No dia 15 de novembro, alagamentos foram registrados na Avenida Vilarinho. Foto: reprodução/Corpo de Bombeiros.
No dia 15 de novembro, alagamentos foram registrados na Avenida Vilarinho. Foto: reprodução/Corpo de Bombeiros.
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A combinação entre a falta de obras de saneamento básico e as fortes chuvas tem criado problemas em Venda Nova neste ano. Desde 1º de outubro, mês em que as precipitações se intensificam, a Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil (Supdec) atendeu uma média de 6,7 ocorrências na regional por dia – a maioria relacionada às precipitações desta primavera. Desde então, foram 435 chamados para a região, o que representa o maior número entre os nove territórios administrativos da cidade.

Os dados deste período chuvoso já superam a quantidade de ocorrências de toda a última estação (entre outubro de 2017 e março deste ano), na qual a Defesa Civil registrou 356 chamados. Isso porque o mês de dezembro, historicamente o que apresenta os índices de pluviosidade mais altos, ainda está no início.

Entre as ocorrências deste período chuvoso, se destacam as quatro vidas perdidas no temporal do dia 15 de novembro. Jonnattan Reis Miranda, de 28 anos; Anna Luísa Fernandes de Paiva Maria, de 16; Cristina Pereira Matos, 40; e a filha dela, Sofia Pereira, de 6 foram vítimas de uma enchente avassaladora na Avenida Vilarinho. Naquele dia, foram 84,6 milímetros de pluviosidade. Com isso, apenas no feriado da Proclamação da República, se choveu 35,2% do esperado para todo o mês de novembro.

Além das vidas perdidas, Venda Nova registrou 150 alagamentos, 147 inundações, sete árvores caídas, um desabamento e três tombamentos parciais ou totais de muros no intervalo entre 1º de outubro e 4 de dezembro. Contudo, nem todas as 435 ocorrências registradas pela Defesa Civil na cidade têm ligação com as chuvas. Há, por exemplo, a computação de palestras realizadas em escolas e retirada de animais da via pública, que também entram no levantamento.

Ainda assim, o aumento de alagamentos e inundações chama atenção na comparação com o período chuvoso 2017-2018. No primeiro caso, as ocorrências saltaram de 12 para 150, um crescimento de 1250%.

Já no caso das inundações, o acréscimo é ainda maior: 2.100%. Os chamados saíram de apenas sete na última estação para 147 no período entre 1º de outubro e 4 de dezembro deste ano.

Porém, os dados podem ser piores até o mês de abril, quando se encerra o intervalo de pluviosidade. O mês de dezembro, ainda em sua primeira semana, abriga a maior média histórica da capital, com 358,9 milímetros. Até o dia 3 de dezembro, Venda Nova já havia recebido 19% deste contingente, com 68,6 milímetros.

Risco geológico

As chuvas de dezembro causam preocupação à Defesa Civil. Nessa segunda, o órgão emitiu um alerta de risco geológico de alta intensidade – corrigido para médio após a estiagem entre segunda e quarta-feira.

O risco geológico representa iminência de deslizamentos de terra e desabamentos causados por encharcamento de solo após longa chuva. Conforme a Defesa Civil, isso acontece quando a pluviosidade alcança índices de 50 milímetros em 48 horas ou 70 milímetros em 72 horas.

Há vários sintomas de que um imóvel apresenta risco geológico: trincas, infiltração, mofo excessivo e piso ou paredes ocas. Caso o cidadão constate algum sinal desses abalos, a Defesa Civil disponibiliza o telefone 199. Por ele, a população pode solicitar apoio da equipe técnica da prefeitura.

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