Bronzeamento de fita em Venda Nova por Drica Muniz - Tatiana Marques e Amanda Alves - Foto William Araújo - Jornal Norte Livre
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Por William Araújo

O verão está no ponto mais alto e, apesar do calor intenso, as pessoas buscam seu local ao sol para conseguir marquinhas de biquíni perfeitas. Usar fita isolante para garantir a definição entre pele clara e bronzeada não é novidade. A cantora Anitta foi uma das impulsionadoras da prática quando apareceu usando a vestimenta de filme de PVC no final de 2017, no videoclipe “Vai Malandra”. Tempos depois, o procedimento se popularizou e, agora, homens também querem a famosa cor das lajes.


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Há um ano e cinco meses em Venda Nova, no Bairro Céu Azul, Adriana Muniz (de alcunha Drica Muniz) é personal bronze e trabalha há 13 anos com o bronzeamento natural. Ela é de Brasília e diz que a moda do biquíni de fita isolante surgiu há cerca de dois anos, pois antes as marquinhas eram feitas com esparadrapos.

Nos meses mais quentes e secos do ano, Drica atende, aproximadamente, 50 pessoas por mês. O pacote mais básico para mulheres (com biquínis personalizados, bronzeamento natural, banho de lua e cuidados pós-sol), com sessão entre uma hora e 20 minutos e duas horas de duração, sai a R$100.

Bronzeamento de fita em Venda Nova por Drica Muniz – Amanda Alves – Foto William Araújo – Jornal Norte Livre

Todos procedimentos acontecem na laje da casa de Drica, onde funciona o Espaço para Bronzeamento Natural e Estética Eficaz. O cheiro dos produtos, o sol, as toalhas, o suor e a música nos trouxe, com simplicidade, a sensação dos quiosques das orlas de praias.

Segundo Drica, os biquínis personalizados demoram cerca de 15 minutos para serem montados no corpo da cliente, que precisa estar com a pele seca, limpa e as partes íntimas bem depiladas. As marquinhas masculinas têm dois tipos de montagem: com a borda de fita no tecido da própria sunga ou com toda a vestimenta feita com o material, o que dura até 20 minutos para criar.

Os biquínis gastam quase a metade de uma fita isolante de 20 metros, enquanto as sungas montadas totalmente com o material consomem até dois rolos. As fitas têm várias cores e Drica tem um revendedor autorizado.

De acordo com a personal bronze, a fita isolante substituiu o esparadrado porque ajuda a marquinha a ficar mais definida e adere melhor ao corpo. Todavia, a aplicação sempre deve ser feita por um profissional, pois o material pode causar efeitos indesejados à pele caso não seja usado corretamente.

“Eu uso várias cores de fita. As cores amenizam a agressividade do sol sobre a fita, melhoram o design dos biquínis e sungas e reduzem muito a possibilidade de problemas. O personal bronze é treinado para isso: saber sobre os produtos, quanto tempo podem ficar em contato com cada cliente e como devem ser aplicados para garantir a melhor marquinha sem causar danos à pele”, diz Drica.

Além disso, a profissional relata que o Espaço respeita os horários recomendados para exposição à luz solar, o que previne queimaduras e outras complicações.

Durante a manhã da entrevista, cinco mulheres ocupavam as macas. Entre elas, Tatiana Marques – 30 anos, autônoma e casada.

Tatiana é cliente de Drica há mais de oito anos e se deslocava de Venda Nova até o Bairro Floresta para buscar os serviços da personal bronze. Ela conta que já tentou bronzeamento artificial, mas a máquina era abafada e causava desconforto. Depois de ter feito o procedimento natural, nunca mais quis mudar.

“Algumas pessoas ficam dizendo que eu deveria me preocupar, pois no futuro posso ter problemas por causa do bronzeamento. Eu não respondo muita coisa, digo que no momento me faz bem e não tenho do que reclamar”,  diz Tatiana.

Bronzeamento de fita em Venda Nova por Drica Muniz – Tatiana Marques – Foto William Araújo – Jornal Norte Livre

Uma tendência profissional

Atualmente, Drica trabalha com uma ajudante, Stefany Lemos, que prepara as 12 macas na laje e reveza a hidratação dos clientes com um regador de plástico e líquidos para ingestão.

Apenas Drica faz a montagem das vestimentas de fita isolante e utiliza os produtos responsáveis pelo bronzeamento.

“Nós trabalhamos com macas pois são mais altas e facilitam a aplicação dos produtos. Usamos protetores solares e parafinas ativadoras, como as de chocolate, café e açaí. Todas com registro da Anvisa e manuseadas por mim, que sou a personal bronze”, conta Drica.

Segundo Drica, apesar da fita isolante grudar bem na pele, com o tempo de exposição à luz solar, naturalmente ela perde o adesivo e fica fácil de remover. Por isso, precisamos corrigir as vestimentas à medida que fazemos o bronzeamento.

Conforme a cor da pele, ela mantém a permanência da pessoa na laje. Assim que o procedimento termina e as marquinhas já estão boas, o cliente recebe os cuidados pós-sol com água termal de bronzeamento.

As marquinhas feitas em uma sessão duram perto de 30 dias dependendo da pele do cliente. Para que fiquem mais tempo, recomenda-se por volta de três bronzeamentos intercalados por um período de 15 dias.

De acordo com Tatiana, a cliente mais antiga de Drica em Belo Horizonte, suas marquinhas duram em torno de 90 dias porque faz duas sessões a cada três meses. A vontade dela em fazer o bronzeamento se deu por causa da estética das marcas e dos benefícios para a pele, como o desaparecimento de manchas e camuflagem de estrias. Essas características atraem as pessoas.

“Tenho clientes clientes do Bairro Belvedere, das cidades de Ribeirão das Neves, Ibirité, Betim, Santa Luzia e da própria Regional Venda Nova. Quando comecei a trabalhar aqui (Bairro Céu Azul), já tinha minha clientela formada pelos anos de serviço. Atendemos aqui, com o bronzeamento, uma senhora de 80 anos e um senhor de 58 anos”, conta Drica.

Apesar da novidade das sungas de fita, ainda são mais mulheres que procuram o procedimento. Segundo Drica, “por semana, atendemos cerca de 20 pessoas, em torno de 5 homens para cada 15 mulheres. Eles ficam separados delas na laje mais alta, exceto quando casais pedem proximidade durante o bronzeamento”.

Bruno Leonel – Fonte – Acervo Pessoal

Drica conta que o termo personal bronze existe há muito tempo no estado de Goiás e que amadureceu até se formalizar. Além da certificação da profissão, ela tem formação em estética corporal, massoterapia e cosmetologia.

O personal bronze é uma profissão que depende do clima, por isso possui sazonalidade de clientela. Durante os meses mais frios e chuvosos, Drica diz que as pessoas somem, mas a partir do dia 15 de julho, elas vão retornando aos poucos, o que cria um período de sete meses de atividade na profissão.

Em projeções, Drica espera que a tendência aumente ainda mais durante o carnaval, no qual o belo-horizontino já demonstrou que está propenso a novidades para fugir do calor intenso nos desfiles dos blocos caricatos.

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D. "Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo