the-undateables.- Divulgacão: Netflix
the-undateables.- Divulgacão: Netflix
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Por Fatine Oliveira

Mês passado publiquei no meu blog “Disbuga” um texto sobre a série de documentário “The Undateable” da Netflix. São histórias de pessoas com deficiência relatando as dificuldades na busca pelo par perfeito. Toda a rotina dos personagens reais e suas experiências afetivas são mostradas, nos levando a envolver diretamente com suas emoções. Para minha surpresa, várias pessoas comentaram o post, compartilharam o link e, como estamos no mês dos namorados, resolvi retomar o assunto aqui na coluna.


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Falar de relacionamento e deficiência é um papo para vários textos devido a complexidade, profundidade e falta de conhecimento do assunto. Complexidade essa porque ao falarmos de deficiência precisamos abrir uma espécie de catálogo e analisar cada caso. Tudo depende do grau de dependência e autonomia da pessoa.

A profundidade está nas experiências dos indivíduos. Algumas pessoas, como a série demonstra bem, nunca tiveram nenhum relacionamento; outras apenas se envolveram com quem também possui alguma deficiência. Já alguns se relacionaram com pessoas sem deficiência e não tiveram sucesso.

A falta de conhecimento está na compreensão sobre sexualidade. Quantas pessoas ainda se espantam quando nos ouvem relatando nossos desejos?! Como se a deficiência implicasse na ausência da libido, ou na incapacidade de proporcionar prazer.

O documentário mostra como o amor (ou para os menos românticos, o desejo) é universal. Toda pessoa deseja ser amada, não é mesmo? Queremos encontrar aquele par ideal para nos acompanhar no cinema, compartilhar bons momentos e curtir a vida. Podemos ver com as histórias da série que a capacidade de sentir e causar felicidade ao outro independe do corpo. Está em quem somos.

Nos aproximamos dos sentimentos dos personagens ao ponto de não compreender como alguém tão legal está com dificuldades de se relacionar. Nesse exato instante, percebemos o peso do capacitismo em nossas vidas com deficiência. Entre uma pessoa incrível com deficiência e uma super legal sem deficiência reside o medo, o estranhamento e, quem sabe, até preconceito.

Em meu canal do Youtube, publiquei este vídeo comentando como é complicado para uma mulher cadeirante se aventurar no Tinder. Olha, posso dizer a vocês, é uma luta. Já perdi a conta de quantos “matchs” se desfizeram quando a pessoa descobriu minha deficiência.

Nos idos da internet, na época das salas de bate papo, muitas foram as vezes em que perdi candidatos interessados após descobrirem que sou cadeirante. Na época, isso comprometeu minha autoestima, pois me achava incapaz de fazer um “homem feliz” por causa da cadeira de rodas. O tempo passou, e com ele veio o aprendizado necessário para perceber os livramentos que recebi nesta fase. Afinal de contas, uma pessoa que me dispensa por causa da deficiência não deve ser alguém bacana para ninguém.

Todo mundo quer alguém para chamar de seu, mas desde que essa pessoa entenda nossas diferenças e perceba que elas não nos limitam. Em alguns casos, a cadeira de rodas pode até ajudar, viu? Com criatividade tudo é possível, mas esse papo fica para outro dia. 😉

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