chamar alguém a dizer algo, por isso, como queríamos dar uma identidade que pertencesse à cidade, escolhemos a palavra”, diz.

O evento teve apoio da Escola Municipal Gracy Vianna Lage, da loja Real Vandal Graffiti, da empresa de serigrafia Street Screen e das pessoas que se apresentaram com atrações musicais.

Diversos artistas do grafite reunidos para o Xia 2019 – Foto – Organizacao do evento

O grafite

De acordo com Célia M. Antonacci Ramos, doutora em Comunicação e Semiótica pela Universidade de São Paulo (USP), no artigo “Grafite & Pichação: por uma nova epistemologia da cidade e da arte”, o grafite e o picho são canais de comunicação que agem no contrafluxo dos planejamentos urbanos, conectados à cidade, ao público, ao agora.

Em Venda Nova, as principais vias de circulação possuem, ao menos, um grafite, como é o caso do muro na Rua Padre Pedro Pinto, altura do número 2262, diante da Estação BHBus Venda Nova. A arte foi encomendada por uma ótica e mostrou uma forma de propaganda e utilização criativa do espaço urbano.

Recentemente, o artista e tatuador Lauro Magalhães, natural de Bom Despacho, fez uma intervenção na Gerência de Resíduos Sólidos e Urbanos de Venda Nova (Gerub Venda Nova), em que usou a técnica mista de spray e pincel (aprendida com o grafiteiro John Viana) para pintar uma imagem no estilo realista. O desenho é uma representatividade do trabalhador por meio da expressão e olhar.

A marca pessoal de Lauro é a mistura entre tatuagem e grafite. Quando questionado sobre as relações entre o picho e o grafite, Lauro disse que “ambas são manifestações artísticas! A diferença está, além da estética, na motivação de cada um. O picho está mais ligado à revolta e auto afirmação que o graffiti. Nunca pichei, mas respeito o picho, somos farinha do mesmo saco!”

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, Bolsista PCCT na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig)/Minas Faz Ciência, ilustrador, cartunista, videomaker, desenvolvedor web, jornalista editor no Jornal Norte Livre - parceiro hiperlocal do Portal Uai - com passagem pelo Jornal Daqui BH, conteudista, SEO (Search Engine Optimization), fotógrafo, animador 2D.